quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"Detalhes tão pequenos de nós dois"

A noite envolvida no silêncio do meu quarto, penso no que não existe mas que, em miséria, se compõe. E digo mais, me satisfaz.
O sorriso sincero após um devaneio, o olhar fugitivo volta e meia encontrado e aquelas pequenas frases que guardo como ínfimas homilias. Me acompanham, me fazem mulher, alimentam aquela que precisa de tão pouco para te ter por dentro.
Sensação que quero cultivar todos os dias. Acordo com um sorriso sínico, enganando a mim mesma, olhando para suas fotos e chamando de minhas. E não são, e é essa a graça!
Porque se fossem seria justo, e qual a graça do sono da plenitude? Prefiro uma aflição eterna ao conforto, prefiro meu imaginário e não fazer nada para o real.

Eu te desejo, mas desejo muito mais a minha criação.

Bom dia!





terça-feira, 30 de outubro de 2012

Rascunho

Cruela cruel,
Metade mulher, metade máscara. Que de tanto já lhe tomou, agora faz parte e pode ser metade monstro.
Sem ametistas cravejadas, ficou assim porque quis, porque cansou.
"É mais fácil ser monstro e não sentir."
Seus olhos negros, sem brilho, como um céu noturno de uma cidade em caos. Penetram, enganam, parecem simples mas são de espinho.
Os cabelos em fogo para dar pistas. Ela não ataca sem avisar. E ataca quem quer ser atacado.
Envolve suas presas em discurso simples, sem delongas. Afinal, não temem e aí que pecam.
Ornamentando risos tolos, fazendo acreditar no que ela quer que acredite. É maior que você e você nem se dá conta.
E quando der estará perdido, iludido ou longe.
Cruela cruel, 
A menina que se tornou rocha e nem percebeu. Presa ao que achava ser defesa e agora se faz sangue, e agora se faz pacto, e agora se faz veneno...






sábado, 20 de outubro de 2012

Aquele que nunca vem

No calor dessa tristeza, os remédios me trazem ilusões de um futuro que não há de existir.
Erro as teclas, as palavras, os pensamentos. Para no final ser você, e só você.
Tive o fruto, descartei. E foi o meu primeiro altruísmo, mesmo que não me pertença.
Que direito tenho eu de despedaçar aquilo que nunca terei?
Será a subjetividade de um ideal construído? O amor que queria sentir?
Sou um monstro.
Sou destrutível.
Sou desastre.
E não quero correção ou piedade. Não quero nada que não possa assumir.
Quero minha solidão, minhas lágrimas ensaiadas em luares cheios, meus desastres e minha imaturidade, sempre dando graça a uma vida que sobrevivo.
Não há lugar para os fracos, não há lugar para sentir. Só há lugar para te ver distante, pensando em um todo, sem ter tido nada.
Eis a minha sina. Eis a minha coragem recalcada. Eis aquele que nunca vem.

Boa noite.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Confusa revanche

Meus passos perdidos, ligeiros, trilhando a rua escura do fim de expediente. Eu sou mais corajosa que você.
Deixo esses pensamentos, doentios de tão recalcados, aos poucos dominarem meus dias e embebedar meu sono. 
Pesadelos assombram a minha frieza. Não sou mais, tenho de ser, e não me controlo. Idealismo incessante que tem que ir embora. Agora.
(Pois) só quero teu toque, e qualquer afago será execrado. Só isso, nada mais.
Me conforto com um você imaginário, que criei para acalentar meu monstro, que preenche as entranhas do que me é tão subjetivo. Com ele permito, com ele sonho, com ele que brilha meu olhar sossegado.
E te deixo como rascunho de tudo que poderia ser mas não é, e não quer, e não pode. Rabiscos de uma pintura perfeita que só eu poderei apreciar, puro egoísmo do meu lado temido.
Eu quero, eu desejo, eu inspiro devaneios de filmes baratos que passam pela minha cabeça quando, não tão mais misteriosamente, sorrio e olho diretamente nos teus olhos. "Ah, se ao menos soubesse!".

Cuidado comigo, querido. Eu não bato muito bem. E nem você.


sábado, 6 de outubro de 2012

A fera

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Superficial (somente)


Desejos omitidos por vidros translúcidos, finos, trincados como cicatrizes das tentativas do toque.
Não é proíbido, não é indesejado, somente precisa de tempo e se romperá. E por que tão complicado para mim?
A ansiedade me consome, me faz febre, deixa os pensamentos rondando rápido, se esbarrando...
Eu sou o ser do desejo que grita, mas não sou mestre do tempo. E não vivo sozinha.
Fantasia das madrugadas que serão vividas, das manhãs, das trocas de olhares suados, quentes. O som da guitarra, a voz rouca, a repiração forte. Sinto o gosto do tabaco, do vinho e do suor.
Faço de tudo em nossas cena inventadas à luz de uma lua, voyer do que vem e do que está. Ao brilho das estrelas caídas nos seus braços, me possuindo e enfeitiçando, agarrando e querendo me sugar em constelações desconhecidas que lente nenhuma vê.
Cola     Cola na minha pele, sacia sua fome, deixe seduzir pelo meu mistério... mas dê aquele seu sorriso ao sentir a claridade desnorteando, mesmo que fútil, mesmo que breve, mesmo que não meu, dê.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Cárcere de mim mesma

Eu casei com a minha depressão. Eu jurei fidelidade eterna. E nada pagão vai me tirar disso.

O amor é pagão, o prazer é pagão, e meu sorriso é um anjo caído.
Cada vez que algo me tira dos grilhões espetados do meu rumo, busco a fuga e volto aos meus votos.
Eu preciso destruir, me punir.
Eu sou o maior erro que cometi.
Eu sou a dúvida da minha própria existência.
Eu sou as cinzas dos meus ideais.
E estou fadada ao convívio do meu fracasso e a dor de tê-lo por escolha.

Quem me olha não vê.
Quem me escuta não ouve.
Quem está ao lado não entende.

Minhas desilusões pilharam meu caminho e não me deixaram atalhos.
Os que ficarem ao lado vão questionar uma sanidade, mínima sanidade.
Sanidade que eu não reconheço em ninguém quando me sentem irreal e já se acostumaram.
Qual será o fim do matrimônio com minha sentença?
Será a inocência que nunca vem?
Será a condenação dos que me assombram?
Será o cansaço eterno de quando me olho, me vejo?

A dúvida da sua forma não me persegue tanto quanto a certeza da sua proximidade.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Viciosamente

Um arrepio me consome toda vez que ouço o choro da guitarra abafada.
Busco inspiração, qualquer termo e frase pré-fabricada para transferir o calor que me dá tal melodia.
É o mesmo sonho rebobinando em trilhas diferentes, profundas, que parecem ser mais que um objetivo.
As balelas da vida, que amanhecem e dormem comigo, tomam seu lugar. Não sou daqui porque você também não é.
E como uma punição divina, o sentimento me rompe sem ao menos resistir mais que uns instantes, mais que uma palavra mal-dita. Maldita!
Só transtornos bipolares literais e indiagnosticáveis, uma tolice infantil que alimento para me sentir importante, diferente dos triviais. E não sou. E sei.
Talvez a não-solução de toda a problemática de uma vida seja o anseio dessa sensação. Eterna frustração, eterna infelicidade, eterna perdição (e ao mesmo tempo tão bom).

...mas nada que não teu alimenta-se da dor. 
Surpresa alguma tenho ao perceber, então, que vai morrer de fome. E eu, de solidão.

http://www.youtube.com/watch?v=zh4qvqdOCDE

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Simples imaginável inexistente

Vento quente de uma noite encharcada da chuva de verão. Todos os cheiros, os silêncios, a tv que me acompanha questionam meus pensamentos, dão voltas nos meus ideais.
Imagino o lençol branco amassado, o luar estonteante, as silhuetas de um amor perfeito. Imagino você e nem sei por quê.
Longe da realidade, cada toque nosso é como uma colisão. Cada meio abraço que me dá, um beijo na cabeça, gritam, BERRAM tudo que poderíamos ser. Nos fizemos de possibilidade por não acreditar no que sentimos.
De repente me volta a sensação da paixão, o mesmo sorriso bobo no rosto imaginando situações solucionadoras, o mesmo suspiro. Mas dessa vez escondo, dessa vez eu calo.
É claro mas não se vê, é imaturo mas pode ser real, é inexplicável, sem motivo algum, mas está ali.
Enquanto isso eu me contento com duas palavras, com a brincadeira da troca dos olhares, com nossa vida passando em filme na minha cabeça. Fica mais fácil sendo assim?
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- o que imagino de "Noite e Dia", do meu queridíssimo Lobão