segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Viciosamente

Um arrepio me consome toda vez que ouço o choro da guitarra abafada.
Busco inspiração, qualquer termo e frase pré-fabricada para transferir o calor que me dá tal melodia.
É o mesmo sonho rebobinando em trilhas diferentes, profundas, que parecem ser mais que um objetivo.
As balelas da vida, que amanhecem e dormem comigo, tomam seu lugar. Não sou daqui porque você também não é.
E como uma punição divina, o sentimento me rompe sem ao menos resistir mais que uns instantes, mais que uma palavra mal-dita. Maldita!
Só transtornos bipolares literais e indiagnosticáveis, uma tolice infantil que alimento para me sentir importante, diferente dos triviais. E não sou. E sei.
Talvez a não-solução de toda a problemática de uma vida seja o anseio dessa sensação. Eterna frustração, eterna infelicidade, eterna perdição (e ao mesmo tempo tão bom).

...mas nada que não teu alimenta-se da dor. 
Surpresa alguma tenho ao perceber, então, que vai morrer de fome. E eu, de solidão.

http://www.youtube.com/watch?v=zh4qvqdOCDE

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Simples imaginável inexistente

Vento quente de uma noite encharcada da chuva de verão. Todos os cheiros, os silêncios, a tv que me acompanha questionam meus pensamentos, dão voltas nos meus ideais.
Imagino o lençol branco amassado, o luar estonteante, as silhuetas de um amor perfeito. Imagino você e nem sei por quê.
Longe da realidade, cada toque nosso é como uma colisão. Cada meio abraço que me dá, um beijo na cabeça, gritam, BERRAM tudo que poderíamos ser. Nos fizemos de possibilidade por não acreditar no que sentimos.
De repente me volta a sensação da paixão, o mesmo sorriso bobo no rosto imaginando situações solucionadoras, o mesmo suspiro. Mas dessa vez escondo, dessa vez eu calo.
É claro mas não se vê, é imaturo mas pode ser real, é inexplicável, sem motivo algum, mas está ali.
Enquanto isso eu me contento com duas palavras, com a brincadeira da troca dos olhares, com nossa vida passando em filme na minha cabeça. Fica mais fácil sendo assim?
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- o que imagino de "Noite e Dia", do meu queridíssimo Lobão