segunda-feira, 29 de abril de 2013

Compensa

Meu bem,
vim lhe falar sobre o teu riso
que de tão belo me dominou
e me deixou refém
de qualquer alegria tua.

Somente o teu riso
aquele sincero que franze a testa
é a verdadeira cura
acima de todas as pílulas
que cobrem tua ausência

De tão puro
me pergunto se posso admirar
de tão vivo
penso que logo eu, morta
posso pecar ao desejá-lo

Meu bem,
vim lhe falar sobre o teu riso
que de tão meu, enloquece
que de tão teu, deixo partir
que de tão nosso, não consegue ver.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Delírio

Deveriam ter te alertado sobre as cicatrizes em meus braços. Assim ficaria mais fácil de fugir quando eu me tornasse escuro, quando você fosse vazio, quando a vida fosse vento.
Toda a culpa do rock 'n roll caindo sobre meus ombros. Dizem ligar, dizem ajudar, mas pouco se importam. Quem não convive com a própria culpa nunca poderá entender a alheia.
Todos os pequenos erros, todas as noites sem glória, todas as giletadas mal cortadas e impunes, nada, absolutamente nada, convém. Ninguém quer saber de uma Lua Nova, de uma tempestade. Quem olha para a noite quer admira-la sem o pesar.
Cansei de avisar à multidão sobre o desespero. Agora, em desespero, espero que ouçam o meu suplício.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Assombração

Comovente deve ser pra você, inútil!
Só me sobraram o calor de fevereiro e a seca que, como tua alma, não lhe caí bem uma lágrima se quer.
Eu já não broto mais, sou consumida pela própria dor de ver-te ao meu lado, mas frio, implacável, com beleza de uma montanha que se pode admirar ao longe mas tão mortal para mim, que vivo de mar.
O cherio do teu suor me arrepia, a fumaça do teu Malboro me remete ao nosso intacto passado. Queimou, se desfez, virou mais um resto pisado ao chão.
A maior punição eu que aplico. Fico ao teu lado apesar dos avisos, apesar do vazio, apesar dessas mulambas.
Eu gosto de te ver longe, gosto de ver pois quero acreditar, quero falar para mim mesma que é real.
O fim não é como teu sono, meu amor, o fim é irremediável. 
Vá e rompa este grito em mim. Quem sabe com a tua ausência o tempo não me consuma tanto que, em necrose, eu me faça em cinzas, misturada com meu desapontamento, nos tornando uma coisa só.
A dor da falência já não me causará tanto dolo quanto tua partida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"Detalhes tão pequenos de nós dois"

A noite envolvida no silêncio do meu quarto, penso no que não existe mas que, em miséria, se compõe. E digo mais, me satisfaz.
O sorriso sincero após um devaneio, o olhar fugitivo volta e meia encontrado e aquelas pequenas frases que guardo como ínfimas homilias. Me acompanham, me fazem mulher, alimentam aquela que precisa de tão pouco para te ter por dentro.
Sensação que quero cultivar todos os dias. Acordo com um sorriso sínico, enganando a mim mesma, olhando para suas fotos e chamando de minhas. E não são, e é essa a graça!
Porque se fossem seria justo, e qual a graça do sono da plenitude? Prefiro uma aflição eterna ao conforto, prefiro meu imaginário e não fazer nada para o real.

Eu te desejo, mas desejo muito mais a minha criação.

Bom dia!





terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rascunho

Cruela cruel,
Metade mulher, metade máscara. Que de tanto já lhe tomou, agora faz parte e pode ser metade monstro.
Sem ametistas cravejadas, ficou assim porque quis, porque cansou.
"É mais fácil ser monstro e não sentir."
Seus olhos negros, sem brilho, como um céu noturno de uma cidade em caos. Penetram, enganam, parecem simples mas são de espinho.
Os cabelos em fogo para dar pistas. Ela não ataca sem avisar. E ataca quem quer ser atacado.
Envolve suas presas em discurso simples, sem delongas. Afinal, não temem e aí que pecam.
Ornamentando risos tolos, fazendo acreditar no que ela quer que acredite. É maior que você e você nem se dá conta.
E quando der estará perdido, iludido ou longe.
Cruela cruel, 
A menina que se tornou rocha e nem percebeu. Presa ao que achava ser defesa e agora se faz sangue, e agora se faz pacto, e agora se faz veneno...






sábado, 20 de outubro de 2012

Aquele que nunca vem

No calor dessa tristeza, os remédios me trazem ilusões de um futuro que não há de existir.
Erro as teclas, as palavras, os pensamentos. Para no final ser você, e só você.
Tive o fruto, descartei. E foi o meu primeiro altruísmo, mesmo que não me pertença.
Que direito tenho eu de despedaçar aquilo que nunca terei?
Será a subjetividade de um ideal construído? O amor que queria sentir?
Sou um monstro.
Sou destrutível.
Sou desastre.
E não quero correção ou piedade. Não quero nada que não possa assumir.
Quero minha solidão, minhas lágrimas ensaiadas em luares cheios, meus desastres e minha imaturidade, sempre dando graça a uma vida que sobrevivo.
Não há lugar para os fracos, não há lugar para sentir. Só há lugar para te ver distante, pensando em um todo, sem ter tido nada.
Eis a minha sina. Eis a minha coragem recalcada. Eis aquele que nunca vem.

Boa noite.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Confusa revanche

Meus passos perdidos, ligeiros, trilhando a rua escura do fim de expediente. Eu sou mais corajosa que você.
Deixo esses pensamentos, doentios de tão recalcados, aos poucos dominarem meus dias e embebedar meu sono. 
Pesadelos assombram a minha frieza. Não sou mais, tenho de ser, e não me controlo. Idealismo incessante que tem que ir embora. Agora.
(Pois) só quero teu toque, e qualquer afago será execrado. Só isso, nada mais.
Me conforto com um você imaginário, que criei para acalentar meu monstro, que preenche as entranhas do que me é tão subjetivo. Com ele permito, com ele sonho, com ele que brilha meu olhar sossegado.
E te deixo como rascunho de tudo que poderia ser mas não é, e não quer, e não pode. Rabiscos de uma pintura perfeita que só eu poderei apreciar, puro egoísmo do meu lado temido.
Eu quero, eu desejo, eu inspiro devaneios de filmes baratos que passam pela minha cabeça quando, não tão mais misteriosamente, sorrio e olho diretamente nos teus olhos. "Ah, se ao menos soubesse!".

Cuidado comigo, querido. Eu não bato muito bem. E nem você.


sábado, 6 de outubro de 2012

A fera

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Superficial (somente)


Desejos omitidos por vidros translúcidos, finos, trincados como cicatrizes das tentativas do toque.
Não é proíbido, não é indesejado, somente precisa de tempo e se romperá. E por que tão complicado para mim?
A ansiedade me consome, me faz febre, deixa os pensamentos rondando rápido, se esbarrando...
Eu sou o ser do desejo que grita, mas não sou mestre do tempo. E não vivo sozinha.
Fantasia das madrugadas que serão vividas, das manhãs, das trocas de olhares suados, quentes. O som da guitarra, a voz rouca, a repiração forte. Sinto o gosto do tabaco, do vinho e do suor.
Faço de tudo em nossas cena inventadas à luz de uma lua, voyer do que vem e do que está. Ao brilho das estrelas caídas nos seus braços, me possuindo e enfeitiçando, agarrando e querendo me sugar em constelações desconhecidas que lente nenhuma vê.
Cola     Cola na minha pele, sacia sua fome, deixe seduzir pelo meu mistério... mas dê aquele seu sorriso ao sentir a claridade desnorteando, mesmo que fútil, mesmo que breve, mesmo que não meu, dê.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cárcere de mim mesma

Eu casei com a minha depressão. Eu jurei fidelidade eterna. E nada pagão vai me tirar disso.

O amor é pagão, o prazer é pagão, e meu sorriso é um anjo caído.
Cada vez que algo me tira dos grilhões espetados do meu rumo, busco a fuga e volto aos meus votos.
Eu preciso destruir, me punir.
Eu sou o maior erro que cometi.
Eu sou a dúvida da minha própria existência.
Eu sou as cinzas dos meus ideais.
E estou fadada ao convívio do meu fracasso e a dor de tê-lo por escolha.

Quem me olha não vê.
Quem me escuta não ouve.
Quem está ao lado não entende.

Minhas desilusões pilharam meu caminho e não me deixaram atalhos.
Os que ficarem ao lado vão questionar uma sanidade, mínima sanidade.
Sanidade que eu não reconheço em ninguém quando me sentem irreal e já se acostumaram.
Qual será o fim do matrimônio com minha sentença?
Será a inocência que nunca vem?
Será a condenação dos que me assombram?
Será o cansaço eterno de quando me olho, me vejo?

A dúvida da sua forma não me persegue tanto quanto a certeza da sua proximidade.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Viciosamente

Um arrepio me consome toda vez que ouço o choro da guitarra abafada.
Busco inspiração, qualquer termo e frase pré-fabricada para transferir o calor que me dá tal melodia.
É o mesmo sonho rebobinando em trilhas diferentes, profundas, que parecem ser mais que um objetivo.
As balelas da vida, que amanhecem e dormem comigo, tomam seu lugar. Não sou daqui porque você também não é.
E como uma punição divina, o sentimento me rompe sem ao menos resistir mais que uns instantes, mais que uma palavra mal-dita. Maldita!
Só transtornos bipolares literais e indiagnosticáveis, uma tolice infantil que alimento para me sentir importante, diferente dos triviais. E não sou. E sei.
Talvez a não-solução de toda a problemática de uma vida seja o anseio dessa sensação. Eterna frustração, eterna infelicidade, eterna perdição (e ao mesmo tempo tão bom).

...mas nada que não teu alimenta-se da dor. 
Surpresa alguma tenho ao perceber, então, que vai morrer de fome. E eu, de solidão.

http://www.youtube.com/watch?v=zh4qvqdOCDE

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Simples imaginável inexistente

Vento quente de uma noite encharcada da chuva de verão. Todos os cheiros, os silêncios, a tv que me acompanha questionam meus pensamentos, dão voltas nos meus ideais.
Imagino o lençol branco amassado, o luar estonteante, as silhuetas de um amor perfeito. Imagino você e nem sei por quê.
Longe da realidade, cada toque nosso é como uma colisão. Cada meio abraço que me dá, um beijo na cabeça, gritam, BERRAM tudo que poderíamos ser. Nos fizemos de possibilidade por não acreditar no que sentimos.
De repente me volta a sensação da paixão, o mesmo sorriso bobo no rosto imaginando situações solucionadoras, o mesmo suspiro. Mas dessa vez escondo, dessa vez eu calo.
É claro mas não se vê, é imaturo mas pode ser real, é inexplicável, sem motivo algum, mas está ali.
Enquanto isso eu me contento com duas palavras, com a brincadeira da troca dos olhares, com nossa vida passando em filme na minha cabeça. Fica mais fácil sendo assim?
.
- o que imagino de "Noite e Dia", do meu queridíssimo Lobão

sábado, 3 de dezembro de 2011

Pedras Portuguesas

Ontem você me deixou à mercê de qualquer um. Partiu sem se despedir, com a angústia nos olhos e eu, que já não sou tão esperta, fiquei deglutindo cenas até de fato crer:  foi embora.
O calor da noite, as copos minúsculos e fortes, olhares perdidos em mim. Depois de tanto tempo, eu já não sabia mais usufruir de qualquer liberdade. Você me impôs uma, me senti na obrigação de aproveitar.
Nem passos pela cidade, nem táxis me levando de bar em bar ou amigos querendo me tirar da consciência. Nada parecia certo, nem um sorriso sincero saia de mim. Me perdia parada nas ruas, ouvindo todos e ninguém, contando morcegos no céu negro.
Saí perambulando em passos tortos na imensidão marginal do Rio de Janeiro: "Preciso voltar para casa. Fecha a conta!".
Esperei ao relento bondes que nunca vinham, barcas submersas, ou você em alguma loucura. Não veio.
Andei mais um pouco, senti um calafrio me tocar, uma lágrima ensaiando minha derrota. E achei a sorte em um ônibus barulhento, escuro, que me levaria ao inferno que criei.
Não há certo ou errado. Não há perdão ou perdoar. O que há são as pedras portuguesas, olhando para a minha solidão, criando ritmos com minhas sapatilhas.

Liguei, esperei, recebi o frio que esperava (ou merecia?).

sábado, 12 de novembro de 2011

Ela

Meu sexto sentido pressente, sente, afirma: sempre será ela e você é o que aparecido.
Cansei de ser a reserva, vou me mudar para sumir, vou olhar outros olhos para sair desse rio.
Não dá mais pra fingir que ainda não vi as cicatrizes que ela fez, e, por ser fera, domina mais que eu, ferida.
Não suporto.
Me sufuca.
Me tira tudo.
Cansei de ver o que você sente, cansei de contar as palavras que você a enviou.
Nunca chegarei perto disso e, na mais calmaria do dia que em breve virá, partirei para alguém que tenha a certeza do amor e não da enganação
Pare de reafirmar uma mentira! Não quero ser pra casar, quero ser o amor da sua vida!
Uma pena não poder forçar o que não se tem, mas ainda posso expulsá-lo ao menos...

É a minha vida, sou uma pista para que os outros partam e sempre serei. VAI EMBORA!
http://www.youtube.com/watch?v=sgxm6eCt1oA 

Afirmativas de uma pirata cansada


Eu preciso de um alguém que nunca teve encantos, que me faça segura em lodo, que me vista de amor da cabeça aos pés.
Minhas manias não mentem e já tornaram-se parte de mim.
Eu nunca serei feliz se não encontrá-la, estabilidade.
Perdi o tesão pela selvageria.
Eu quero paz e acho que sempre quis!
Quero alguém que já a tenha encontrado para me guiar.
Sei que amo, sei que quero, sei que não tenho tempo...
Não sei se será meu barco pois o seu jeito já é de apreciar outras rotas, de olhar sempre para os portos passados.
Não sei se é o meu jeito, ou o jeito que é bom pra mim.
Mas sei que estou cansada de remar e preciso de alguém que o faça por inteiro.
E não adianta mudar o imutável, passar cera em pedra, fingir que perdoou.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fantasiosa decisão exclamativa

Calma, Alice, olhe bem para esse chão!
Não adianta pisar só em galhos, há tanta grama para dançar...
Esqueça os lobos! Se não mexer com eles, não mexerão com você.
Talvez não consiga ver as rosas, mas olha como ficaram belas mesmo em carmim!
Alice, não destraia o seu destino, todos são loucos e você pode dançar com eles também.
Seu caminho é o que você escolhe. Então por que insiste em fazê-lo pelas sombras?
Deixe o sol refletir a sua palheta em seus cabelos! Não importa se queimar demais, só deixe...
Dance sem os seus sapatos! Você sabe desviar do que a machuca.
Pegue as flores pelos botões! Com cuidado não vai estragar...

Deixa essa melâncolia de lado! Enfrente suas rainhas!
Siga sem olhar para quem a convida, siga sem olhar para trás!
No final, o reino é seu, Alice. O reino é seu!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

De menininha e sincero

Só no tempo de passar as sombras, eu vou me despindo das capas negras e vejo o seu rosto, meu encantamento.
Talvez seja novo não administrar o irreal, não quer o além. Orei por um pedaço de chão, ganhei um reino!
Nem que seja nas poucas noites que pudemos acordar de frente para o outro, contáveis por serem dificultadas e não difíceis, tudo vale a pena.
O problema é que já te quero para a vida. Com seu sorriso de menino, seus olhos que, não canso de repetir, são os mais lindos que já vi, seu hálito matutino alimentando o amor da madrugada até o amanhecer. A ansiedade me consome, a frustração me domina.
Não é justo, fiquei de birra, agarra em mim agora!
Quero me perder pelo resto da minha vida no seu abraço, rir das nossas palhaçadas até a barriga doer.
Tempo, passa rápido! Deixa ele do meu ladinho de uma vez. Alias, de uma vez por todas.

E se isso não é amar...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ordinária

Sou o degrau de quem se destaca. Me usa porque precisa, mas pisa.
A menina dos problemas familiares, do passado dominado por monstros (que nunca dormem), da tristeza incurável. Onde foi que eu me perdi de mim?
Essa dor que me domina, faz com que eu sinta cada pedaço destruido pelo fio da faca, cada gota de sangue que bate no chão. Estou morta por dentro e essa, mesmo que reversível, é a pior morte.
Não tenho ninguém realmente. Meus colegas se foram, eu só sirvo para os sorrisos. Meus amantes saem em amargura, se encantam por outras alegrias que, com certeza, não são as minhas.
E todos me fazem de cega, mesmo que eu repita insistentemente que vejo tudo...
Minha vida ordinária, meu rosto deformado, meu cabelo seco, meu corpo castigado pela minha ansiedade. Não tenho como melhorar, nunca serei ninguém e também não sei se quero ser.
Talvez partir seja melhor, respeitar todos os acontecimentos como sinais de que preciso me despedir.

Não tenho mais raiva do mundo, a tristeza de me olhar no espelho é bem maior.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Resposta à soma

Desde o começo, uma certeza que me incomoda.
O fim das inseguranças, dos delírios? Quero que seja, não suportaria te peder.
Eu, com certeza, tenho que aprender a reconhecer os erros, olhar para frente. Só no "clap" "clap" das teclas já ensaio os dois.
Quando o egoísmo passar, quando esse sentimento de vingança e proteção, tão humano quanto obscuro (ou obscuro por ser humano),  passar, aí sim, transcendentalmente felizes.
Transcendentalmente um casal estável com seres instáveis, mas firme em seu amor.
Todos me questionam, todos me falam o contrário, e dessa vez foi como nunca. A culpa não é minha, não é sua, a culpa é nossa. Falamos muito "eu" ao invés de "nós", mesmo amando o "você".
Em psicologia aprendi que é natural e comprovado: colocamos causalidade interna no desvio do outro e externa no nosso. É proteção da natureza, uma voz te julgando sempre como inocente.
O que se aprende é que no amor, para que cresça firme e dê seus frutos, o réu tem de ser o conjunto.

E é por isso que eu não te amarei, é por isso que eu não amarei você. Eu nos amarei, e isso para a eternidade, já é o suficiente.

domingo, 16 de outubro de 2011

Pequena parte do adeus

Foi embora.
Em tapas descontrolados, gritos de madrugada, enganos alcoólicos.
Eu amei, amo, não sei se amarei. Seria o pai dos meus filhos, meu companheiro eterno e trocou tudo por uma vingaça, trocou tudo por outra.
Eu poderia ter acreditado no que me diziam, mas recusava cega, no olhar sem as lágrimas que batem essas teclas.
Meu coração bate mais forte, sinto um aperto, minha respiração esquenta. Eu nunca pensei que poderia ter um fim, nunca.
E no final, será que lutou de fato?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Saber buscar

Olho no fundo dos teus olhos para buscar a mentira que não tenho. Minto e nego o amor buscando não cair e, em queda, confundo o meu princípio em rápida palpitação.
Não adiantar esconder as flores do canteiro quando são tão claras em cheiro e cor. Refletem com a brisa do vento, dançando em primariedade, brincando de ser eu.
Amo, amo com tudo, afundo na lagoa, mas sempre fingindo o bote que nunca tive e nem sei remar. É como se a natureza exigisse a minha não-imersão para gardar-me do selvagerismo natural.  Sou a máscara, digo, bote que visto para todos. Todos menos você.
Temo o desencanto ao ver minha natureza, temo a vida fora do que flutua, temo afogamento mesmo que possa sobreviver sem o ar.
Logo eu, vivo comigo mesma. Comigo mesma e com você, que mesmo antes, sempre esteve dentro de mim.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A fraqueza do peito

Eu sou o reflexo das dores que criei. Meu rosto deformado, meus braços fracos, meu olhar tem desespero.
O tempo me deixa para trás, a justiça nunca se faz, pareço estar me despedindo de um lugar que nunca me pertenceu.
Eu me tornei a frustração que vivi e vivo. Em pessoa, em atos, em desvaneios inevitáveis.
Não posso mais ferir o inocente, mesmo que, inocente, eu esteja ferida. A vingança não se faz com o externo, mas da auto-punição não sei escapar.
Parece uma força que me reduz ao pó das minhas alegrias, a tontura do desnorteio. Algo muito mais poderoso me domina, querendo me levar para o seu inferno.
Desisti de retirar as pedras no caminho. Nenhuma é dolorosa quando se tem grilhões espinhados presos, apertados nas pernas.
Digo adeus ao inimigo, não procuro mais abrigo, eu mesma sou minha traidora. Que saiam todos, então!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

F= Gm1m2/r²

Eu não sei mais lidar.
Qualquer frustração me vem como o fim, como a última gota de algo que já transborda em corrente, uma catarata dos meus pequenos infernos.
Os risos que espalho nem ao menos encobrem como antes. Ninguém notava o que é público. 
Minha máscara, minha paciência e a minha esperança caindo newtoniamente no mesmo instante, por uma força maior, pela gravidade do meu passado.
Livro os pesos das minhas costas engolindo o que nunca vou digerir e cuspindo o que era doce. Nada mais me importa se não a leveza que almejo e o preço que vou pagar pela minha busca.
Só esqueço que a força que provoca a minha queda me destruirá no mesmo tempo que me destruiria com grilhões encrustados. Menos impacto, mas com dano irreparável.
Como fugir do certo? Como olhar o sol sem asas para buscá-lo?
Talvez seja por isso que procuro o seu adeus, para que, pelo menos, eu caia só.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Simples(mente)

Menino dos olhos
Arrependido do que não tem culpa
Desculpa a tristeza que te botei
Só pra te ver aos meus pés

Meninos dos olhos
Vidrado de um sorriso maravilhoso
Não tema se achando menor
Maior é, e seremos

Meninos dos olhos
Se eu pudesse te guardar em um instante
Guardaria teu olhar fixo
Mudo que me confirma todos os dias

Menino dos olhos
Que será o homem dos olhos
O pai dos olhos
Da menina que te escreve sem jeito.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Respiração

Talvez, de tanto não querer
Virei aquilo que temia
Senti o que antes nem me tocava
A fúria de um ciúme que nos corrói
A carência do carinho que já tenho

Aqueles que já não me conhecem mais
Ou eu mesma que não me conheço no espelho
Querem de volta o coração de pedra da boemia
Aquecido na sua brasa
Mas ainda de pedra

Não sei do amanhã
Já não escrevo com facilidade
Inseguranças tiram meu chão
O olhar distorcido me divide
Até quando eu não sei.


domingo, 7 de agosto de 2011

Mais um personagem efêmero da minha trama

Chico, também não sei se agora estou fora de mim ou se é o estilo de uma grande dama. Faço psicologia, mas não fujo à regra.
Poderia passar tardes e noites citandos os corações que não me suportaram ou que não viam que eu era real, mesmo em beijo seco ( -sem intenção).
O problema é que não entendem que sou inconstante, mas não bipolar. Triste, deprimida, mas não suícida. Enjoo rápido das minhas paixões, jateio com gelo e sal tudo que me agrada.
Menos dele, é claro. Dele não enjooei, e por piedade jateio de pedras e agulhas.
Uma pena ter me resgatado de bote em meio à tempestade. Não ouviu os marinheiros experientes que o alertaram do perigo da aparente calmaria.

Todos cansam da tempestade. E no bote só cabe um.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Audio Rebel

Catuaba e rock 'n roll. Tudo que eram, que queriam ser, que usam de armadura.
O baixo alto falando indecencias, as luzes sicronizadas com o som da bateria.
Se agarravam pelas paredes ou um no outro? Vivendo a certeza de uma noite digna de um sonho adolescente, tocando em rádios de bares e motéis.
Pegaram um táxi para o destino que esperavam (talvez não o que pretendiam), e se deliciaram com os espelhos que refletiam todas as sensações que os tomavam dos pés até o arrepio dos pêlos.
"Não tem mais ninguém lá em casa."
E o que era para ser um sonho de horas tornou-se um sonho de uma noite. Com prazeres que surpreendiam, com ventos que berravam, com olhares que diziam o que esperavam e não esperavam dali pra frente.
A simplicidade do frango requentado para repor energia, o frio que não atrapalhava a nudez escancarada da cena, o sono cansado e o amanhecer chuvoso, para refrescar o desejo (sem fim).
Talvez eles não soubessem ou tivessem certeza do que viria pela frente. Mesmo sabendo que queriam muito um ao outro, mesmo tentando sussurar isso com um olhar perdido, deitados na cama.
Tinham receio no olhar do "dia depois", tinham receio da paixão que desafinava a banda.
E que os tomou, completamente.

Black Cherry

Balançou o copo de uísque, lançou seu olhar matador e foi ao alvo.
Os olhos verdes e o cabelo cor de graúna só realçavam a fatalidade que ela pregava em cada gesto ou em cada vez que apertava o corselê.
Um beijo. Mais uma bebida. Música alta. Amassos no sofá do canto. "Quer ir lá pra casa?".
Sim, claro que sim. E adentrou o carro dele como se fosse o seu. Esticou os pé no porta-luvas, abriu a janela, puxou Lucky Strike, machou-o com o vermelho profundo que tinha pintado os lábios (e no drama).
A meia-luz fazia meia também o verdadeiro eu. Ali eram só corpos, corpos lentamente se deliciando do descaso de uma noite sem planos, para ele.
Seios em formas de lanças, ferindo ao toque com a pele quente. O bafo de bebida de ambos infestando a casa com amnésia. Cenário perfeito para dois pagões, dois frutos do meio do qual partiram, insensível.
Talvez os lençóis de algodão não cobrissem por inteiro, talvez a música da vizinhança acordasse o que estava desmaiado, em coma.
E foi assim toda a noite, o incerto e o pagão, o que quer esquecer e o que vai (e vem).

Mas a claridade do amanhecer desfaz a luz indireta e a torna estourada.
O brilho dos olhos já é diferente. O hálito alcoolizado torna-se insuportável. Os lençóis de deus-sabe-quantos-fios não protegem nem mais os pés.
Colocou rapidamente o corselê preto. Café requentado. Barulho dos sapatos. "Não vai me dar nem o seu telefone?".
Não, é claro que não. Bateu a porta e balançou o copo de café.

para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=6YW2G6Z2bMQ&NR=1

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tudo por mim

Quando Marina cantou no meu ouvindo que você me tem fácil demais e não parece capaz de cuidar do que possui, eu confesso: tomei aquilo como verdade por um tempo.
O problema, é claro, nunca foi nem vai ser você ou o seu jeito improvavelmente provável.
Sou eu, meu querido, que te disse para ir e você ficou. E fez assim, tudo por mim, já foi pensando que sou sua.
Meu ego foi para além do meu abismo e meu senso de proteção foi carregado junto, amarrado com um grilhão.
Faz parte da minha "selvageria" querer me preservar tanto ao ponto de ter a insana ideia de abandonar um grande amor para viver segura, na minha própria solidão.
Eu te recuso, eu te maltrato, eu finjo uma briga. Eu te testo.
Não posso falar que não gosto, mas posso dizer que é (quase que) involuntário. Eu odeio o jeito que te firo, mas amo a reafirmação que vem na sua resposta.
Não sei quando vai acabar e talvez esteja escrevendo isso num desespero do grito de "corra enquanto é tempo". E sorrindo, propondo que você peça para que eu te deixe em paz.

Mas se você disser vá, eu não vou.

Inspirado na música "Nada Por Mim", interpretada por Marina Lima, composta por Hebert Vianna e Paula Toller.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Vinho derramado

Então as crianças das pracinhas não me passam mais desapercebidas. Os casais apaixonados, aos meus olhos, são sempre menos que nós. Os vestidos brancos podem ser azuis desde que usados com você.
É estranha, sim, a certeza. Mais que a certeza, o amor.
Passei por tanto estranhos, rolei em tantas camas, valorizei tanto a mediocridade. E no final foi você, logo você, que mudou o sorriso sinistro que ocupava os buracos do meu coração, e o fez real, os preencheu.
O jeito como se espalha quando dorme, seu ronco de cansaço, o modo como sua boca não consegue fechar quando está preso em um carro. Tudo que irritaria a qualquer um (ou uma), no fim eu acho graça e penso: quero para toda a minha vida.
Nossas viagens pelo mundo, nossos filhos lindos de morrer, nossa velhice cheia de histórias para contar. Imagino muito o futuro, mas vivo o presente (tão agradável ao seu lado).
Meus dezoito-quase-dezenove anos somem. Pontes, perimetrais, avenidas, todas viram pó. Não há nada que seja demais, ou que separe, ou que nos faça deixar de ser nós.
[E, sim, eu caso.]

segunda-feira, 27 de junho de 2011

À minha beira


Fui condenada a provar do meu próprio veneno

Olho para baixo, vejo pedras em agulhas
Olho para trás, a tempestade negra
Olho para cima, não tenho asas

Talvez o choro desses violino sofrido
Me doa mais porque choro mais alto
Até dor alheia me corrompe
Não quero você, solo maldito

Me faltam forças até mesmo para me jogar
E não sei se é mais fácil
Deixar a enxurrada me levar
Ficar parada diante do caos
Esperando fazer parte dele

Recuso as mãos que me estendem
Trilho o caminho da minha amargura
Sinto o cheiro da chuva
Sento e aplaudo a minha queda

No fim estamos sós, para sempre sós.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tapa na cara

"Ah, mas isso é o que todos eles dizem!"
Sabe, eu não ligo para o que muitas pessoas falam, porém existe um seleto grupo de amigo que eu realmente ouço e tomo a maioria do que dizem como verdade.
É, sim, fingir uma pessoa que eu não sou. Quando eu estou num relacionamento me entrego, caio de cabeça, não meço meus limites. Por não medir limites, por amar livremente, às vezes me perco num labirinto de idéias de um alguém que nem eu mesma reconheço.
É real. Como eu vou explicar aos nossos filhos, aqueles que você tanto insiste que tenhamos, que papai não veio pra casa hoje porque está dormindo com outra. Não, o pior é para eles, que podem tomar isso como verdade e machucar esposas e maridos, que talvez não tenham tanta cabeça (?), paciência ou ilusão para entender tal fato.
Quando você diz que é um absurdo eu duvidar do seu amor, que eu deveria prestar a atenção nos atos. Coitado! Só piora a situação...
Várias vezes, nessa noite mesmo, eu me peguei pensando na possibilidade de ser o inverso. Será que você não teria náuseas e calafrios ao me ver nos braços de outro?
Se sua resposta for "não", reveja seus conceitos e arrume suas malas.
Eu posso não ser tão "rock 'n roll" como quando começamos. E a questão é: o que nós somos? Será que os sólos de guitarra são o que somos ou o que queremos que os outros achem que somos?
E não venha me dizer que isso não faz diferença, por que isso, mais do que nunca, tem nos gerado complicações.
Eu continuo não aguentando hipocrisias, achando que as pessoas de hoje em dia não sabem o que é um relacionamento de verdade e não dando a mínima para o que os outros falam. Mas o respeito, meu querido, o respeito sempre cairá em cima de tudo isso.
Não foi só o meu ciúme, foi a humilhação. Meus conhecidos (primeiro meus, depois nossos) me olhando com pena, perguntando o que eu ia fazer. Eu não me passei por liberal, cabeça-boa. Eu me passei por trouxa, submissa, idiota.
Isso eu não admito.
Eu podeira ter feito um escândalo, mas não sou assim. Eu poderia ter te dado um tapa na cara, mas prefiro dá-lo desse jeito. Eu podeira ter dado o troco, mas não tenho dezoito anos. Finalmente, eu poderia não ter feito nada, e o fiz.
Querido, não pretendo mudá-lo, porque quem ama, aceita. Mas antes preciso saber, não quem você é, pois isso pra mim já é óbvio, mas quem você quer ser.

E por hoje chega...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A mais errada ainda (II)

"O que foi dessa vez? Já é tarde..."
"Eu fiz o que você me falou..."
"E eu com isso?"
"Como assim "e eu com isso"? Eu fiz o que você me falou e deu errado!"
"Nunca te falei que daria certo, falei?"
"Você me questionou..."
"Não, VOCÊ se questionou!"
"Tanto faz..."
"Tanto faz uma ova! Você só fez aquilo porque você já estava completamente comprometida..."
"Comprometida em que sentido?"
"No negativo, no positivo... Você sabe."
"Eu poderia ter evitado, poderia não ter afundado, poderia não ter me---"
"Shhhhh... Você já estava!"
"E agora, o que eu faço?"
"Eu não posso fazer nada. Só jogo com verdades, não com soluções."
"Então me fala uma verdade que sirva de solução!'
"Que você tem medo? Que você está louca pra fugir do que sente? Que o silêncio dele te doeu  e te dói tanto que você está a essa hora da madrugada perguntando, logo a mim, o que fazer?"
"Não me deu solução alguma..."
"Não, tola, você que não se deu..."

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Comentário

Você pensa que eu não sei
Do amor mal falado
Das hipóteses que gera
Do teu desejo de se testar
Mesmo que goste de mim
E não da qualquer

Você pensa que eu não sei
Do fogo esfriando
Da sua dúvida sobre mim
Do que você esconde
Falando o oposto
Exagerando no que não quer

Não faz de maldade
Se prendeu em um labirinto
De um você que não via
Não sabe olhar pro lado
Pelos próprios questionamentos
Que te aprisionam

Eu disse
Continuo porque quero
Sabendo de tudo
Te sentindo
Talvez me machucando
Mas não importa.

Não é um anjo, ainda bem

O problema é que eu te deduzo demais.
Eu sei da dúvida nos seus olhos, do dilema que puxa seus cabelos pela raíz. Eu sei, querido, que você fala o que não sente e sente o que não fala.
E eu pensei que tinha máscaras? Creio que as suas te tocam tanto que te impedem até de se auto conhecer.
Você não é o que era, mas insiste em manter as notas de um perfume envelhecido. Não, não é vaidade. É insegurança.
Talvez não veja que o que me atraí é o floral que se espalha quando você passa devagar. Talvez não ache tão especial e o cobre de amadeirados másculos para amenizar, quase ocultar, a essência real.
Amor meu, você que não existe, você quem eu tenho que agradecer, você que é lindo. E não falo do seus olhos misteriosamente amendoados.
Inseguro mas atrevido, não? Tocar em partes que poucos tocaram, e em outras que ninguém ao menos ousou. Me atravessa sem pudores, nada em meus rios sem tocar nas margens. E ainda tem a petulância, A PETULÂNCIA, de invadir o único espaço que me resta, de bater tantas teclas.
Eu queria poder ter a sua certeza, talvez o seu recíproco. O problema é que eu te deduzo demais, então eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mais do teu

Acredito que o amor não se constrói. Afinal, as rosas não se formam de pétala em pétala...
O amor se cuida, faz florecer, dá seus frutos, espalha o seu perfume.
As palavras que saíram, o silêncio que agora dói, a vida nos dando voltas, golpes. As coisas mudam, e dessa vez é pra melhor.
Se trilhamos o caminho inverso, se nos ferimos na roca antes de sermos acordados pelo romance, isso já não importa mais.
Me importo, sim, com o teu lugar, ao meu lado, olhando nos olhos (sim, nos olhos), aprendendo a traduzi-los com minhas apreensivas e pontudas palavras.
Diga(-am) todas as insanidades que quiser(-em), do que saí eu, tola, aprecio de tudo. O riso enigmático, o abraço que aproxima, o carinho inocente ou vulgar, o teu zumbindo de sono merecido.
É, tanto tempo que não andava por essa mata, que já não a conheço mais. Claro, quero redescobri-la com você.

Porque te amo, e prefiro lírios.
http://www.youtube.com/watch?v=pAI9qn1xeAw

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A bomba

A questão é, querido, eu me importo.
Não com beijos casuais de outras moças, não com deixá-lo solto por aí. Me importo, sim, com aquilo que se passa dentro de mim.
Já vi esse filme, já mastiguei minha boemia, já degustei do bom descaso.
Não preciso ter sentimento de posse por ninguém. Alias, não preciso nem quero. Porém, cogito algo além do que a carne somente me sussurra, talvez um pouco do teu sentimento não me faria mal.
Chego a um ponto que me infartei do que foi trocado à meia-luz, querendo mais. E não só para mim, mas para mim.
Do que vale tantas entrelinhas se não consigo decifrá-las sem a claridade? Do que vale tanto riso se não consigo ter a certeza da razão?
Sou, sim, apegada às palavras e é um erro teu achar que me contento com hipóteses. Principalmente as que elaboro sobre você, tão confusas quanto vagas.

E se assim não for, a questão é...

domingo, 22 de maio de 2011

Canção exagerada


 Não esperam nada de mim pois usufruo do meu lado mais descompromissado, de um falso riso de satisfação interna, de um olhar boêmio e promíscuo. É tão mais cômodo não ter fraquezas e fingir.
É a vantagem de ter duas caras, poder utilizá-las quando é mais fácil. Mas, querido, para te falar a verdade, meu conflito está começando a me tirar a paz.
Temo meu outro lado, temo a irracionalidade que implica. O medo de me envolver, de olhar nos olhos, de me perder. Ainda mais sabendo que, ah, não me quer para nada.
É um gasto de tempo, dizem. Então por que insisto?
Melhor, quem de mim insiste?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Na borda da folha

Abre aspas.
Você percebe, será? O meu sorriso tímido não querendo se mostrar por medo da queda, meu muros se esfarelando em frases trocadas rapidamente, minhas palavras omitidas em fonte branca. Será que me lê mesmo?
Se me lê, será que me deduz? Será que me viu espalhar o corpo pela cama enquanto você espalhava água pelo seu?
Que medo! Não quero ser deduzida, não quero que me leiam, não quero que saiba das minhas fraquezas. Você não pode saber que sei sentir, não pode saber que troco "se" por "quando", não pode saber que, para mim, você deixou de ser objeto há tempos. Não vou me expor, não devo, não posso me entregar.

Meu Deus, já me entreguei....

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A melodia errada

"É ridículo, Julieta..."
"O que é ridículo?"
"Você ter tanto medo de se entregar assim."
"Eu não tenho, eu só estou em outr---"
"Outra fase? Não. Você acha que engana a quem?"
"Eu tenho certeza que não me engano."
"Eu sei, mas a sua vontade de enganar os outros é tão grande que até você dúvida do que é.Você sabe que não é mistério, você sabe que é medo..."
"Não sei..."
"E quando os copos acabarem? E quando você estiver tão perdida dentro dessa máscara a ponto de não achar ninguém pra voltar?"
"Eu preciso disso? Alguém pra voltar?"
"Bem mais do que você pensa. Até quando você acha que esses seus pulos vão segurar o seu vazio?"
"Que vazio? Não sinto vazios."
"Você sabe do que eu estou falando..."
"Preferia não saber..."
"Não, é diferente, você preferia não ligar. Você preferia não criar expectativas, mesmo com aqueles que sabe que não te darão nada em troca."
"Por que jogar isso tudo na minha cara agora?"
"Porque estamos sozinhos."
"Não me importa, não quero te ouvir. Hoje não..."
"Você sempre me ouve, mas tenta me apagar, tenta se apagar."
"Isso não é da sua conta!"
"Sempre é, você sabe que sempre é. E não é isso que você vai fazer hoje? Pegar aquele copo para ficar ausente?"
"E qual o problema?"
"O problema é que uma hora você não vai conseguir mais me esconder..."

A melodia errada é me desfazer do meu mistério e ouvir quem eu sou de verdade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Resposta

Eu prefiro não cantar, não arriscar a melodia errada, a composição exagerada. Eu assovio minhas idéias para não parecerem tão diretas, e não seria eu se não o fizesse.
Suas notas me confundem, seu tom me enloquece. Que medo de ouvir errado!
Talvez seja essa tua presença, o fogo que acendeu em mim. Minhas pernas que tremeram, meu ar foi que embora. Te culpo, felizmente.
E quando você surge, em mente ou matéria, que vontade de consumir teus lábios, arranhar tuas costas, respirar no teu ouvido, matar o meu desejo. Não há intruso que me assombre ou sanidade que me possua. É só você.
Uma pena não ter tantas metáforas inventadas para descrever aquela noite, já que toda vez que releio teu conto abano a cabeça, aperto os olhos e penso o quanto te queria aqui, agora, ao meu lado.
Que se explodam minhas ideologias, se você as contrariar. Que se deteoriore minha liberdade, se me escravizar no teu corpo. Eu não ligo nem nego minhas vontades.
Ah, e ainda por dizer, te virá a ilusão se não se sentir desafiado quando me pede e respondo: não cantarei longe.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

As malas

Pai, me vê a mala grande
Talvez eu não volte mais
Talvez tenha sido demais

Não, se eu voltar vai ser pra buscar o resto
Não será na hora que você está
Não será por mais de alguns minutos

Pai, por favor, não me deixa
Preciso de colo, ainda
Preciso saber que ainda estará ali

Só não sei mais o que será
Mas, pai, tenho que ir embora
Eu preciso descansar...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mais que aquelas

No dia que me quiseres
Seja na carne
Ou em palavra
Me procure como de costume
Como quem tem prato garantido
Até nas vezes que se vê sem fome
Para tê-lo por perto mesmo sem desejar

No dia que me quiseres
Eu sei, não me exibirás como prêmio
Talvez, sim, uma derrota pessoal
De ter retorcido tanto as mágoas
Do erro dessa herege que te fala
Mas que um a qualquer dia
Te encantaria da forma que precisa

No dia que me quiseres
Te despeça devagar
Já que me apego
À poeira de uma paixão
Às migalhas de uma reciprocidade
Que existe na minha mente
Pois só isso ela pensa
Por maior que seja meu erro.

sábado, 30 de abril de 2011

Fogo Paulista

Apago com o que arde
Desce em minha garganta
Queima em minha alma
As decepções de um mundo inválido

Não existem mais saídas
Não existem soluções
E me vem com mais problemas
Mais tropeços
Mais ingratidão

Você me culpa
Por estar louca assim
Por um copo de desapego
Por um gole rápido de esquecimento

Mas eu desafio
Com lágrimas de cana
Os que não me creditam valor
A aturar a dor
De serem vocês mesmos
Vivendo o que vivo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Além da matriz

Busco em ilusões passageiras
Em copos cheios
Em cigarros queimados
Uma razão senão o amor

De amor já vivi
Faleci
Renasci
Criei
Não o quero mais

Se me fala que estou entregue
À boemia de um
Ao descaso de outro
Não hei de ligar

Há mais forte em mim
Mais que abraços calorosos
Promessas ditas
Compromissos adiados
A breve razão do inédito

Seja bem-vinda essa morte que
Carinhosamente
Chamo de vida.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vendo

Vendo memórias do meu passado
Amores mal revolvidos
Rejeições
Dilemas

Vendo as feridas
A espera
A angústia
O silêncio

Vendo a arrogância de uns
Vida e morte de outros
A cegueira daqueles
A ignorância desses

Vendo
Troco
Dou
Mas me apego.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tudo que ela te diria (PARTE II)

 (clique aqui para ler a primeira parte)

- Eu não sei o que te dizer...
- Não é verdade. Você sabe, só não quer dizer porque não sabe como.
- Talvez seja isso, mas agora, sinceramente, eu não sei o que te dizer...
Ela olhou fixamente nos olhos dele e segurou suas mãos.
- Sabe, eu te devo muito mais do que você me deve. Você, na verdade, não me deve nada---
- Devo, sim.
- Não, não faz isso! Me deixa continuar o que eu tenho pra dizer, por favor.
- Tudo bem...
- E por você não me dever nada, talvez não seja justo fazer todas as exigências que eu fiz até agora. Sabe, você mudou a minha vida! Acho que isso que te deixou tão forte dentro de mim. Todos os meus gostos, os meus jeitos, as minhas idéias... Eu tava muito mais perdida do que você imagina. Talvez se você não tivesse passado pela minha vida, mesmo que causando esse tumulto todo, eu não seria um terço do que eu sou hoje. Eu agradeço, de verdade! Eu, pela primeira vez, gosto de quem eu sou e não preciso mudar nada para agradar ou chocar ninguém. Então, só por isso, não por quem eu fui pra você, mas por quem você foi pra mim, eu quero te pedir, por favor, seja claro comigo. Mesmo que a verdade possa ser muito mais dura do que eu imagino que seja, mesmo que isso tudo possa ser um caminho sem volta...
- É um caminho sem volta, moça...
- Então me fala, eu não tenho mais medo de perder o que eu nunca consegui. Eu queria, mas agora não prezo por mais nada além de mim nessa história. Quero acabar com isso, com qualquer tipo de dúvida... Eu cansei, eu não aguento mais!
- Sabe, mesmo você me falando tudo isso, eu continuo prezando o que a gente teve, continuo achando que você foi, sim, uma pessoa que me ajudou muito. E eu respeito essa sua vontade, eu não entendo, mas vou tentar entender porque gosto muito de você...
- Então é minha vez de pedir pra você falar nos meus olhos.
- Claro.
Ele sorriu levemente, apertou ainda mais as mãos suadas dela, suspirou...
- Vamos lá... No começo, bem quando eu notei que algo a mais poderia estar acontecendo, eu não sabia mesmo o que fazer. Eu gostava muito de conversar com você, a gente passava noites fazendo isso e eu não queria que acabasse. Eu acho que preciva ter certeza do que estava acontecendo antes de colocar tudo a perder. Eu vou repetir: você era muito importante! Minha vida também estava muito louca na época, você sabe, e eu não queria perder essa amizade. Então eu não falava nada, muito menos dava passos.
- Entendi, então---
- Espera, agora eu que quero terminar. Para de ser tão ansiosa! E para também de achar que sabe o que eu penso!
- Tudo bem.
- Eu não sabia o que queria. Eu estava cheio de problemas, dúvidas... Foi quando a decisão de me afastar de você pareceu ainda mais lógica. Eu errei, devia ter conversado com você, não devia ter feito isso da forma que eu fiz.
- Não devia, não devia mesmo...
- Não pensa que eu não me sinto culpado por isso. Acho que você tá desde o começo da conversa agindo como se você fosse a única que tivesse sentimentos... Você quer tanto conversar comigo, mas não me deixa falar nada!
- É que eu não me não tinha imaginado assim...
- Como?
- Eu não tinha imaginado as suas respostas, só as minhas falas. - riu para disfarçar a sua angústia
- Posso continuar, boba?
- Deve...
- Depois desse tempo todo, depois da conversa que a gente teve, eu pensei que tudo tinha acabado. Por isso que eu escapei disso tudo, eu fiquei assustado, eu não tinha certeza de nada...
- Por favor, diz logo...
- Moça...
Ele segurou o rosto dela.
- Fala.
- Isso tudo foi só uma ilusão.

sábado, 22 de janeiro de 2011

E de repente se foi. Tão rápido quanto começou.
A minha inspiração.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Intitulado

Por dizer
Acho que não quero mais
Talvez te deseje como lembrança
Pois a concretização me tiraria o amor
O controle me tiraria a paixão

Então, fique como está
Sendo ilusão
Sendo desejável
Sendo miragem
Mas nunca sendo real
Para não acabar o dilema
Ou a inspiração

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tudo que ela te diria

em homenagem e a pedido de uma amiga.

Já não sabia mais se usava vestido, se enchia os situãs para parecer mais madura. Na verdade, ela não sabia se o queria mais ou se só queria falar.
Fechou a boca, vestiu o que tinha, pegou o ônibus.
Ao ver, sem surpresa, o coração disparado, a vergonha vinha desde o leve formigamento da boca, até os pés perdidos nas sandálias.
- Você está diferente. - ele riu.
- Deve ser a vergonha...
- Definitivamente, não é.
Mais uma frase que ela não entendia e um silêncio por alguns segundos.
- Sabe, isso deve ser rápido. Eu não vou enrolar, quero dizer logo, mesmo que eu já tenha feito você entender.
- Eu não entendi muito bem, não, viu?
- Qual parte você não entendeu?
- A parte que se refere ao que você quer comigo.
- Do que eu quero com você? Eu sei que você é um cara inteligente...
- Não sou muito, não...
- Mas sabe o que eu quero. Isso você sabe, é certo.
- Então me diz logo.
Se recompôs, olhou para as pedras portuguesas, pensou nelas como os olhos dele.
- Sabe, essa história toda atrapalha minha vida. Eu quero resolver, quero muito. Eu não consigo mais fazer nada, por isso achei que falar com você, cara a cara, seria a melhor forma de resolver isso.
- Você sabe que eu sou muito tranquilo com essas coisas...
- É, é sim. Deve ser por isso que você fugiu o máximo que podia disso tudo.
- Você sabe que eu sou meio complicado, minha vida tá uma confusão.
- Que não deve ser maior do que a você me causou. Eu queria só saber o por que, não tem explicação. Sabe, a gente nem se fala mais direito...
- Sinceramente, isso que eu não entendo também.
- Eu quero acabar logo com isso. Quero muito pensar em você como esse amigo que você diz ser.
- Fala com as palavras certas o que você sente, por favor.
- As palavras certas? É, eu não tenho o que perder...
- Nos meus olhos, se puder.
Ela ficou sem escapatória. Mesmo com medo da ilusão que aquele olhar a causava, respirou fundo e pensou naquilo como a última e única oportunidade.
- Eu gosto de você! Alias, gosto não, eu sou totalmente apaixonada por você. Eu nunca senti isso por ninguém, é o que me enlouquece! As palavras somem, meu coração dispara. Eu só penso em você, droga!
- E o que você espera de mim... Você me conhece e---
- Não espero nada! - interrompeu- Não quero nada! Eu só quero falar. Eu já perdi essa ilusão. Eu não posso ser tão infantil a esse ponto.
- Você não é infantil, é sério. Você é uma moça legal, inteligente---
- Mas nada que você pudesse querer. Quer dizer, isso tudo é uma grande maluquisse!
- Não é não, te juro. Eu entendo...
- Ah! Por que você sempre entende? Por que você sempre tem que ser tão legal? Por que você some depois? E não é só sumir, você sempre deixa algo no ar, sempre tenho dúvidas em relação a você. Aquilo tudo que passou, às vezes me fazia pensar...
- Pensar no que?
- Pensar que você pudesse sentir um milésimo do que eu sentia. Alias, você sempre soube o que eu sentia!
- Eu não sabia muito o que fazer, fiquei confuso.
- E eu falando um bando de besteiras, pensando que escondia algo de alguém...
- Eu devia ter conversado com você, tem razão.
- Nem sei se devia...
- Sabe, você está diferente. De verdade.
- Você já disse isso mas, como sempre, eu não sei o que você quis dizer. - riu.
- Você está mais espontânea, não sei direito.
- Já falei que não tenho nada a perder? Eu desisti de tentar te encantar.
- Boba.
- Boba nada, sou muito esperta. Sabe o que é mais confuso disso tudo? Mesmo estando totalmente apaixonada por você, eu queria que você fosse feliz, então torcia até pra aquela sua ex. Ela podia ser o que fosse ao meu ver, mas eu sabia que você gostava dela, por isso eu fazia de tudo pra você tentar entender o lado que não era seu. Perder pra ela era totalmente suportável.
- Nossa, ninguém nunca me falou uma coisa dessas...
- Eu sei, mas isso não me impedia de detestar essa situação com todas as minhas forças, tá?
- Você é doidinha, mas de alguma forma eu gostei de ouvir isso...
- Então, já que eu cheguei ao ponto que não tenho mas nada pra poupar, melhor perguntar de vez. Eu não quero que você pense nisso como qualquer tipo de ilusão de reciprocidade da sua parte, só quero saber, sinceramente.
- Diga...
- E você? Alguma vez, alguma hora, será que você sentiu alguma coisas por mim, qualquer coisinha que seja?

(Continua...)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Doce dezembro

Sonhar é muito bonito.
Todo poeta tem um sonho e dele se alimenta, aluscina, entristece, sublima. Não importam as situações, a vida à sua volta, sem um sonho, nada parece seguir um rumo.
Nisso, de tanto escrever sobre mimetizações, de tanto cansar a gramática com inversões sintáticas ou reais, paramos de notar o mundo.Viver de poesia seria um melodrama ideal, principalmente viver das frustradas, remoendo passados só para ter o gosto do sombrio.
Mas hoje descobri, que muito além da ficção, muito mais que as velhas histórias de Marina, Julieta e quem for, nada se sustenta, e nada nunca será perfeito sem o olhar para o lado.
Descobri, de uma vez por todas, agora e para sempre, que meu príncipe encantado pode ser bobo, não apreciar Doce Novembro e falar asneiras em quase todo o tempo mas, pelo menos, ele existe. E eu, sem antes saber talvez, o amo mais do que posso.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Metalinguagem

Para falar do amor que sinto, é preciso muito desejo e sair do silêncio.
O que é lógico só para mim precisa ser para você também. Então, é necessário colocar na descrição muito mais que algo sobre um vazio criativo, que me faz querer alguma coisa mais feliz.
É necessária mudança, mesmo que de idéias soltas, mesmo que só de sua essência. Não se deve fazer do hoje, somente mais um dia, ou disso, somente mais um desabafo. Se assim, na falta, espararei a resposta do que não virá, mesmo em regressão momentânea.
Não dá pra mudar o que ficou, mas ainda tenho como mudar o fim.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Escrever é como gritar para o mundo esperando que ele só tenha uma pessoa.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Do amor que sinto

Hoje descobri que amo, acho que pela primeira vez, pela última vez. Precisei de um tempo para aceitar, bem mais que o necessário. Eu não admitiria isso tão facíl.
Amar? Para mim precisaria de tempo, de circunstâncias, de razão. Não tive o tempo, nem circunstâncias, muito menos alguma razão. Contradisse todas as minhas teorias, a minha racionalidade, a lógica das coisas.
Antes me parecia uma paixão, daquelas bem fortes, de tirar o sono, mas tinha certeza de ser passageira. Pois o tempo passou e tudo continuou exatamente igual. Me desesperei por alguns meses, me questionava todos os dias, pensei estar enlouquecendo.
Eu vi minha vida parada, com tudo em volta em correria, vivendo de pequeninhas coisas do passado, fazendo dele o meu presente. Talvez fosse o modo que eu encontrei para terminar isso: pensar tanto, tanto, tanto até que perdesse a graça.
Não perdeu.
Hoje, eu me conformo com essa fraqueza. Ás vezes até volto a buscar as migalhas do passado, mas não vivo mais disso. Prefiro te ver sorrir, tendo-te ou não, prefiro observar de perto ou de longe. Só isso me dá certeza do amor,  me traz um pouco de paz, e uma felicidade talvez. Sim, mesmo sendo irracional.

silêncio.

De alguma maneira inspirado no filme "Doce Novembro"

domingo, 31 de outubro de 2010

O que ficou

A nossa canção morreu em grito mudo. Não era de amor, dor, mas era circunstância.
Você foi e, dentro de suas malas bagunçadas, me levou e prendeu, prendeu com tudo que ia para Boston. Desde de então não sou porque não vivo aqui, nesse lugar que sem você parece sem sentido.
As portas que não batem mais, a tampa do vaso sempre abaixada, a água sempre na geladeira. Até os vizinhos, cruéis sem saber, perguntam ao porteiro se nos mudamos, pois não ouvem mais os mesmos gritos. Mas foi você, não é? Você que se foi.
Olho pela janela, tudo fora parece igual. E, de fato, da porta pra lá é bem mais facíl.
Mas na estante a madeira é nova onde você colocava os livros, e deixou apenas um: "Senhora". Parece proposital.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Rascunho de sexta

O problema é amar-te
Tanto, que ao maior pranto
Te vejo do amante ao amigo
Que mesmo em mundo deseludido
Te peço como única esperança

E se amar-te não me passasse
Seria, de certo
Terra seca, lagoa salgada
Tempo perdido
Ou seria sem ser

Por isso, peço-te
Que mesmo de futuro incerto
Sustente aquilo que nos mantém
Vindo de quedas ou sublimações
Mas que sempre
O seja amando

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Confissão de quarta.

Tenho o direito de falar de saudade, mas não suas e, sim, daquele que sabia quem era.
Se hoje você passa por mim e nem fala, olha, sente, é porque não sou mais conveniente, e tenho certo. Não há motivos para ter minha atenção em calmarias, é diferente do passado.
Não vou fingir que também não sei que você preferiu acreditar em desconhecidos ao olhar nos meus olhos e perguntar o que havia acontecido. Você diz se arrepender, mas no fundo continua se distanciando como se aquilo ainda fosse verdade absoluta. Não importa, não importou o que eu disse. Ou será que também é conveniente?
Hoje você é todo esse projeto do amigo de ontem. Você se diz igual, mas eu, eu tenho uma teoria, e me vê ainda como uma lunática mas esquecesse que sou igual a você.
Então continue fugindo, querido amigo. Derrepente se fez uma irônia e, penso, sou muito maior que você.

sábado, 16 de outubro de 2010

De cima para baixo

Comigo.
Às vezes o grito é a inseguraça.
Às vezes preciso gritar para acreditar no amor.

Poeminha Matutino

Preciso dizer
Que amo
Demonstrar
Que quero
Mas o pesadelo
Me segue
Como se passado fosse
Como se sonho anulasse

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

É (quase) como se a minha inspiração tivesse sido enterrada contigo,
Dessa terra nada saí, do ciumento nada vaza, do silêncio nada fica.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Poesia visual


















Rosa Cardoso Corrêa.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Remói em mim
O sentimento mais triste
Se ao vê-la partir,
Assim, aos pouquinhos
Já dói um bucado
Imagina quando partires
Sem me deixar ensinado
Ao menos metade do que viveu
Se para ti a vida é passageira
Para mim nunca se tornará passagem
Nem os sorrisos, nem as tristezas
Que vivi, mesmo que tão pouco,
Ao seu lado
Por isso deixo aqui
Em perdidas palavras
O amor que tenho por você, vó
A minha admiração
E o seu imortal legado.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Desistência

Esqueça o que eu te falei
O esforço que fiz
A vontade de tê-lo aqui
A saudade

Esqueça o que foi
Se pra você não foi
Esqueça, simplesmente esqueça
A nossa amizade

Esqueça
Pois queria ter dito
Que de tudo,
Algo adiantou

Esqueça
Esqueça
Esqueça
Esqueça
Esqueça
de mim.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A volta de Julieta (Parte 2)

Enquanto ele ia para a cozinha pegar todos os elementos possíveis para uma boa ressaca no dia seguinte, reparei numa estante cheia de cd's antigos.
"Los Hermanos, Lô Borges, Raimundos..."
"Escolhe algum e coloca no som de cima, só tem que fechar a tampa bem forte!"- berrava da cozinha.
"Nossa, Nenhum de Nós... esse aqui era meu!"
"Se você quer saber, não foi a única coisa que você deixou aqui."
"Pode parar de gracinhas, nem foi tanta coisa assim... Tem que fechar a tampa forte, então?"
Lembro exatamente a razão da compra daquele disco. Foi  numa das nossas primeiras conversas, quando a gente ainda saía sem compromisso algum. Eu não gostava de Nenhum de Nós, mas queria tanto entender o que passava pela mente daquele rapaz tão interessante que comecei a ouvir e acabei comprando para me fazer de entendida. O pior? Gostei tanto que sei todas as letras até hoje.
Acústico Ao Vivo, volume dois, faixa três. Tão adepto ao momento! Nenhum de Nós, sempre tão adepto à nossa tumultuada história...
"Por que você não disse que viria, logo agora que eu tinha me curado das feridas que você abriu quando se foi..."- cantarolou da cozinha
"Pensei que eu era a única que lembrava das letras!"
"Não é só porque tava no fundo da prateleira que eu deixei de ouvir. Além do mais, você sempre gostou dessa música."
"Eu era muito diferente, né?"
"Se tivesse mudado tanto assim não botaria na mesma faixa."
"Eu era muito imatura..."
"Nunca achei."
"Você talvez seja uma das pessoas que tenha mais o direito de me chamar do que quiser..."
"Ju, o que aconteceu foi fato isolado, sempre tive certeza disso, por isso que nunca te culpei de nada, nem nunca perdi a admiração por você. É claro que demorou um tempo para eu me ajustar, mas eu entendo tudo que você fez, mesmo."
"Você fala como se não fosse nada! Eu pensei que você nunca fosse me perdoar, até porque eu não merecia ser perdoada."
"Isso já foi há tanto tempo. Além do mais, não te telefonei para tirar satisfações sobre o que aconteceu entre você e o Luíz, eu queria só relembrar os velhos tempos, conversar, beber... Não precisamos falar mais disso, Julieta."
"Está certo."
Não podia esconder mais a minha curiosidade. Esse negócio todo de relembrar os velhos tempos era muito vago. Ninguém corre tanto atrás de uma "saidinha" assim, boba. Mais uma vez todos os atos dele me confundiam. Rompi o silêncio...
"Por quê você me ligou?"
"Já falei! Queria te ver..."
"Não é isso, não pode ser!"
"Por quê não pode ser?"
"Você sempre foi assim, sempre deixou alguma coisa ou outra nas entrelinhas, nunca falava nada por inteiro. Ainda pouco você me falou várias coisas que me fizeram entender  que o que você queria não era só me ver, conversar, fingir que somos bons amigos e só. Essa separação já deixou minha cabeça na lua, não é justo você criar mais confusão!"
"Eu não quero isso, juro. Eu também estou muito confuso."
"Confuso com o que? Isso que eu quero saber!"
'Eu vivo lembrando de você, não sei, não tenho explicação. Então eu resolvi te procurar por todos os meios possíveis pra ver se tudo aquilo que eu senti era só pela sua memória ou por quem você é hoje..."
"E o que você viu?"
"Já disse, você não mudou tanto assim..."
Então era isso que eu queria ouvir, mas agora eu não sabia o que responder. Todo aquele discurso parecia sempre tão ensaiado na minha cabeça,então o momento me deixou sem palavras. Eu não queria correr mais um risco, machucá-lo denovo. Eu me conhecia o suficiente para saber que aquilo nunca iria dar certo, não é?
"Acho que a gente poderia tentar denovo..."
"Quer mesmo, Ju?"
"Você não?"
"É claro! Mas você não quer nem pensar mais?"
Minha inpulsividade não permitiria que eu pensasse mais um minuto. Era como se aquela nova paixão pudesse curar toda a minha vida, pudesse dar razão a ela. Mais uma vez eu sabia o que ocorria comigo, sabia onde eu estava me metendo, e não fiz nada para impedir. Absolutamente nada.

CONTINUA.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A volta de Julieta (Parte 1)

Essa história seria uma "quarta parte" do Conto de Julieta . Nunca fiquei totalmente satisfeita com o final que dei para essa personagem, por isso decidi dar uma nova chance à imaginação e torná-la mais coerente. Aí vai! Espero que gostem...

Recebi o telefonema e não sabia se ficava mais surpresa pelo fato dele lembrar de mim ou de ter conseguido o meu telefone depois de mudá-lo umas 12 vezes. Talvez eu me precipitei em aceitar o convite dele para sair, mas o que está feito, está feito. Depois de uma separação tão traumática eu precisava relaxar, mesmo que isso me trouxesse à tona todo um passado.
Cheguei mais cedo que ele, como sempre. Tudo continuava igual naquele bar, o mesmo ladrilho branco, a mesma mesa manca, o mesmo banheiro mau-cheiroso... Fazia tempo que eu não me sentia tão confortável, foi como voltar à minha juventude que, depois do casamento fracassado, me parecia muito distante.
Por um joguete do destino, ele também não tinha mudado nada. A barba continuava por fazer, a camisa ainda desbotada de alvejante (coisa que ele nunca aprendeu a usar), e juro, até mesmo a calça era igualmente larga e gasta. Enquanto ele andava em minha direção um filme todo passara na minha cabeça.
Sorriu ao me ver e sentou-se bem ao meu lado, isso mesmo, ao meu lado em uma mesa para dois. Me assustei e logo ele se justificou: "Ainda tem um buraco no meu lugar.". Não faria mal então, certo?
Ao contrário do que as roupas diziam, ele contava que estava empregado há cinco anos, ganhando muito bem e que agora morava sozinho, num apartamento que ele alugava enquanto juntava dinheiro para comprar o seu.
"E você, que fim levou?"
"Voltei há alguns meses para o apartamento do meu avô."
"Sempre gostei de lá."
"Eu não", ri para disfarçar minha vergonha e, embaraçado,ele mudou o assunto para um pior ainda.
"Você casou, né? Um tal de Thiago, eu soube. Como está tudo?"
"Não está. Me separei, ele foi para Portugal."
Claro que não cabia falar que ele havia me traído com a gerente do restaurante dele, minha melhor amiga por acaso, e que não cogitou ao receber o convite para Portugal com ela, abrir uma filial do restaurante que eu ajudei a construir. Fazer o quê? Devia ser vingança da vida.
A conversa mudou ainda mais rápido que a anterior e fluíu até o bar esvaziar e nos sentirmos envergonhados o suficiente para pedir a conta e procurar outro lugar. Surpresa ou não, esse outro lugar seria a casa dele.
Aceitei por aquilo não estar fazendo sentido algum desde de a hora que ele me telefonou e nenhuma atitude que eu tomasse naquele momento mudaria o teor da noite.
Cheguei e sentei no sofá vermelho, o mesmo que eu havia tingido por achar que o azul-celeste doia meus olhos, e abrimos mais umas seis latas de cerveja.
"Você está mais resistênte.", riu.
"Deve ser por que eu nunca bebi com tanta frequência."
"Buscando afogar as mágoas na bebida, Ju?"
"Pelo visto você também, né?"
"É que faz tempo que não acho alguma coisa melhor que cerveja."
"E alguém melhor, você achou?"
"Desde você? Ninguém que valesse a pena..."
O silêncio invadiu a sala. Não podia deixar assim, o silêncio sempre foi perigoso para mim.
"Como te chamam agora?"
"Só de Felipe mesmo,e no trabalho é sr. Campos."
"Sr. Campos, é? Bate até estranho no ouvido!", briquei.
"Também não é assim, sra. Lins."
"Isso, só Lins mesmo..."
"Mais uma? Ainda têm várias na geladeira."
O silêncio se desfez, para a minha sorte, mas os olhares continuavam perigosos...

CONTINUA.

domingo, 8 de agosto de 2010

Ano de burocracia, não há tempo para esse papel.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ciúme literário

Há questionamentos em sua cabeça
Pois assustam as minhas palavras
Reinventam uma realidade
Que passa por ti

Parecem insuficientes
Os sinas das nuvens
As ventanias que nos alarmam
Que temos o verdadeiro amor

Não confunda, querido
O que aqui é colocado
Para imaginar que do passado
Resta mais que a memória

Apenas seja fiel
As palavras que lhe digo
Hão de ser seu consolo
Toda vez que enciumado me lê

Você diz não gostar
Não admitir o que fora
As estradas que percorri
Ou os encantos que tive

Não venho aqui repreendê-lo
Pois em sua situação
É incerto que agiria diferente
Tendo que somos tão semelhantes

Mas talvez possa ver
O quando é besteira sua
Lendo as letras
Que iniciam o terceiro verso
De cada estrofe deste poema.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dedicado a um amigo leitor

Não é mais um texto de amor, eu digo. Existe em mim algo que no ser humano resplandece ainda mais que os velhos coxixos das paixões de Marina, Julieta, quem for.
Não medirei palavras ao descrever o que explode em minha mente, a mistura de um alívio em saber que tenho-te agora sob a vista da qual nunca tinha de ter desviado. Não há poesia no que não há chama? Veremos.
Tento aqui colocar o mesmo nome que tanto escrevi com canetas de fogo em papel de seda, valioso, a ser conservado.
Deve ser uma decepção ás minhas palavras tristes poder chamá-lo de amigo então, mas a mim não importa o que pensam essas damas, elas não foram convidadas para essa festa. Aqui, nessas linhas, elas não são bem-vindas.
Estranho te rabiscar em fundo tão claro, que nem minhas palavras parecem, mas agora serão...
Enfim eu soube, enfim você soube. Enfim está tudo bem com as cinco letras, em meu pensamento elas voltarão ao seu lugar original, onde são tão queridas quanto, de onde elas nunca deveriam ter saído.

sábado, 24 de julho de 2010

Cinzas

Deve ter algum motivo, algo muito forte, que não faz com que eu te esqueça.
Não deve ser mais o seu olhar, não deve ser mais o jeito que você cuidou e falava comigo. Deve ser algo que eu ainda não subtraí, que ficou entranhado no nosso amor entrelinhas, talvez seja.
Não ouço mais a sua voz, não te vejo, mas como ficou intacto todo aquele calor, aquela necessidade de te ter a cada segundo, o sorriso que me vem assim que um ar qualquer faz lembrar você.
Não existe explicação desse rompimento de algo que parecia tão certo, predestinado. Um dia você sumiu, e  fico buscando o porquê.
Então hoje, reli suas últimas cartas, tentando achar a palavra que te colocou para um outro caminho, a vírgula que me dissesse que tudo aquilo que você me falava não era amor, nunca foi.
Seria fantasia minha? Seriam aquelas juras, aquelas palavras, todas em vão, todas querendo dizer algo menos do que eu sentia?
Foi o fim, mesmo que não concretizado, o fim do nosso amor. Repentino, esfaquiado, brutal.
Pois em mim vive, remói. Em você virou cinzas, reduziu a pó?
Já faz tempo, mas ainda não o suficiente.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Não a espaço para quem não seja ela, não há espaço para mim, não há espaço para as minhas palavras.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Canto de Julia

O que você não faria por um bom amigo
Mesmo que ele não te quisesse
Nem como conhecida
Mesmo que ele te disesse
Que você não é uma boa amiga

Mudaria seu nome
Sua história
Seu destino
Só para, como um mero desconhecido
Continuar ao lado dele
Amparar as suas quedas
Curar suas chagas

O que você não faria, me diz
Que eu faço.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Regressão momentânea

Às vezes acho que você continua do meu lado.
É quase como se eu sentisse teu cheiro,como se eu sentisse teu olhar, seu abraço nesses meus desencontros com o chão, chão que um dia foi você. Sensação que me perturba, me desnorteia.
Junto à sua estranha presença inexistente, vem essa saudade que já doeu tanto, tanto, e hoje é só um calafrio que me atinge na lembrança do teu nome.
E hoje, tão de bem comigo estou, que às vezes te esqueço como pessoa. Logo eu que já te fiz de amor sem enxergar que minha amizade era tão maior que iludia.
Não voltaria no tempo, deixe as boas memórias como ficaram, deixe esse fim ser o nosso fim.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Tantos rascunhos guardados
Todos incompletos
Por quê?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Entrelinhas

Achava ser imortal até o dia que disseram que não. Estou muito assustada com o que pode acontecer, nunca esperaria que isso pudesse ser real, ainda mais comigo que sou tão nova.(...)
Não era daquelas que obteria lamentações ao túmulo por ser a mais caridosa, a mais bondosa. Queria ter pensado mais na possibilidade, queria poder realizar meus sonhos, queria casar, queria ter filhos, queria ter a certeza de ter encontrado o amor da minha vida.(...)
E, de tanto brincar com a morte, a morte decidiu brincar com ela. Não quero morrer, não quero.(...)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Em homenagem a um escritor

Ela voltou sem nada, voltou do nada.
Não queria brigar, não pediu para ter uma conversa sobre o que fora.
Voltou e eu rodava embriagado, sem pretenções, acho.
Sentou ao meu lado e suspeitei. Tanta calma.
E agora sou eu quem quer falar de passado, ou será que nunca foi?

A volta que não nego

Me perdoe, amor
Pois me mascarei
Para fazer-te crente
Da força que não tinha
Do amor que eu acredito
Na verdade, e sempre

Pois hoje me vê
Sem palavras ensaiadas
Sem a seguridade de um gladiador
Sem a indiferença de um estranho...

... Provida de um amor que nunca neguei.

domingo, 6 de junho de 2010

Melhor mil palavras em um vazio do que um vazio em mil palavras.
Parei,

sábado, 15 de maio de 2010

Resposta

O amor não é egoísta, é puro, se contenta por si só.
Não desanima com as suas quedas, não ouve o que os fatos falam.
Amar é não conseguir que, apesar dos pesares, a pessoa amada te decepcione internamente pois, mesmo nos piores erros, ela continua sendo sua metade, como se nada tivesse acontecido.
Pensamos muitas vezes em amor com um sentimento exarcerbante, como uma necessidade de posse incontrolável e por isso, muitas vezes que mimetizamos a sua existência, descobrimos um dia que só foi mera paixão. E paixão acaba por se fogo, morre porque se asfixia, consome pela própria existência.
O amor é calmo, pacífico, o amor perdoa.
O amor perdoa, sim.

sábado, 8 de maio de 2010

Carta de Marina

Meu grande amor,
Porque te amo, te chamo de amor, te deixo escolher.
Pois não somos mais os mesmos, pois não sou a mesma sorridente, desprovida de problemas dos mais simples aos insolucionáveis.
Se ao som da ventania nos abraçavamos por nos apoiar, hoje você é o meu único suporte, mas não é certo.
Não delongarei despedidas prematuras, não farei com que você pense que isso será só mais um dos meus adeus temporários, onde me perco num olhar petrificado, que não foca em nada, mas retorna ao brilho do que é teu.
A questão vem da justiça de ter-te ao meu lado mas você, por um deslize meu, escapa e nem sabe.
Digo, mais uma vez, decisão sua, amor meu.
Se acaso não me queira mais como sua amada, chorarei mas ficarei em paz por deixá-lo ir, como um pássaro,vai migrar para outros horizontes, se assim for melhor, se assim for para ser. Será breve? Será que retorna?

Lágrimas não sei de que,
Marina.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

No décimo segundo

A brisa fria batia lentamente e empurrava meus olhos para os céu estrelado. Não importava mais o barulho da cidade, das buzinas, dos coxixos das pessoas.
Peguei teus braços e me emvolvi como alguém que se agasalhava, ou se protegia. Senti seu calor e as batidas ritmadas do seu peito perto, me acolhendo em um silêncio de suspiros pois, sim, sempre me fará supirar.
Em uma breve surpresa, meus olhos aguaram na felicidade de ter esse momento, esse minuto que parecia ser mais um dos nossos minutos.
 E estava feliz simplesmente por estar ao meu lado, tê-lo no mais simples abraço, na mais simples noite.
Não importaria mais o tempo, só você, só você e eu. Assim será...

domingo, 2 de maio de 2010

Ressaca

Da surpresa que se esconde em luzes piscantes
Encontrei a escuridão tênue, quase que despedaçada
Vi ao longe,
Copo de uísque na mão,
Olhar deseludido ou sonhador
Não sei.

O canto da música ensurdecia meus pensamentos
O que fala mais alto, o que falou
E me disse:
Amo.

Mas num desgosto
Desacreditei a canção
E parti para o silêncio
Para não morrer quando deveras eu me escutar.

Adeus.

domingo, 18 de abril de 2010

As palavras tocam as pontas dos meus dedos, mas retornam arrependidas aos estilhaços do meu peito.
Não há mais poesia, não há mais tempo, não há mais coração.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Poesia invertida

Eu cresço enquanto você muda.
Eu cresço e me torno definivo,
você muda por ser cômodo não se solidificar.

Qual será o limite da sua mutação?
Quem você vê quando se olha no espelho?
Qual é a personagem de hoje?
Que bom ator você é!

Será você ele ou ela?
Será vivo?
Será feliz?
Será depressivo?
Será suicída?

E quando não consegue,
e quando não tem mais nomes parar fugir,
será você você mesmo?
Será que se anula?
Será que se esquece?
De quem você se esquece?
Quem é você?

Quem vai ser hoje, Marina?

sexta-feira, 5 de março de 2010

Na falta

Mandaram eu não parar de escrever pra não deixar a vontade no ar, pra não perdê-la por não tê-la na segunda-feira.
Mandaram eu não parar de escrever pra não engolir o que eu sinto, como engulo as palavras ao ver o mundo girar tão, mas tão depressa.
Mandaram eu não parar de escrever pra não fugir de mim mesma, pra me encontrar entre vírgulas, como aposto, ou entre linhas como segredo.
Mandaram eu não parar de escrever pra não deixarem de me ouvir, pra encobrirem meu sufoco e se deliciarem com ele.
Mandaram eu não parar de escrever, mas pra que mesmo?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Reflexão de Marina

Sempre me peguei pensando no porque, depois de tanto, você nunca me amou.
Talvez tenha sido esse meu jeito invasivo, essa minha vontade de te ter que me subia a cabeça, o jeito estranho que eu tinha no olhar.
Revivi as palavras trocadas, aquelas conversas que se perderam no tempo, tanto ou mais quanto nos perdemos nesse mundo. Não há mais você e eu, há você...e eu.
Senti novamente tudo que você me fez sentir naqueles dias que eu tanto precisava de alguém do meu lado: aquele calafrio que me petrificava toda vez que te via ou quando tocava teu nome falando, lendo ou pensando.
Existia sempre uma tensão, algo indefinido, ficava sempre entrelinhas o que tinhamos a dizer um para o outro mas, se era assim, se me parecia tão real, aonde sumimos?
Sempre me peguei pensando no porque, depois de tanto, você nunca me amou.
Talvez tenha sido essa minha alma tão sonhadora, que tivesse ido tão alto ao ponto de se iludir e não te deixar nem ao menos me alcançar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Desabafo

"E eu descobri que meu castelo se sustentava em pilares de areia."
Bateu como um flecha o verso traduzido da música, uma perfeita trilha sonora do que revivia em sua mente.
Em um segundo voltou ao tempo e se viu no meio daquela multidão que cercava o que de santo só tinha o nome.
Sentiu novamente suas pernas tremerem como tremiam aquele dia, rosto escondendo-se, abaixado, virado para os pés: talvez se olhasse para o chão ninguém a veria, pensou.
Não sentou no mesmo banco, não conversou com as mesmas pessoas. Subiu as escadas pensando que aquilo tudo seria somente sua mente, já tão perturbada pelo passado, pregando uma peça, fazendo-a acreditar estar dentro de um pesadelo que, de fato, era real.
Não demorou até que a multidão dos coxixos a cercasse e a afogasse em perguntas daquilo que não queria nem ao menos pensar. Naquele momento viu a realidade que teria de enfrentar. Acabou a sua ilusão, olhar pro chão a esconderia, fingir que nada havia acontecido não faria com que as pessoas a esquecessem.
Levantou a cabeça por um segundo, mesmo que contra a sua vontade, para ver se algum amigo havia restado para socorrê-la mas, num suspiro, tudo tornou-se duna.
Ah, já faz tanto tempo!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mais um dia

Dei meus passos vacilantes naquela rua cheia e deserta, de olhares perdidos, do tempo corrido.
Centenas de rostos, sem abraço, apressados. E sempre a impressão de estar sendo observada, e sempre a impressão de estar só.
Era um beco sem saída a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, espero o sinal abrir e corro junto à multidão.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Equinócio

"Quando começar o frio dentro de nós" não me culpe pelo desespero, não aumente as palavras que aumentarei pra te ferir.
Não veja as milhões de razões do meu "não te quero mais", pois hei de te querer mesmo com a tempestade vindo em minha direção, será minha armadura e minha hipocrisia.
"Quando começar o frio dentro de nós" não veja a ausência de cores, não queira buscá-las em outra pessoa. Te imprimirei em cada verso desse triste espaço em branco, branco das cores que se juntaram mas, como é incrível, não as verei mais.
"Quando começar o frio dentro de nós" não procure respostas, só cure as feridas e, o mais importante, não me sufoque com minha própria solidão.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Raphael

Não te peço eternidade
Não te peço rosas vermelhas
Não te peço adoração
Não te peço nem ao menos a presença
Só te peço o teu sorriso
Tão branco e tão sincero
Te peço o carinho
Te peço as palavras macias
Te peço a amizade
E às vezes até beijos
Mas, acima de tudo, eu te peço.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Arpoador

A luz dos holofotes iluminava as silhuetas.
A noite era escura e estrelada, o mar, levemente agitado, batia nas pedras elaborando uma sinfonia de mistério, de um futuro inteiro ainda por vir.
Os olhos entrelaçavam-se em olhares quentes e meramente calculados. Ele a envolveu em um abraço terno, mesmo que não intencional, e apontou para a tempestade ao fundo.
Ela guardava em seus pensamentos escritos, poemas irregulares, palavras fortes, versos cortantes. Estava por vir ou por ir os raios e trovoadas?
Ele sorriu, olhou-a nos olhos e sem soltar ao menos uma palavra, selou um beijo respondendo os questionamentos inseguros da menina:
- A tempestade foi-se, já era tempo.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A essência

Tinha um brilho misterioso no olhar, o cabelo bagunçado e palavras, muitas palavras a serem ditas.
Nunca entendeu porque já foi ou era amada naquele momento. Sempre via-se como um lixo, algo deixado, sem encanto, sem perfume. Talvez fosse por isso que tivesse tanto medo ao ouvir o som daquelas três palavras doces e, ao mesmo tempo, afiadas para ela. Ela nunca acreditava, tinha medo da ilusão, da verdade que criava, da verdade que dizia-se mentira.
Dessa insegurança inesplicável caiam as lágrimas, a sua solidão muito bem acompanhada, os pesadelos repetitivos em todas as noites. Sempre os mesmos monstros, para a mesma garota sem sorriso.
O por que disso tudo? Talvez nunca descobrirá. Talvez guarde até a morte. Talvez agarre e abafe como as palavras que vem até à ponta da língua e retornam em medo, as engole.
Tudo que a resta é o barulho das teclas, as tintas e o vento, tão silencioso e desacreditado quando ela.
Tinha um brilho misterioso no olhar, o cabelo bagunçado e palavras, muitas palavras a serem ditas.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Conto de Marina

Bagunçou o cabelo, olhou-se no espelho.
As pontas de cigarro no chão, as garrafas rachadas, a música ensurdecia.
Já não era noite, nem manhã. Era a hora da insônia que antes tinha, tomava a cama e o quarto, fazia-a pensar na solidão.
Não sabia se era Marina em festa. Talvez tivesse certeza que não fosse, mas a solidão já era tão incomoda que se acomodou às máscaras, às noites viradas, ao álcool. Era preferível.
Saiu daquele único espaço iluminado, espestiado de vômito, e voltou para a pista.
Encontrou amigos e, quem diria, até alguns boêmios que elevavam seu ego em olhares. Mesmo assim, mesmo acompanhada, algo faltava.
Acendeu o celular, olhou a foto.
Ah, Marina, é difícil esquecer um amor!
Fechou os olhos.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ela sentou-se à mesa e a garrafa a escolheu.
"Clarice, do que você tem mais medo?"
"De três palavras."

domingo, 20 de dezembro de 2009

(?) e filhos

Se eles tivessem me ouvido,
me preferido ao jornal de domingo
Se eles tivessem enxergado
não tivessem cobrado, punindo
Se eles tivessem me abraçado
não tivessem deixado de lado, grunindo
Se eles tivessem me respeitado,
me olhando, me ouvindo
Se eles tivessem me amado,

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Fim do Moinho

No horizonte avistava a já distante tristeza, aquela que antes a consumia, tirava seus sonhos, depremia suas noites. Se antes culpava o azar, agora culpa somente a si por não ter reerguido a cabeça tão antes.
"A vida é mesmo um desafio, e será triste se ,e somente se, quisermos."
Até que estava certa a doutora que a ouvia, preenchia pranchetas, tentava desbravar o mundo das fraquezas de uma menina que construiu seus escudos.
Olhou para o espelho então e, colocando o cabelo que escondia-a por de trás das orelhas, se enxergou e sorriu. Não era mais material, não era mais atingível, era alma e sonho, esperança e desejo.
Deu adeus então a menina de porcelana, fez-se mulher de aço e com o sorriso mais brilhante.
Despediu-se de vez o monstro, despediu-se de vez a Terça-feira.