quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Idéias soltas

O tempo passava.
Estava tão vidrada no que escrevia que o barulhos das teclas eram mais rápidos ainda que o dos ponteiros do relógio e mais fortes, muito mais fortes que o tempo.
Um violão baixo ao fundo complementava suas palavras, fazia delas sentimentos. Tudo tentando sobrepor aquele vazio, aquela calmaria.
Do calor insuportável que vinha da sua janela, fez-se uma ventania louca que varria as ruas em barulho e quebradeira. Era o momento perfeito.
Sentiu um calafrio com ar de sombrio ou satisfatório, pois-se a escrever cada vez mais rápido, não queria deixar aquele sentimento fugir.
Escreveu em sueco, mas com medo que lesse em noruguês, apagou.
O vento parou, um chuva fria tomou seu lugar e recriou o silêncio.
Pediu três palavras, ela queria escrever mais.

Mudança

O vento batia as portas, fazia barulho nas ruas, era forte, chegava a ser incomodo.
O cheiro da chuva era claro e, logo, chegou. Batia como agulhas finas, leves e frias, finalizando a ventania e tocando um silêncio absoluto que compensava o estardalhaço anterior. Era mais que apenas uma virada do tempo.
Enquanto todos fechavam suas janelas, ela abriu, queria sentir tudo tocá-la. Admirava, sentia, respirava fundo e sorria.
A tempestade agora teria um sentindo diferente. Sorriu novamente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alguma coisa mais feliz

Aos poucos deixava de ser tão deprimida, aos poucos tirava os sorrisos sinistros que lhe serviam como armadura para deixar os verdadeiros, os sinceros. A vida estava, finalmente, reabrindo portas.
As cartas ciganas que havia sacado em seu quarto diziam: é o fim de um ciclo carmático. E ela, não discordando, achava que era o começo de uma nova fase. Mesmo que seus problemas continuassem lá, intactos, presentes.
Talvez tudo tivesse um motivo para ter acontecido. Dizem que nos fortalece, mas, não mais que estranhamente, quase a matou. Mas tudo é passado agora, pó.
Saiu de casa, respirou fundo, caminhou por toda orla. Misturava todos os sentimentos sem se incomodar, andava de cabeça erguida sem se incomodar, sorria sem se incomodar.
Novas oportunidades, novas pessoas, o dia mais claro, tudo tão igual e tão diferente.
Menos solidão, mais um ano. Giovanna.

Sanningen är att jag gillar honom och jag är mycket glad eftersom det började.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sobre o vazio criativo.

Minha poesia, minhas palavras, todas elas são movidas pelo sentimento da mais agonizante e profunda tristeza. O porque não sei, só sei que na felicidade encontro somente o vazio, o vazio da lágrima que se prende, da calmaria. Escrevo por sentir o risco, por ter tudo à flor da pele, por poder controlar com palavras o mundo a minha volta. Com tudo em harmonia não há o que criar, o que modificar, o que confessar semanalmente, quase que religiosamente.
Me desculpem todos, criatividade para mim só a ponto de tomar uma caixa de Prozac.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sem inspiração. Tente mais tarde.

sábado, 7 de novembro de 2009

Confissão de sábado

Silêncio, solidão.
É o que me restou do pecado que não cometi, do amor que não vi e daquele que recusei.
Condenação que mais parece perpétua e, pra quem diz que viver sozinho é crescer, digo que regredi. Da solidão tiro a paranóia, o viver para não aprofundar-me.
Do que me traz de volta ao amor, agora não vejo mais nem ao menos o amante que, de tão latente, de tão aparente, sumiu pois cansou-se de esperar a resposta que já tinha mas, no silêncio, tão parecido com esse de agora, omiti.
Voltar ao tempo me parece a solução. É impossível. Então, sem solução estou.
Para a menina que tanto sonhava, tanto ria, tanto não temia, agora sou o fracasso ou talvez aquilo que sempre fui mas, os sorrisos sinistros que me serviam de armadura esconderam e escondem pra qualquer um que vê, até mesmo de perto. E só piora. Sem ajuda, sem nínguem ao lado, totalmente desamparada.Nínguem ao menos repara ou insiste. Nem ao menos você.
Decepção. Será que comigo, será que com o mundo? Nem sei mais.
(suspiro)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Conto de Bianca

Insegura, media cada vírgula, cada palavra. Não sabia o porque nada parecia espontâneo, o porque ao lado dele tudo era assim tão calculado, o porque não era Bianca.
Um momento de silêncio, um barulho imenso, um coração apertado. Queria falar, mas não podia.
Olhou-o com um canto de olho, assim nada ficaria claro, nada seria suspeito. Quebrou o silêncio, culpou cada palavra, sentiu-se boba. Ele talvez nem tenha notado a euforia, o estardalhaço que preenchia a mudez. Ou talvez tenha, talvez entendeu tudo, decifrou-a por inteiro.
Junto com o amanhecer daquele dia quente, típico de verão, vinha a realidade. O sonho foi se desfazendo, mas não para sempre, certamente.
"Vamos para casa."
Levantou escondendo as gostas de suor, as mãos úmidas.
Ele olhou-a nos olhos, sorriu. Ela sentiu um calafrio extenso, a vontade de gritar.
Chegou em casa, abriu um sorriso a frente do espelho. Nada mais era importante, nem o cabelo desajeitado, nem a maquiagem borrada.
Era Bianca quando saltitava, era Bianca quando imaginava, sonhava, mas também era Bianca quando, por insegurança, deseludia-se e, mais uma vez, varria todas as esperanças para debaixo do tapete já tão sujo e ignorava tudo que havia acontecido.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sem título (entre rascunhos)

Escrevi esse aqui faz pouquinho tempo. Não é muito rico, complexo, mas é algo que realmente quer dizer algo pra mim. Diga que é bobo, pra mim é o bastante.

Do luto que tinha
Quero mais que se façam cinzas
Mas você não vem
E me faz, desesperada, agonizar
Ser sugada pelo seu mistério
O mesmo que seu olhar transmite
E me nega, nega, nega...

Ah, será tão cego ao ponto de não ver
Centenas de declarações a sua frente
Rosas em seu caminho
E pisa como se fossem pedras
E ignora-as como se fosse vento
Que tende a te tocar
Mas não pode vê-lo
Por isso, parece nem existir
E o nega, nega, nega...

domingo, 1 de novembro de 2009

Confissão de domingo

Procurei nele os olhos teus. Não hesitei, nem ao menos feliz estive com isso, somente te procurei.
Após o beijo não senti sua boca, nem ao menos seu cheiro. Desabei então. Desabei em tontura, em enjoô e desmaio. Não era a bebida, aquela que ainda tentava conter minha explosão, era a realidade e a mentira que eu contava para mim mesma, dia após dia (e talvez para você quando omito, em insegurança).
Cheguei ao beco sem saída.
Passei a noite pensando nisso. Acho que minha cabeça nunca pesou tanto afinal, eu seria a última pessoa a me enganar, penso. Era o que minha moral dizia, mas acho que nem essa ao menos existe mais. Quando se ama não existem razões lógicas, pensamentos lógicos, é tudo passivo, emocional e tira do controle até aquela que, no seu inconsciente, jurou de pés juntos depois de uma decepção que nunca mais deixaria que o seu coração a guiasse.
Impressionante o poder que algo que começou assim, do nada, sem sentido, tem sobre todos os meus atos e me assombra. Impressionante! Basicamente um espectáculo da manipulação involuntária, mesmo que, quase sempre, esteja o titireiro ausente. Como me faz agonizar, te querer por inteiro!
Ah! Loucura... tão sem nexo e pessoal quanto as minhas palavras.