terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rascunho

Cruela cruel,
Metade mulher, metade máscara. Que de tanto já lhe tomou, agora faz parte e pode ser metade monstro.
Sem ametistas cravejadas, ficou assim porque quis, porque cansou.
"É mais fácil ser monstro e não sentir."
Seus olhos negros, sem brilho, como um céu noturno de uma cidade em caos. Penetram, enganam, parecem simples mas são de espinho.
Os cabelos em fogo para dar pistas. Ela não ataca sem avisar. E ataca quem quer ser atacado.
Envolve suas presas em discurso simples, sem delongas. Afinal, não temem e aí que pecam.
Ornamentando risos tolos, fazendo acreditar no que ela quer que acredite. É maior que você e você nem se dá conta.
E quando der estará perdido, iludido ou longe.
Cruela cruel, 
A menina que se tornou rocha e nem percebeu. Presa ao que achava ser defesa e agora se faz sangue, e agora se faz pacto, e agora se faz veneno...






sábado, 20 de outubro de 2012

Aquele que nunca vem

No calor dessa tristeza, os remédios me trazem ilusões de um futuro que não há de existir.
Erro as teclas, as palavras, os pensamentos. Para no final ser você, e só você.
Tive o fruto, descartei. E foi o meu primeiro altruísmo, mesmo que não me pertença.
Que direito tenho eu de despedaçar aquilo que nunca terei?
Será a subjetividade de um ideal construído? O amor que queria sentir?
Sou um monstro.
Sou destrutível.
Sou desastre.
E não quero correção ou piedade. Não quero nada que não possa assumir.
Quero minha solidão, minhas lágrimas ensaiadas em luares cheios, meus desastres e minha imaturidade, sempre dando graça a uma vida que sobrevivo.
Não há lugar para os fracos, não há lugar para sentir. Só há lugar para te ver distante, pensando em um todo, sem ter tido nada.
Eis a minha sina. Eis a minha coragem recalcada. Eis aquele que nunca vem.

Boa noite.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Confusa revanche

Meus passos perdidos, ligeiros, trilhando a rua escura do fim de expediente. Eu sou mais corajosa que você.
Deixo esses pensamentos, doentios de tão recalcados, aos poucos dominarem meus dias e embebedar meu sono. 
Pesadelos assombram a minha frieza. Não sou mais, tenho de ser, e não me controlo. Idealismo incessante que tem que ir embora. Agora.
(Pois) só quero teu toque, e qualquer afago será execrado. Só isso, nada mais.
Me conforto com um você imaginário, que criei para acalentar meu monstro, que preenche as entranhas do que me é tão subjetivo. Com ele permito, com ele sonho, com ele que brilha meu olhar sossegado.
E te deixo como rascunho de tudo que poderia ser mas não é, e não quer, e não pode. Rabiscos de uma pintura perfeita que só eu poderei apreciar, puro egoísmo do meu lado temido.
Eu quero, eu desejo, eu inspiro devaneios de filmes baratos que passam pela minha cabeça quando, não tão mais misteriosamente, sorrio e olho diretamente nos teus olhos. "Ah, se ao menos soubesse!".

Cuidado comigo, querido. Eu não bato muito bem. E nem você.


sábado, 6 de outubro de 2012

A fera