sábado, 3 de dezembro de 2011

Pedras Portuguesas

Ontem você me deixou à mercê de qualquer um. Partiu sem se despedir, com a angústia nos olhos e eu, que já não sou tão esperta, fiquei deglutindo cenas até de fato crer:  foi embora.
O calor da noite, as copos minúsculos e fortes, olhares perdidos em mim. Depois de tanto tempo, eu já não sabia mais usufruir de qualquer liberdade. Você me impôs uma, me senti na obrigação de aproveitar.
Nem passos pela cidade, nem táxis me levando de bar em bar ou amigos querendo me tirar da consciência. Nada parecia certo, nem um sorriso sincero saia de mim. Me perdia parada nas ruas, ouvindo todos e ninguém, contando morcegos no céu negro.
Saí perambulando em passos tortos na imensidão marginal do Rio de Janeiro: "Preciso voltar para casa. Fecha a conta!".
Esperei ao relento bondes que nunca vinham, barcas submersas, ou você em alguma loucura. Não veio.
Andei mais um pouco, senti um calafrio me tocar, uma lágrima ensaiando minha derrota. E achei a sorte em um ônibus barulhento, escuro, que me levaria ao inferno que criei.
Não há certo ou errado. Não há perdão ou perdoar. O que há são as pedras portuguesas, olhando para a minha solidão, criando ritmos com minhas sapatilhas.

Liguei, esperei, recebi o frio que esperava (ou merecia?).

sábado, 12 de novembro de 2011

Ela

Meu sexto sentido pressente, sente, afirma: sempre será ela e você é o que aparecido.
Cansei de ser a reserva, vou me mudar para sumir, vou olhar outros olhos para sair desse rio.
Não dá mais pra fingir que ainda não vi as cicatrizes que ela fez, e, por ser fera, domina mais que eu, ferida.
Não suporto.
Me sufuca.
Me tira tudo.
Cansei de ver o que você sente, cansei de contar as palavras que você a enviou.
Nunca chegarei perto disso e, na mais calmaria do dia que em breve virá, partirei para alguém que tenha a certeza do amor e não da enganação
Pare de reafirmar uma mentira! Não quero ser pra casar, quero ser o amor da sua vida!
Uma pena não poder forçar o que não se tem, mas ainda posso expulsá-lo ao menos...

É a minha vida, sou uma pista para que os outros partam e sempre serei. VAI EMBORA!
http://www.youtube.com/watch?v=sgxm6eCt1oA 

Afirmativas de uma pirata cansada


Eu preciso de um alguém que nunca teve encantos, que me faça segura em lodo, que me vista de amor da cabeça aos pés.
Minhas manias não mentem e já tornaram-se parte de mim.
Eu nunca serei feliz se não encontrá-la, estabilidade.
Perdi o tesão pela selvageria.
Eu quero paz e acho que sempre quis!
Quero alguém que já a tenha encontrado para me guiar.
Sei que amo, sei que quero, sei que não tenho tempo...
Não sei se será meu barco pois o seu jeito já é de apreciar outras rotas, de olhar sempre para os portos passados.
Não sei se é o meu jeito, ou o jeito que é bom pra mim.
Mas sei que estou cansada de remar e preciso de alguém que o faça por inteiro.
E não adianta mudar o imutável, passar cera em pedra, fingir que perdoou.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Fantasiosa decisão exclamativa

Calma, Alice, olhe bem para esse chão!
Não adianta pisar só em galhos, há tanta grama para dançar...
Esqueça os lobos! Se não mexer com eles, não mexerão com você.
Talvez não consiga ver as rosas, mas olha como ficaram belas mesmo em carmim!
Alice, não destraia o seu destino, todos são loucos e você pode dançar com eles também.
Seu caminho é o que você escolhe. Então por que insiste em fazê-lo pelas sombras?
Deixe o sol refletir a sua palheta em seus cabelos! Não importa se queimar demais, só deixe...
Dance sem os seus sapatos! Você sabe desviar do que a machuca.
Pegue as flores pelos botões! Com cuidado não vai estragar...

Deixa essa melâncolia de lado! Enfrente suas rainhas!
Siga sem olhar para quem a convida, siga sem olhar para trás!
No final, o reino é seu, Alice. O reino é seu!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

De menininha e sincero

Só no tempo de passar as sombras, eu vou me despindo das capas negras e vejo o seu rosto, meu encantamento.
Talvez seja novo não administrar o irreal, não quer o além. Orei por um pedaço de chão, ganhei um reino!
Nem que seja nas poucas noites que pudemos acordar de frente para o outro, contáveis por serem dificultadas e não difíceis, tudo vale a pena.
O problema é que já te quero para a vida. Com seu sorriso de menino, seus olhos que, não canso de repetir, são os mais lindos que já vi, seu hálito matutino alimentando o amor da madrugada até o amanhecer. A ansiedade me consome, a frustração me domina.
Não é justo, fiquei de birra, agarra em mim agora!
Quero me perder pelo resto da minha vida no seu abraço, rir das nossas palhaçadas até a barriga doer.
Tempo, passa rápido! Deixa ele do meu ladinho de uma vez. Alias, de uma vez por todas.

E se isso não é amar...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ordinária

Sou o degrau de quem se destaca. Me usa porque precisa, mas pisa.
A menina dos problemas familiares, do passado dominado por monstros (que nunca dormem), da tristeza incurável. Onde foi que eu me perdi de mim?
Essa dor que me domina, faz com que eu sinta cada pedaço destruido pelo fio da faca, cada gota de sangue que bate no chão. Estou morta por dentro e essa, mesmo que reversível, é a pior morte.
Não tenho ninguém realmente. Meus colegas se foram, eu só sirvo para os sorrisos. Meus amantes saem em amargura, se encantam por outras alegrias que, com certeza, não são as minhas.
E todos me fazem de cega, mesmo que eu repita insistentemente que vejo tudo...
Minha vida ordinária, meu rosto deformado, meu cabelo seco, meu corpo castigado pela minha ansiedade. Não tenho como melhorar, nunca serei ninguém e também não sei se quero ser.
Talvez partir seja melhor, respeitar todos os acontecimentos como sinais de que preciso me despedir.

Não tenho mais raiva do mundo, a tristeza de me olhar no espelho é bem maior.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Resposta à soma

Desde o começo, uma certeza que me incomoda.
O fim das inseguranças, dos delírios? Quero que seja, não suportaria te peder.
Eu, com certeza, tenho que aprender a reconhecer os erros, olhar para frente. Só no "clap" "clap" das teclas já ensaio os dois.
Quando o egoísmo passar, quando esse sentimento de vingança e proteção, tão humano quanto obscuro (ou obscuro por ser humano),  passar, aí sim, transcendentalmente felizes.
Transcendentalmente um casal estável com seres instáveis, mas firme em seu amor.
Todos me questionam, todos me falam o contrário, e dessa vez foi como nunca. A culpa não é minha, não é sua, a culpa é nossa. Falamos muito "eu" ao invés de "nós", mesmo amando o "você".
Em psicologia aprendi que é natural e comprovado: colocamos causalidade interna no desvio do outro e externa no nosso. É proteção da natureza, uma voz te julgando sempre como inocente.
O que se aprende é que no amor, para que cresça firme e dê seus frutos, o réu tem de ser o conjunto.

E é por isso que eu não te amarei, é por isso que eu não amarei você. Eu nos amarei, e isso para a eternidade, já é o suficiente.

domingo, 16 de outubro de 2011

Pequena parte do adeus

Foi embora.
Em tapas descontrolados, gritos de madrugada, enganos alcoólicos.
Eu amei, amo, não sei se amarei. Seria o pai dos meus filhos, meu companheiro eterno e trocou tudo por uma vingaça, trocou tudo por outra.
Eu poderia ter acreditado no que me diziam, mas recusava cega, no olhar sem as lágrimas que batem essas teclas.
Meu coração bate mais forte, sinto um aperto, minha respiração esquenta. Eu nunca pensei que poderia ter um fim, nunca.
E no final, será que lutou de fato?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Saber buscar

Olho no fundo dos teus olhos para buscar a mentira que não tenho. Minto e nego o amor buscando não cair e, em queda, confundo o meu princípio em rápida palpitação.
Não adiantar esconder as flores do canteiro quando são tão claras em cheiro e cor. Refletem com a brisa do vento, dançando em primariedade, brincando de ser eu.
Amo, amo com tudo, afundo na lagoa, mas sempre fingindo o bote que nunca tive e nem sei remar. É como se a natureza exigisse a minha não-imersão para gardar-me do selvagerismo natural.  Sou a máscara, digo, bote que visto para todos. Todos menos você.
Temo o desencanto ao ver minha natureza, temo a vida fora do que flutua, temo afogamento mesmo que possa sobreviver sem o ar.
Logo eu, vivo comigo mesma. Comigo mesma e com você, que mesmo antes, sempre esteve dentro de mim.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A fraqueza do peito

Eu sou o reflexo das dores que criei. Meu rosto deformado, meus braços fracos, meu olhar tem desespero.
O tempo me deixa para trás, a justiça nunca se faz, pareço estar me despedindo de um lugar que nunca me pertenceu.
Eu me tornei a frustração que vivi e vivo. Em pessoa, em atos, em desvaneios inevitáveis.
Não posso mais ferir o inocente, mesmo que, inocente, eu esteja ferida. A vingança não se faz com o externo, mas da auto-punição não sei escapar.
Parece uma força que me reduz ao pó das minhas alegrias, a tontura do desnorteio. Algo muito mais poderoso me domina, querendo me levar para o seu inferno.
Desisti de retirar as pedras no caminho. Nenhuma é dolorosa quando se tem grilhões espinhados presos, apertados nas pernas.
Digo adeus ao inimigo, não procuro mais abrigo, eu mesma sou minha traidora. Que saiam todos, então!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

F= Gm1m2/r²

Eu não sei mais lidar.
Qualquer frustração me vem como o fim, como a última gota de algo que já transborda em corrente, uma catarata dos meus pequenos infernos.
Os risos que espalho nem ao menos encobrem como antes. Ninguém notava o que é público. 
Minha máscara, minha paciência e a minha esperança caindo newtoniamente no mesmo instante, por uma força maior, pela gravidade do meu passado.
Livro os pesos das minhas costas engolindo o que nunca vou digerir e cuspindo o que era doce. Nada mais me importa se não a leveza que almejo e o preço que vou pagar pela minha busca.
Só esqueço que a força que provoca a minha queda me destruirá no mesmo tempo que me destruiria com grilhões encrustados. Menos impacto, mas com dano irreparável.
Como fugir do certo? Como olhar o sol sem asas para buscá-lo?
Talvez seja por isso que procuro o seu adeus, para que, pelo menos, eu caia só.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Simples(mente)

Menino dos olhos
Arrependido do que não tem culpa
Desculpa a tristeza que te botei
Só pra te ver aos meus pés

Meninos dos olhos
Vidrado de um sorriso maravilhoso
Não tema se achando menor
Maior é, e seremos

Meninos dos olhos
Se eu pudesse te guardar em um instante
Guardaria teu olhar fixo
Mudo que me confirma todos os dias

Menino dos olhos
Que será o homem dos olhos
O pai dos olhos
Da menina que te escreve sem jeito.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Respiração

Talvez, de tanto não querer
Virei aquilo que temia
Senti o que antes nem me tocava
A fúria de um ciúme que nos corrói
A carência do carinho que já tenho

Aqueles que já não me conhecem mais
Ou eu mesma que não me conheço no espelho
Querem de volta o coração de pedra da boemia
Aquecido na sua brasa
Mas ainda de pedra

Não sei do amanhã
Já não escrevo com facilidade
Inseguranças tiram meu chão
O olhar distorcido me divide
Até quando eu não sei.


domingo, 7 de agosto de 2011

Mais um personagem efêmero da minha trama

Chico, também não sei se agora estou fora de mim ou se é o estilo de uma grande dama. Faço psicologia, mas não fujo à regra.
Poderia passar tardes e noites citandos os corações que não me suportaram ou que não viam que eu era real, mesmo em beijo seco ( -sem intenção).
O problema é que não entendem que sou inconstante, mas não bipolar. Triste, deprimida, mas não suícida. Enjoo rápido das minhas paixões, jateio com gelo e sal tudo que me agrada.
Menos dele, é claro. Dele não enjooei, e por piedade jateio de pedras e agulhas.
Uma pena ter me resgatado de bote em meio à tempestade. Não ouviu os marinheiros experientes que o alertaram do perigo da aparente calmaria.

Todos cansam da tempestade. E no bote só cabe um.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Audio Rebel

Catuaba e rock 'n roll. Tudo que eram, que queriam ser, que usam de armadura.
O baixo alto falando indecencias, as luzes sicronizadas com o som da bateria.
Se agarravam pelas paredes ou um no outro? Vivendo a certeza de uma noite digna de um sonho adolescente, tocando em rádios de bares e motéis.
Pegaram um táxi para o destino que esperavam (talvez não o que pretendiam), e se deliciaram com os espelhos que refletiam todas as sensações que os tomavam dos pés até o arrepio dos pêlos.
"Não tem mais ninguém lá em casa."
E o que era para ser um sonho de horas tornou-se um sonho de uma noite. Com prazeres que surpreendiam, com ventos que berravam, com olhares que diziam o que esperavam e não esperavam dali pra frente.
A simplicidade do frango requentado para repor energia, o frio que não atrapalhava a nudez escancarada da cena, o sono cansado e o amanhecer chuvoso, para refrescar o desejo (sem fim).
Talvez eles não soubessem ou tivessem certeza do que viria pela frente. Mesmo sabendo que queriam muito um ao outro, mesmo tentando sussurar isso com um olhar perdido, deitados na cama.
Tinham receio no olhar do "dia depois", tinham receio da paixão que desafinava a banda.
E que os tomou, completamente.

Black Cherry

Balançou o copo de uísque, lançou seu olhar matador e foi ao alvo.
Os olhos verdes e o cabelo cor de graúna só realçavam a fatalidade que ela pregava em cada gesto ou em cada vez que apertava o corselê.
Um beijo. Mais uma bebida. Música alta. Amassos no sofá do canto. "Quer ir lá pra casa?".
Sim, claro que sim. E adentrou o carro dele como se fosse o seu. Esticou os pé no porta-luvas, abriu a janela, puxou Lucky Strike, machou-o com o vermelho profundo que tinha pintado os lábios (e no drama).
A meia-luz fazia meia também o verdadeiro eu. Ali eram só corpos, corpos lentamente se deliciando do descaso de uma noite sem planos, para ele.
Seios em formas de lanças, ferindo ao toque com a pele quente. O bafo de bebida de ambos infestando a casa com amnésia. Cenário perfeito para dois pagões, dois frutos do meio do qual partiram, insensível.
Talvez os lençóis de algodão não cobrissem por inteiro, talvez a música da vizinhança acordasse o que estava desmaiado, em coma.
E foi assim toda a noite, o incerto e o pagão, o que quer esquecer e o que vai (e vem).

Mas a claridade do amanhecer desfaz a luz indireta e a torna estourada.
O brilho dos olhos já é diferente. O hálito alcoolizado torna-se insuportável. Os lençóis de deus-sabe-quantos-fios não protegem nem mais os pés.
Colocou rapidamente o corselê preto. Café requentado. Barulho dos sapatos. "Não vai me dar nem o seu telefone?".
Não, é claro que não. Bateu a porta e balançou o copo de café.

para ouvir: http://www.youtube.com/watch?v=6YW2G6Z2bMQ&NR=1

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tudo por mim

Quando Marina cantou no meu ouvindo que você me tem fácil demais e não parece capaz de cuidar do que possui, eu confesso: tomei aquilo como verdade por um tempo.
O problema, é claro, nunca foi nem vai ser você ou o seu jeito improvavelmente provável.
Sou eu, meu querido, que te disse para ir e você ficou. E fez assim, tudo por mim, já foi pensando que sou sua.
Meu ego foi para além do meu abismo e meu senso de proteção foi carregado junto, amarrado com um grilhão.
Faz parte da minha "selvageria" querer me preservar tanto ao ponto de ter a insana ideia de abandonar um grande amor para viver segura, na minha própria solidão.
Eu te recuso, eu te maltrato, eu finjo uma briga. Eu te testo.
Não posso falar que não gosto, mas posso dizer que é (quase que) involuntário. Eu odeio o jeito que te firo, mas amo a reafirmação que vem na sua resposta.
Não sei quando vai acabar e talvez esteja escrevendo isso num desespero do grito de "corra enquanto é tempo". E sorrindo, propondo que você peça para que eu te deixe em paz.

Mas se você disser vá, eu não vou.

Inspirado na música "Nada Por Mim", interpretada por Marina Lima, composta por Hebert Vianna e Paula Toller.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Vinho derramado

Então as crianças das pracinhas não me passam mais desapercebidas. Os casais apaixonados, aos meus olhos, são sempre menos que nós. Os vestidos brancos podem ser azuis desde que usados com você.
É estranha, sim, a certeza. Mais que a certeza, o amor.
Passei por tanto estranhos, rolei em tantas camas, valorizei tanto a mediocridade. E no final foi você, logo você, que mudou o sorriso sinistro que ocupava os buracos do meu coração, e o fez real, os preencheu.
O jeito como se espalha quando dorme, seu ronco de cansaço, o modo como sua boca não consegue fechar quando está preso em um carro. Tudo que irritaria a qualquer um (ou uma), no fim eu acho graça e penso: quero para toda a minha vida.
Nossas viagens pelo mundo, nossos filhos lindos de morrer, nossa velhice cheia de histórias para contar. Imagino muito o futuro, mas vivo o presente (tão agradável ao seu lado).
Meus dezoito-quase-dezenove anos somem. Pontes, perimetrais, avenidas, todas viram pó. Não há nada que seja demais, ou que separe, ou que nos faça deixar de ser nós.
[E, sim, eu caso.]

segunda-feira, 27 de junho de 2011

À minha beira


Fui condenada a provar do meu próprio veneno

Olho para baixo, vejo pedras em agulhas
Olho para trás, a tempestade negra
Olho para cima, não tenho asas

Talvez o choro desses violino sofrido
Me doa mais porque choro mais alto
Até dor alheia me corrompe
Não quero você, solo maldito

Me faltam forças até mesmo para me jogar
E não sei se é mais fácil
Deixar a enxurrada me levar
Ficar parada diante do caos
Esperando fazer parte dele

Recuso as mãos que me estendem
Trilho o caminho da minha amargura
Sinto o cheiro da chuva
Sento e aplaudo a minha queda

No fim estamos sós, para sempre sós.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tapa na cara

"Ah, mas isso é o que todos eles dizem!"
Sabe, eu não ligo para o que muitas pessoas falam, porém existe um seleto grupo de amigo que eu realmente ouço e tomo a maioria do que dizem como verdade.
É, sim, fingir uma pessoa que eu não sou. Quando eu estou num relacionamento me entrego, caio de cabeça, não meço meus limites. Por não medir limites, por amar livremente, às vezes me perco num labirinto de idéias de um alguém que nem eu mesma reconheço.
É real. Como eu vou explicar aos nossos filhos, aqueles que você tanto insiste que tenhamos, que papai não veio pra casa hoje porque está dormindo com outra. Não, o pior é para eles, que podem tomar isso como verdade e machucar esposas e maridos, que talvez não tenham tanta cabeça (?), paciência ou ilusão para entender tal fato.
Quando você diz que é um absurdo eu duvidar do seu amor, que eu deveria prestar a atenção nos atos. Coitado! Só piora a situação...
Várias vezes, nessa noite mesmo, eu me peguei pensando na possibilidade de ser o inverso. Será que você não teria náuseas e calafrios ao me ver nos braços de outro?
Se sua resposta for "não", reveja seus conceitos e arrume suas malas.
Eu posso não ser tão "rock 'n roll" como quando começamos. E a questão é: o que nós somos? Será que os sólos de guitarra são o que somos ou o que queremos que os outros achem que somos?
E não venha me dizer que isso não faz diferença, por que isso, mais do que nunca, tem nos gerado complicações.
Eu continuo não aguentando hipocrisias, achando que as pessoas de hoje em dia não sabem o que é um relacionamento de verdade e não dando a mínima para o que os outros falam. Mas o respeito, meu querido, o respeito sempre cairá em cima de tudo isso.
Não foi só o meu ciúme, foi a humilhação. Meus conhecidos (primeiro meus, depois nossos) me olhando com pena, perguntando o que eu ia fazer. Eu não me passei por liberal, cabeça-boa. Eu me passei por trouxa, submissa, idiota.
Isso eu não admito.
Eu podeira ter feito um escândalo, mas não sou assim. Eu poderia ter te dado um tapa na cara, mas prefiro dá-lo desse jeito. Eu podeira ter dado o troco, mas não tenho dezoito anos. Finalmente, eu poderia não ter feito nada, e o fiz.
Querido, não pretendo mudá-lo, porque quem ama, aceita. Mas antes preciso saber, não quem você é, pois isso pra mim já é óbvio, mas quem você quer ser.

E por hoje chega...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A mais errada ainda (II)

"O que foi dessa vez? Já é tarde..."
"Eu fiz o que você me falou..."
"E eu com isso?"
"Como assim "e eu com isso"? Eu fiz o que você me falou e deu errado!"
"Nunca te falei que daria certo, falei?"
"Você me questionou..."
"Não, VOCÊ se questionou!"
"Tanto faz..."
"Tanto faz uma ova! Você só fez aquilo porque você já estava completamente comprometida..."
"Comprometida em que sentido?"
"No negativo, no positivo... Você sabe."
"Eu poderia ter evitado, poderia não ter afundado, poderia não ter me---"
"Shhhhh... Você já estava!"
"E agora, o que eu faço?"
"Eu não posso fazer nada. Só jogo com verdades, não com soluções."
"Então me fala uma verdade que sirva de solução!'
"Que você tem medo? Que você está louca pra fugir do que sente? Que o silêncio dele te doeu  e te dói tanto que você está a essa hora da madrugada perguntando, logo a mim, o que fazer?"
"Não me deu solução alguma..."
"Não, tola, você que não se deu..."

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Comentário

Você pensa que eu não sei
Do amor mal falado
Das hipóteses que gera
Do teu desejo de se testar
Mesmo que goste de mim
E não da qualquer

Você pensa que eu não sei
Do fogo esfriando
Da sua dúvida sobre mim
Do que você esconde
Falando o oposto
Exagerando no que não quer

Não faz de maldade
Se prendeu em um labirinto
De um você que não via
Não sabe olhar pro lado
Pelos próprios questionamentos
Que te aprisionam

Eu disse
Continuo porque quero
Sabendo de tudo
Te sentindo
Talvez me machucando
Mas não importa.

Não é um anjo, ainda bem

O problema é que eu te deduzo demais.
Eu sei da dúvida nos seus olhos, do dilema que puxa seus cabelos pela raíz. Eu sei, querido, que você fala o que não sente e sente o que não fala.
E eu pensei que tinha máscaras? Creio que as suas te tocam tanto que te impedem até de se auto conhecer.
Você não é o que era, mas insiste em manter as notas de um perfume envelhecido. Não, não é vaidade. É insegurança.
Talvez não veja que o que me atraí é o floral que se espalha quando você passa devagar. Talvez não ache tão especial e o cobre de amadeirados másculos para amenizar, quase ocultar, a essência real.
Amor meu, você que não existe, você quem eu tenho que agradecer, você que é lindo. E não falo do seus olhos misteriosamente amendoados.
Inseguro mas atrevido, não? Tocar em partes que poucos tocaram, e em outras que ninguém ao menos ousou. Me atravessa sem pudores, nada em meus rios sem tocar nas margens. E ainda tem a petulância, A PETULÂNCIA, de invadir o único espaço que me resta, de bater tantas teclas.
Eu queria poder ter a sua certeza, talvez o seu recíproco. O problema é que eu te deduzo demais, então eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mais do teu

Acredito que o amor não se constrói. Afinal, as rosas não se formam de pétala em pétala...
O amor se cuida, faz florecer, dá seus frutos, espalha o seu perfume.
As palavras que saíram, o silêncio que agora dói, a vida nos dando voltas, golpes. As coisas mudam, e dessa vez é pra melhor.
Se trilhamos o caminho inverso, se nos ferimos na roca antes de sermos acordados pelo romance, isso já não importa mais.
Me importo, sim, com o teu lugar, ao meu lado, olhando nos olhos (sim, nos olhos), aprendendo a traduzi-los com minhas apreensivas e pontudas palavras.
Diga(-am) todas as insanidades que quiser(-em), do que saí eu, tola, aprecio de tudo. O riso enigmático, o abraço que aproxima, o carinho inocente ou vulgar, o teu zumbindo de sono merecido.
É, tanto tempo que não andava por essa mata, que já não a conheço mais. Claro, quero redescobri-la com você.

Porque te amo, e prefiro lírios.
http://www.youtube.com/watch?v=pAI9qn1xeAw

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A bomba

A questão é, querido, eu me importo.
Não com beijos casuais de outras moças, não com deixá-lo solto por aí. Me importo, sim, com aquilo que se passa dentro de mim.
Já vi esse filme, já mastiguei minha boemia, já degustei do bom descaso.
Não preciso ter sentimento de posse por ninguém. Alias, não preciso nem quero. Porém, cogito algo além do que a carne somente me sussurra, talvez um pouco do teu sentimento não me faria mal.
Chego a um ponto que me infartei do que foi trocado à meia-luz, querendo mais. E não só para mim, mas para mim.
Do que vale tantas entrelinhas se não consigo decifrá-las sem a claridade? Do que vale tanto riso se não consigo ter a certeza da razão?
Sou, sim, apegada às palavras e é um erro teu achar que me contento com hipóteses. Principalmente as que elaboro sobre você, tão confusas quanto vagas.

E se assim não for, a questão é...

domingo, 22 de maio de 2011

Canção exagerada


 Não esperam nada de mim pois usufruo do meu lado mais descompromissado, de um falso riso de satisfação interna, de um olhar boêmio e promíscuo. É tão mais cômodo não ter fraquezas e fingir.
É a vantagem de ter duas caras, poder utilizá-las quando é mais fácil. Mas, querido, para te falar a verdade, meu conflito está começando a me tirar a paz.
Temo meu outro lado, temo a irracionalidade que implica. O medo de me envolver, de olhar nos olhos, de me perder. Ainda mais sabendo que, ah, não me quer para nada.
É um gasto de tempo, dizem. Então por que insisto?
Melhor, quem de mim insiste?

terça-feira, 17 de maio de 2011

Na borda da folha

Abre aspas.
Você percebe, será? O meu sorriso tímido não querendo se mostrar por medo da queda, meu muros se esfarelando em frases trocadas rapidamente, minhas palavras omitidas em fonte branca. Será que me lê mesmo?
Se me lê, será que me deduz? Será que me viu espalhar o corpo pela cama enquanto você espalhava água pelo seu?
Que medo! Não quero ser deduzida, não quero que me leiam, não quero que saiba das minhas fraquezas. Você não pode saber que sei sentir, não pode saber que troco "se" por "quando", não pode saber que, para mim, você deixou de ser objeto há tempos. Não vou me expor, não devo, não posso me entregar.

Meu Deus, já me entreguei....

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A melodia errada

"É ridículo, Julieta..."
"O que é ridículo?"
"Você ter tanto medo de se entregar assim."
"Eu não tenho, eu só estou em outr---"
"Outra fase? Não. Você acha que engana a quem?"
"Eu tenho certeza que não me engano."
"Eu sei, mas a sua vontade de enganar os outros é tão grande que até você dúvida do que é.Você sabe que não é mistério, você sabe que é medo..."
"Não sei..."
"E quando os copos acabarem? E quando você estiver tão perdida dentro dessa máscara a ponto de não achar ninguém pra voltar?"
"Eu preciso disso? Alguém pra voltar?"
"Bem mais do que você pensa. Até quando você acha que esses seus pulos vão segurar o seu vazio?"
"Que vazio? Não sinto vazios."
"Você sabe do que eu estou falando..."
"Preferia não saber..."
"Não, é diferente, você preferia não ligar. Você preferia não criar expectativas, mesmo com aqueles que sabe que não te darão nada em troca."
"Por que jogar isso tudo na minha cara agora?"
"Porque estamos sozinhos."
"Não me importa, não quero te ouvir. Hoje não..."
"Você sempre me ouve, mas tenta me apagar, tenta se apagar."
"Isso não é da sua conta!"
"Sempre é, você sabe que sempre é. E não é isso que você vai fazer hoje? Pegar aquele copo para ficar ausente?"
"E qual o problema?"
"O problema é que uma hora você não vai conseguir mais me esconder..."

A melodia errada é me desfazer do meu mistério e ouvir quem eu sou de verdade.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Resposta

Eu prefiro não cantar, não arriscar a melodia errada, a composição exagerada. Eu assovio minhas idéias para não parecerem tão diretas, e não seria eu se não o fizesse.
Suas notas me confundem, seu tom me enloquece. Que medo de ouvir errado!
Talvez seja essa tua presença, o fogo que acendeu em mim. Minhas pernas que tremeram, meu ar foi que embora. Te culpo, felizmente.
E quando você surge, em mente ou matéria, que vontade de consumir teus lábios, arranhar tuas costas, respirar no teu ouvido, matar o meu desejo. Não há intruso que me assombre ou sanidade que me possua. É só você.
Uma pena não ter tantas metáforas inventadas para descrever aquela noite, já que toda vez que releio teu conto abano a cabeça, aperto os olhos e penso o quanto te queria aqui, agora, ao meu lado.
Que se explodam minhas ideologias, se você as contrariar. Que se deteoriore minha liberdade, se me escravizar no teu corpo. Eu não ligo nem nego minhas vontades.
Ah, e ainda por dizer, te virá a ilusão se não se sentir desafiado quando me pede e respondo: não cantarei longe.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

As malas

Pai, me vê a mala grande
Talvez eu não volte mais
Talvez tenha sido demais

Não, se eu voltar vai ser pra buscar o resto
Não será na hora que você está
Não será por mais de alguns minutos

Pai, por favor, não me deixa
Preciso de colo, ainda
Preciso saber que ainda estará ali

Só não sei mais o que será
Mas, pai, tenho que ir embora
Eu preciso descansar...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mais que aquelas

No dia que me quiseres
Seja na carne
Ou em palavra
Me procure como de costume
Como quem tem prato garantido
Até nas vezes que se vê sem fome
Para tê-lo por perto mesmo sem desejar

No dia que me quiseres
Eu sei, não me exibirás como prêmio
Talvez, sim, uma derrota pessoal
De ter retorcido tanto as mágoas
Do erro dessa herege que te fala
Mas que um a qualquer dia
Te encantaria da forma que precisa

No dia que me quiseres
Te despeça devagar
Já que me apego
À poeira de uma paixão
Às migalhas de uma reciprocidade
Que existe na minha mente
Pois só isso ela pensa
Por maior que seja meu erro.

sábado, 30 de abril de 2011

Fogo Paulista

Apago com o que arde
Desce em minha garganta
Queima em minha alma
As decepções de um mundo inválido

Não existem mais saídas
Não existem soluções
E me vem com mais problemas
Mais tropeços
Mais ingratidão

Você me culpa
Por estar louca assim
Por um copo de desapego
Por um gole rápido de esquecimento

Mas eu desafio
Com lágrimas de cana
Os que não me creditam valor
A aturar a dor
De serem vocês mesmos
Vivendo o que vivo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Além da matriz

Busco em ilusões passageiras
Em copos cheios
Em cigarros queimados
Uma razão senão o amor

De amor já vivi
Faleci
Renasci
Criei
Não o quero mais

Se me fala que estou entregue
À boemia de um
Ao descaso de outro
Não hei de ligar

Há mais forte em mim
Mais que abraços calorosos
Promessas ditas
Compromissos adiados
A breve razão do inédito

Seja bem-vinda essa morte que
Carinhosamente
Chamo de vida.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vendo

Vendo memórias do meu passado
Amores mal revolvidos
Rejeições
Dilemas

Vendo as feridas
A espera
A angústia
O silêncio

Vendo a arrogância de uns
Vida e morte de outros
A cegueira daqueles
A ignorância desses

Vendo
Troco
Dou
Mas me apego.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Tudo que ela te diria (PARTE II)

 (clique aqui para ler a primeira parte)

- Eu não sei o que te dizer...
- Não é verdade. Você sabe, só não quer dizer porque não sabe como.
- Talvez seja isso, mas agora, sinceramente, eu não sei o que te dizer...
Ela olhou fixamente nos olhos dele e segurou suas mãos.
- Sabe, eu te devo muito mais do que você me deve. Você, na verdade, não me deve nada---
- Devo, sim.
- Não, não faz isso! Me deixa continuar o que eu tenho pra dizer, por favor.
- Tudo bem...
- E por você não me dever nada, talvez não seja justo fazer todas as exigências que eu fiz até agora. Sabe, você mudou a minha vida! Acho que isso que te deixou tão forte dentro de mim. Todos os meus gostos, os meus jeitos, as minhas idéias... Eu tava muito mais perdida do que você imagina. Talvez se você não tivesse passado pela minha vida, mesmo que causando esse tumulto todo, eu não seria um terço do que eu sou hoje. Eu agradeço, de verdade! Eu, pela primeira vez, gosto de quem eu sou e não preciso mudar nada para agradar ou chocar ninguém. Então, só por isso, não por quem eu fui pra você, mas por quem você foi pra mim, eu quero te pedir, por favor, seja claro comigo. Mesmo que a verdade possa ser muito mais dura do que eu imagino que seja, mesmo que isso tudo possa ser um caminho sem volta...
- É um caminho sem volta, moça...
- Então me fala, eu não tenho mais medo de perder o que eu nunca consegui. Eu queria, mas agora não prezo por mais nada além de mim nessa história. Quero acabar com isso, com qualquer tipo de dúvida... Eu cansei, eu não aguento mais!
- Sabe, mesmo você me falando tudo isso, eu continuo prezando o que a gente teve, continuo achando que você foi, sim, uma pessoa que me ajudou muito. E eu respeito essa sua vontade, eu não entendo, mas vou tentar entender porque gosto muito de você...
- Então é minha vez de pedir pra você falar nos meus olhos.
- Claro.
Ele sorriu levemente, apertou ainda mais as mãos suadas dela, suspirou...
- Vamos lá... No começo, bem quando eu notei que algo a mais poderia estar acontecendo, eu não sabia mesmo o que fazer. Eu gostava muito de conversar com você, a gente passava noites fazendo isso e eu não queria que acabasse. Eu acho que preciva ter certeza do que estava acontecendo antes de colocar tudo a perder. Eu vou repetir: você era muito importante! Minha vida também estava muito louca na época, você sabe, e eu não queria perder essa amizade. Então eu não falava nada, muito menos dava passos.
- Entendi, então---
- Espera, agora eu que quero terminar. Para de ser tão ansiosa! E para também de achar que sabe o que eu penso!
- Tudo bem.
- Eu não sabia o que queria. Eu estava cheio de problemas, dúvidas... Foi quando a decisão de me afastar de você pareceu ainda mais lógica. Eu errei, devia ter conversado com você, não devia ter feito isso da forma que eu fiz.
- Não devia, não devia mesmo...
- Não pensa que eu não me sinto culpado por isso. Acho que você tá desde o começo da conversa agindo como se você fosse a única que tivesse sentimentos... Você quer tanto conversar comigo, mas não me deixa falar nada!
- É que eu não me não tinha imaginado assim...
- Como?
- Eu não tinha imaginado as suas respostas, só as minhas falas. - riu para disfarçar a sua angústia
- Posso continuar, boba?
- Deve...
- Depois desse tempo todo, depois da conversa que a gente teve, eu pensei que tudo tinha acabado. Por isso que eu escapei disso tudo, eu fiquei assustado, eu não tinha certeza de nada...
- Por favor, diz logo...
- Moça...
Ele segurou o rosto dela.
- Fala.
- Isso tudo foi só uma ilusão.

sábado, 22 de janeiro de 2011

E de repente se foi. Tão rápido quanto começou.
A minha inspiração.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Intitulado

Por dizer
Acho que não quero mais
Talvez te deseje como lembrança
Pois a concretização me tiraria o amor
O controle me tiraria a paixão

Então, fique como está
Sendo ilusão
Sendo desejável
Sendo miragem
Mas nunca sendo real
Para não acabar o dilema
Ou a inspiração