sábado, 26 de dezembro de 2009

Ela sentou-se à mesa e a garrafa a escolheu.
"Clarice, do que você tem mais medo?"
"De três palavras."

domingo, 20 de dezembro de 2009

(?) e filhos

Se eles tivessem me ouvido,
me preferido ao jornal de domingo
Se eles tivessem enxergado
não tivessem cobrado, punindo
Se eles tivessem me abraçado
não tivessem deixado de lado, grunindo
Se eles tivessem me respeitado,
me olhando, me ouvindo
Se eles tivessem me amado,

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Fim do Moinho

No horizonte avistava a já distante tristeza, aquela que antes a consumia, tirava seus sonhos, depremia suas noites. Se antes culpava o azar, agora culpa somente a si por não ter reerguido a cabeça tão antes.
"A vida é mesmo um desafio, e será triste se ,e somente se, quisermos."
Até que estava certa a doutora que a ouvia, preenchia pranchetas, tentava desbravar o mundo das fraquezas de uma menina que construiu seus escudos.
Olhou para o espelho então e, colocando o cabelo que escondia-a por de trás das orelhas, se enxergou e sorriu. Não era mais material, não era mais atingível, era alma e sonho, esperança e desejo.
Deu adeus então a menina de porcelana, fez-se mulher de aço e com o sorriso mais brilhante.
Despediu-se de vez o monstro, despediu-se de vez a Terça-feira.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Ando muito embaralhada...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Idéias soltas

O tempo passava.
Estava tão vidrada no que escrevia que o barulhos das teclas eram mais rápidos ainda que o dos ponteiros do relógio e mais fortes, muito mais fortes que o tempo.
Um violão baixo ao fundo complementava suas palavras, fazia delas sentimentos. Tudo tentando sobrepor aquele vazio, aquela calmaria.
Do calor insuportável que vinha da sua janela, fez-se uma ventania louca que varria as ruas em barulho e quebradeira. Era o momento perfeito.
Sentiu um calafrio com ar de sombrio ou satisfatório, pois-se a escrever cada vez mais rápido, não queria deixar aquele sentimento fugir.
Escreveu em sueco, mas com medo que lesse em noruguês, apagou.
O vento parou, um chuva fria tomou seu lugar e recriou o silêncio.
Pediu três palavras, ela queria escrever mais.

Mudança

O vento batia as portas, fazia barulho nas ruas, era forte, chegava a ser incomodo.
O cheiro da chuva era claro e, logo, chegou. Batia como agulhas finas, leves e frias, finalizando a ventania e tocando um silêncio absoluto que compensava o estardalhaço anterior. Era mais que apenas uma virada do tempo.
Enquanto todos fechavam suas janelas, ela abriu, queria sentir tudo tocá-la. Admirava, sentia, respirava fundo e sorria.
A tempestade agora teria um sentindo diferente. Sorriu novamente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alguma coisa mais feliz

Aos poucos deixava de ser tão deprimida, aos poucos tirava os sorrisos sinistros que lhe serviam como armadura para deixar os verdadeiros, os sinceros. A vida estava, finalmente, reabrindo portas.
As cartas ciganas que havia sacado em seu quarto diziam: é o fim de um ciclo carmático. E ela, não discordando, achava que era o começo de uma nova fase. Mesmo que seus problemas continuassem lá, intactos, presentes.
Talvez tudo tivesse um motivo para ter acontecido. Dizem que nos fortalece, mas, não mais que estranhamente, quase a matou. Mas tudo é passado agora, pó.
Saiu de casa, respirou fundo, caminhou por toda orla. Misturava todos os sentimentos sem se incomodar, andava de cabeça erguida sem se incomodar, sorria sem se incomodar.
Novas oportunidades, novas pessoas, o dia mais claro, tudo tão igual e tão diferente.
Menos solidão, mais um ano. Giovanna.

Sanningen är att jag gillar honom och jag är mycket glad eftersom det började.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sobre o vazio criativo.

Minha poesia, minhas palavras, todas elas são movidas pelo sentimento da mais agonizante e profunda tristeza. O porque não sei, só sei que na felicidade encontro somente o vazio, o vazio da lágrima que se prende, da calmaria. Escrevo por sentir o risco, por ter tudo à flor da pele, por poder controlar com palavras o mundo a minha volta. Com tudo em harmonia não há o que criar, o que modificar, o que confessar semanalmente, quase que religiosamente.
Me desculpem todos, criatividade para mim só a ponto de tomar uma caixa de Prozac.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sem inspiração. Tente mais tarde.

sábado, 7 de novembro de 2009

Confissão de sábado

Silêncio, solidão.
É o que me restou do pecado que não cometi, do amor que não vi e daquele que recusei.
Condenação que mais parece perpétua e, pra quem diz que viver sozinho é crescer, digo que regredi. Da solidão tiro a paranóia, o viver para não aprofundar-me.
Do que me traz de volta ao amor, agora não vejo mais nem ao menos o amante que, de tão latente, de tão aparente, sumiu pois cansou-se de esperar a resposta que já tinha mas, no silêncio, tão parecido com esse de agora, omiti.
Voltar ao tempo me parece a solução. É impossível. Então, sem solução estou.
Para a menina que tanto sonhava, tanto ria, tanto não temia, agora sou o fracasso ou talvez aquilo que sempre fui mas, os sorrisos sinistros que me serviam de armadura esconderam e escondem pra qualquer um que vê, até mesmo de perto. E só piora. Sem ajuda, sem nínguem ao lado, totalmente desamparada.Nínguem ao menos repara ou insiste. Nem ao menos você.
Decepção. Será que comigo, será que com o mundo? Nem sei mais.
(suspiro)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Conto de Bianca

Insegura, media cada vírgula, cada palavra. Não sabia o porque nada parecia espontâneo, o porque ao lado dele tudo era assim tão calculado, o porque não era Bianca.
Um momento de silêncio, um barulho imenso, um coração apertado. Queria falar, mas não podia.
Olhou-o com um canto de olho, assim nada ficaria claro, nada seria suspeito. Quebrou o silêncio, culpou cada palavra, sentiu-se boba. Ele talvez nem tenha notado a euforia, o estardalhaço que preenchia a mudez. Ou talvez tenha, talvez entendeu tudo, decifrou-a por inteiro.
Junto com o amanhecer daquele dia quente, típico de verão, vinha a realidade. O sonho foi se desfazendo, mas não para sempre, certamente.
"Vamos para casa."
Levantou escondendo as gostas de suor, as mãos úmidas.
Ele olhou-a nos olhos, sorriu. Ela sentiu um calafrio extenso, a vontade de gritar.
Chegou em casa, abriu um sorriso a frente do espelho. Nada mais era importante, nem o cabelo desajeitado, nem a maquiagem borrada.
Era Bianca quando saltitava, era Bianca quando imaginava, sonhava, mas também era Bianca quando, por insegurança, deseludia-se e, mais uma vez, varria todas as esperanças para debaixo do tapete já tão sujo e ignorava tudo que havia acontecido.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sem título (entre rascunhos)

Escrevi esse aqui faz pouquinho tempo. Não é muito rico, complexo, mas é algo que realmente quer dizer algo pra mim. Diga que é bobo, pra mim é o bastante.

Do luto que tinha
Quero mais que se façam cinzas
Mas você não vem
E me faz, desesperada, agonizar
Ser sugada pelo seu mistério
O mesmo que seu olhar transmite
E me nega, nega, nega...

Ah, será tão cego ao ponto de não ver
Centenas de declarações a sua frente
Rosas em seu caminho
E pisa como se fossem pedras
E ignora-as como se fosse vento
Que tende a te tocar
Mas não pode vê-lo
Por isso, parece nem existir
E o nega, nega, nega...

domingo, 1 de novembro de 2009

Confissão de domingo

Procurei nele os olhos teus. Não hesitei, nem ao menos feliz estive com isso, somente te procurei.
Após o beijo não senti sua boca, nem ao menos seu cheiro. Desabei então. Desabei em tontura, em enjoô e desmaio. Não era a bebida, aquela que ainda tentava conter minha explosão, era a realidade e a mentira que eu contava para mim mesma, dia após dia (e talvez para você quando omito, em insegurança).
Cheguei ao beco sem saída.
Passei a noite pensando nisso. Acho que minha cabeça nunca pesou tanto afinal, eu seria a última pessoa a me enganar, penso. Era o que minha moral dizia, mas acho que nem essa ao menos existe mais. Quando se ama não existem razões lógicas, pensamentos lógicos, é tudo passivo, emocional e tira do controle até aquela que, no seu inconsciente, jurou de pés juntos depois de uma decepção que nunca mais deixaria que o seu coração a guiasse.
Impressionante o poder que algo que começou assim, do nada, sem sentido, tem sobre todos os meus atos e me assombra. Impressionante! Basicamente um espectáculo da manipulação involuntária, mesmo que, quase sempre, esteja o titireiro ausente. Como me faz agonizar, te querer por inteiro!
Ah! Loucura... tão sem nexo e pessoal quanto as minhas palavras.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Descrição

Sou céu, terra e mar.
Sou uma, sou mil também.
Sou silêncio, barulho, tempestade.
Sou música, poesia, palavras, poemas teus.
Sou pétalas, espinhos.
Sou paz, amor, mistério sou.
Sou o que sou.
E você, quem é?

domingo, 25 de outubro de 2009

A incrível arte de desistir me vem novamente.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Terça-feira

Dor. Dor de ver o tempo passar como um flash, e mesmo assim tão cruel, tão inglório. Não existem soluções, somente problemas, cumulativos e crescentes.
Vida, quero vivê-la! Mas, talvez, não mais a minha.
Meus amigos se preocupam, só digo que evitem esse tipo de sentimento. Eu sei o que acontece comigo, o que estou fazendo e como a vida acaba sem morte física.
Morri, queridos. Morri do pior jeito possível, morri de desgosto pela vida, morri aos poucos, agonizei.
Culpa da justiça que não se faz, culpa do deus que não acredito mais. Culpa. Culpa é o melhor remédio quando posta nos outros.
Me prendi, me acusei, me dei ao sacrifício da suícida que não sou, estou na minha própria prisão e não existem mais saídas ou últimas chances. Estou condenada a pena perpétua ou talvez de morte.
E vivo só.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Despertar da Primavera (inspirado na peça (também))


"Só me abraça agora, esquece tudo."
"Está bem."
Ela olhou fixa nos olhos dele num momento de ternura, simplicidade, de realização. As respirações se encaixavam e tudo se resolvia como um quebra-cabeças.
Ele segurou delicadamente o rosto dela, sorriu.
"Posso te dar um beijo, linda?"
Ela respondeu fechando os olhos e aproximando lentamente o rosto.
Os lábios se tocaram em um beijo quente. Era o ponto final do medo e desejo unidos para iniciar uma bela história. Seria agora a hora.
Os pingos de chuva pareciam complementar o violão baixo e lento que tocava nas mentes dos dois, agora, amantes.
"Eu sempre gostei muito de você."
"Por que você nunca falou, então?"
"Como eu podia imaginar que você era tão louca quanto eu?"
Ela sorriu.
O quarto escuro só deixava um filete de luz evidente, aquele que vinha dos postes da rua, o que criava o cenário perfeito, pois é na ausência da luz, da sanidade, que se deixa o que se sente fluir.
Deixavam somente o tato guiar e mal poderiam crer no que estava acontecendo.
As roupas e os limites sumiam. Nada mais importava além da concretização dessa paixão que, de tão recíproca, era quase inacreditável para os dois.
Era uma noite de vento quente, de chuva fria, de silêncio absoluto no meio do caos. Era a noite de talvez Romeo e Julieta mas era, com certeza, a noite que o universo parou para assistir o que as estrelas já tinham escrito há muito tempo.

Lógico só para mim

Desejo deu frutos
Em cada letra
Do segundo verso
De cada estrofe

Desejo deu frutos
Seis histórias
Vinte poemas
Milhares de pensamentos

Desejo deu frutos
Que somente eu entenderei
A mensagem escondida
Que no mistério se fechará

domingo, 18 de outubro de 2009

O Homem

Ele sentou no bar, tomou mais três copos e caiu em um olhar indefinido, petrificado.
Nada daquilo o fazia feliz, nem a cidade, nem o trabalho e muito menos a chuva que parecia cair só para castigar mais a sua alma. Todo blues do mundo tocava naquele momento. Ele pediu a conta e foi para casa.
No caminho, olhou para as luzes refletidas no mar quase que parado, pensou no que mais o compensaria além dos copos quase que diários.
Cambaleando, pensava voltar para o seu lar, mas a verdade é que do seu lar ele estava longe, e aquilo era só passagem, passagem que mais parecia ponto final.
Do que era um homem de paz, de paciência e bom humor, tornou-se amargo, impaciente, incapaz de se ver completamente satisfeito. Do que era um homem da arte, tornou-se um homem da cidade, do frio asfalto, do caos.
Nada mais triste, nada mais desolador.
Por que, então? Nunca fez sentido, nem faria, mas parecia mais preso a tudo aquilo que uma mosca em teia. Era sufocante.
De amores não tinha mais, dos amigos sentia falta, mesmo que alguns pudessem estar, literalmente, ao seu lado, pareciam tão distantes.
Chegou em casa mau encontrando as chaves. Deitou-se e ficou contemplando a vista na janela antes que caísse no sono da ressaca dos seus desejos deixados, perdidos.
O céu nublado não permitia a visão de nenhuma estrela. Tão cruel negar até o brilho das estrelas.
Abriu o computador para procurar aquilo que não sabia mais o que era e, não encontrou.
Deitou-se. Amanha seria mais um dia, mais uma última esperança para o destino que já parecia definido e não respeitava vontades ou sonhos.
Ah, acordar para que?

sábado, 17 de outubro de 2009

Conto de Julieta (PARTE 3) - FINAL

Desci do apartamento com o sol já se pondo. Andei quilômetros, rodei a cidade. Cada passo um pensamento, cada quilômetro, uma conclusão.
Sentei, então, na mesma areia e na mesma praia que repeti o nome de todos eles três vezes cada. O céu já não era tão estrelado, a brisa do mar já não me trazia segurança. Dessa vez era só eu tentando me descobrir, sem suspiros, sem calafrios, sem paixões, falsas paixões.
Enquanto olhava aquele mar que, de tão escuro, ficava tão junto ao céu, percebi que aqueles últimos três anos da minha vida poderiam ser apagados facilmente. Nenhuma das paixões me fez realmente feliz por mais que momentos apenas, tudo era passageiro. Por isso a troca, as traíções, os abandonos. Era somente uma máscara que eu vestia para me proteger do mundo real.
Tentei por alguns minutos pensar em algum DELES que realmente fizesse diferença, não cheguei a nome algum. Todos foram ótimas pessoas, mas nenhum deles nunca preencheu nem poderia preencher o vazio que eu sentia.
Talvez fizesse isso por imaturidade, pela falta que eu sentia dos meus pais depois que eles se foram, pelo fato de eu nunca ter conseguido encarar um amor, pela vida solitária que levava... Realmente não sei.
Só senti que era hora de ficar só por um tempo, me distanciar do vício.
Voltei para casa com os sapatos na mão e andei todo o meu caminho de volta.
Passaram-se cinco anos desse episódio. Nesse tempo me formei, arrumei um emprego estável, fiz novos amigos e, o mais importante, aprendi a conviver comigo mesma. Se eu me visse sozinha antes, por tanto tempo, talvez tivesse pintado e mudado o cabelo umas 700 vezes mas, de lá pra cá, acho que só mudei duas.
Tudo estava calmo, sem ansiedade, sem confusõs, sem amores ou problemas. Era só eu embarcando num avião para o nordeste, tirando minhas merecidas férias com mais 4 colegas de trabalho.Um belo dia de verão, uma brisa me tocava. A mudança se concluira e o vício nunca mais voltará.

Três anos depois, Julieta casou-se com Thiago, um cozinheiro que conheceu nessa viagem. Dessa vez não era paixão, ela amava pela primeira vez.
 Julieta nunca mais se apaixonou por ninguém,até agora.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Conto de Julieta (PARTE 2)


Naquele momento senti uma naúsea, uma tontera. Era como se a culpa batesse em mim como um tiro quente, e me abateu, me derrubou.
Enquanto o Luíz se ajeitava para tentar dar uma explicação para o amigo, eu fiquei estática.
 Os olhos do Tatu se encheiam de raiva e lágrimas. Foi a última vez que eu o vi.
No dia seguinte ele tinha deixado um bilhete dizendo que eu poderia ficar, que ele daria um jeito de ir para outro lugar e respeitar a minha escolha.
Aquilo acabou comigo, ainda mais. Cada palavra mostrava o quanto ele gostava de mim, o quanto eu fui injusta, mais do que eu pensava e o quanto eu não poderia mais ficar ali.
Arrumei minhas coisas e fui embora.
Enquanto ao Luíz? Eu sumi e nunca mais soube dele.
Fiquei na casa de uma amiga por um tempo até que o apartamento que eu morava, herdado do meu avô, tivesse vazio, sem os inquilinos.
Voltei para o apartamento e parecia que tudo tinha voltado ao marco zero. As paredes vazias, somente o sofá, a cama, os eletrodomésticos. Tudo exatamente como eu tinha entrado há 3 anos atrás. Calmo e, o pior, sem ninguém.
Sentei no chão, bem embaixo da janela, coloquei a cabeça entre as pernas e comecei a pensar o porque parecia tudo estar errado. Devo ter ficado ali por algumas horas até olhar o embrulho deixado pela antiga inquilina com as correspondencias que chegavam e eu não ia buscar.
Abri e, entre os anúncios e catálogos, estava a carta do Yan, meu ex-noivo. Ele falava que não conseguia falar comigo pelo telefone, que estava fazendo um curso na Alemanha, que gostaria de saber como eu estava. Ele deixava no fim da carta o novo telefone dele e um "sinto sua falta.".
Pensei em ligar para ele mas, pela primeira vez na minha vida, tomei uma decisão madura. Não ligaria. Se eu ligasse eu acabaria dando o um jeito de despertar de novo o que eu senti por ele só para me destrair, só apra fugir de mim mesma.
Guardei a carta numa gaveta junto com as outras. Aquilo tinha que parar, não poderia mais associar as minhas paixões loucas à única forma de ser feliz. Era hora de mudança!

CONTINUA...

Quinto Mês

Esse eu achei entre as folhas do meu caderno de física hoje.

Não descansarei em seus braços
As súplicas do meu passado
E as almas penadas do meu presente
Guardarei-te como um diamante

Pois do que ainda não é amor
Não hei de começar além do desejo
Do que te trás aos olhos mel
O reflexo do meu futuro

Hei de admirar cada verso
Dito de suas palavras e respiração
Até que o tempo passe
E faça de ti tão meu
Quanto eu sou sua

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Conto de Julieta (PARTE 1)


Eu tinha 22 anos quando eu percebi que era viciada em paixões.
Estava na praia ao anoitecer, sentei na areia fria, olhei para as estrelas, repeti o nome dele três vezes. Meu coração batia forte e se embrulhava junto com o calafrio que eu sentia dos pés à cabeça. Não era a primeira vez que fazia aquilo, muito menos seria a última e, no fundo, eu sabia. Não gostava dele ou deles, gostava mesmo é do calor da paixão.
Tudo ficou mais claro quando, no ápice do meu noivado, me apaixonei pelo Pedro. Ele nunca teve nada haver comigo, mas eu gostava e me forçava a pensar nele só pra ter aquela sensação de explosão de todos os meus sentimentos juntos. Não importava o quanto o meu relacionamento com o meu noivo estivesse bem, à medida que a rotina foi se juntando ao romance, eu joguei tudo pro alto, olhei para o Pedro só para não cair na mesmisse.
E se você pensa que eu tentei esquecê-lo para salvar meu noivado, está enganado. Esquecê-lo seria terrível. Por isso, enquanto não arranjasse outro ELE pra pensar, me esforçava pra continuar me sentindo como uma boba.
Fiquei tão fora de mim que o meu noivado acabou (e não fui nem eu quem terminou) e, quando olhei em volta, não tinha mais ninguém. O Pedro? Talvez nunca tivesse próximo. Chorei por alguns dias, fazia parte do plano, fazia parte da minha paixão fulminante que nem mais existia.
Passei um tempo me embebedando por aí e tentando mudar de personalidade, assim como mudei cinco vezes a cor do meu cabelo.
Dois meses se passaram, conheci o Tatu. Não precisei nem de uma noite com ele para me declarar oficialmente apaixonada. O Tatu também não era nada parecido comigo. Enquanto eu ouvia HardRock e usava camisetas estampadas, ele ouvia MPB e se vestia com um tecido bem parecido com o pano de prato aqui de casa. Conclusão: em menos de uma semana eu me tornei a maior hippie ouvinte de MPB que eu conhecia.
Minha história com o Tatu até que deu certo, exceto pelas rodas de samba que eu não suportava. Mas estava tudo bem desde que eu continuasse alucinada por ele.
Foi quando, no quinto mês de namoro, eu fui morar com ele. A casa dele nem era tão ruim, o problema era que nós dividiamos com mais dois amigos dele, também vindos do Espírito Santo para estudar aqui. O primeiro mês foi tranquilo, todos nós nos dávamos bem, a casa era uma bagunça, mas nada era desconfortável.
Até o dia que o Tatu foi viajar para ver a família e só ficaram eu e um dos amigos dele no apartamento. Na primeira noite, bebemos algumas latas de cerveja, jogamos cartas e, para o meu eterno azar, o papo estava ótimo.
Não deu em outra. Passei o resto da noite olhando para a janela, sentido aquele vento de verão me tocar e, lá estava eu pensando no Luíz, meu colega de apartamento, o único ali.
O dia seguinte não foi nada menos do que o esperado (pra mim). Depois de mais cervejas, mais cartas e mais conversas, dormi com ele. Estava tudo perfeito, o clima, a noite, nós dois.
Tatu chegou logo pela manhã, me trouxe milhares de presentes. Mas, nada daquilo me impressionava mais, tudo o que vinha na minha cabeça me falava "Luíz, Luíz, Luíz".
Umas semanas depois, em uma das vezes em que me via sozinha com meu mais novo brinquedo, me deitei novamente com ele. O Tatu chegou minutos depois do ato ser concretizado e se deparou com aquela cena na sua frente: o melhor amigo e sua namorada juntos. Ele não merecia isso.

CONTINUA........

domingo, 11 de outubro de 2009

Aprendendo a ouvir, sentir, e depois escrever.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais cinco letras


Lembro-me ainda daquelas noites de inverno. Eis que entra aquela saudade em cena.
Queria tanto voltar no tempo, vivê-lo por cada mísero segundo, prestar atenção em cada letra das suas palavras. Acho que foi a época mais feliz da minha vida, aquilo que poderia ser a compensação de todos os tombos e tropeços da minha história indigna. Não sorria por algo extrordinário, sorria simplesmente porque ali existia um sentimento verdadeiro em mim, latente nele. Mesmo que nada daquilo me fosse permitido.Eu era comprometida, ouro no dedo direito e ele, bem, estava lá e parecia não enxergar nada do que estava acontecendo, éramos sós num mundo cheio de complicações ao nosso redor.
Lembro-me das conversas, dos gestos que nos aproximavam, daquele grito de extrema felicidade contido com um frio na barriga (acho que chamam isso de paixão). Não sei nem como essa tal senhorita, tão sorridente, tão intrigante, tão dominadora, entrou na minha mente e te fez fixo em meus olhos. Foi curioso até, surgiu das cinzas, sem justificar-se.
Queria poder olhar nos olhos dele, aqueles que me mergulhavam, que me encaravam em brilho, olhar mais uma vez e o flagar me notando, me desfazendo,me despindo. Era tão doce e eu amava.
A vida real voltou, o inverno passou. Me desfiz da aliança que me trazia a solidez mas, que nada perto do que sentia por ele, me trazia, e o esperei, esperei, esperei.
Ando vacilante enfim, talvez com um, dois ou três, todos tentando buscar o que encontrei em ti, todos pra me convencer que é melhor te deixar pra trás, foi só um inverno e eu, eu só te fui passagem.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

nuvem
nuvem

vida

d
e
s
e
s
p
e
r
o

morte. multidão.
Falas de tudo
Do que me diz respeito
Do que te diz respeito
Mas nunca do que nos diz respeito.

Máscara de Ferro


Meu amado sempre foi um bom companheiro. Me trazia flores, me buscava todo dia no trabalho, dizia que me amava todo minuto e tinha um ciúme bobo e infundado de toda e qualquer pessoa que se aproximasse de mim. Quando ficamos noivos, e isso foi pouco antes do término , mesmo sabendo que eu não o amava mais, eu tentei e tentei... Afinal, onde  poderia arranjar algúem assim? Ele podia não ser muito bonito, feio até, e, muitas vezes, mostrava não ter um terço da cultura e da dinâmica de mundo que eu tinha. Mas eu tentei, porque algo ali tinha valor e me dizia que ainda valia a pena lutar um pouquinho.
Durante algumas semanas me esforcei ao máximo até o dia que consegui olhar para ele e sentir denovo aquela vontade de que o tempo passasse bem devagar, só para que nós dois pudessemos ficar juntinhos. Me lembro até de um domingo que, sem ninguém em casa para atrapalhar, nos amamos sem precauções. Não foi o sexo em si, mas o jeito em que, pela última vez, nos olhamos, nos abraçamos e nos procuramos um no outro. Foi uma noite bela! Ah, se foi! Depois daquele dia não direi que não percebi nada de diferente, mas nunca teria idéia do que estava por vir. Ele estava distante, mas não tão distante que um beijo não pudesse trazê-lo devolta ao meu planeta.
Uma semana depois ele bateu na minha porta e disse que estava tudo acabado. Me foi tirado o chão naquele momento e por exatos 6 dias. Joguei a aliança nele, saí correndo para dentro e fiquei me questionando o porque daquilo tudo. Prometemos que seríamos amigos, melhores amigos. Por um tempo, depois do fim, achei que poderia até dar certo, já não sentia falta dele (afinal, se foi um esforço voltar a gostar dele, seria simples esquecê-lo) e as conversas fluíam normalmente e sem ressentimentos.
Mas eis que chega a máscara de ferro. Aquela cela fria e desonrosa na qual ele se esconde quando está muito pior do que pensa. Nesse esquema louco, ele vira outra pessoa: finge que está por cima da situação, ser o Don Juan, o forte. Mas a verdade é que é imaturo e tão fraco que dói.
Até a voz dele, o jeito de falar, tudo é diferente. Tudo uma auto-defesa, tudo um jeito de tentar se iludir com um mundinho que ele cria. Já tentei conversar com ele sobre isso, mas ele me responde como se aquilo tudo fizesse sentido . E realmente faz, por enquanto. Acho mesmo que no fundo ele sabe o que está fazendo, e o faz porque acredita que, quando precisar, pode tirar a máscara. Não é bem assim, dessa vez ele não vai poder correr de volta para mim.
Um dia, quando ele finalmente crescer, talvez veja o quanto isso o derruba cada vez mais. Mas enquanto ele continua fazendo joguinhos com ele mesmo, cresci, relevei, me apaixonei e achei uma pessoa que corresponde bem mais às minhas espectativas.
De tudo isso, o que mais dói não é o amor desesperado que não tenho. É, simplesmente, ver que aquele que eu pensava conhecer, por alguma bobagem qualquer transformar-se outra pessa, deixar se corromper pelo mundo, tornando-se mais um. Era uma vez um grande homem, mas é muito difícil ser assim, tornou-se um menino então. Pena.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Confissão de sexta

Ele me pareceu sempre tão acessível. Me falava sobre os sonhos, as aspirações, seus segredos e temores. Passavam-se horas de confissões cuidadosas, recíprocas, e sempre imaginava que amanhã, ou talvez depois (mas sempre em futuro próximo), algo poderia ocorrer. E alimentava aquela paixão, fazendo com que ela saísse do meu controle e da simples brincadeira de conjugar uma ou duas vezes o tal do verbo "amar". Cresceu.
Eu tentava, realmente tentava muito deixar tudo claro dentro de uma omissão sem fim. Mas nada mudava, era como se pudesse ver, como se, em um minuto, conseguisse sentir o cheiro da realidade. Foram meses e meses de medo e desejo unidos, em palavras, gestos, risos, canções e filmes.
Um belo dia, sem mais nem menos, tudo parou. E fui aceitando tudo, literalmente. Aceitei a aliança de ouro que o outro colocou em meu dedo, temendo o futuro ao me ver cada vez mais distânte dele e, perto de um outro amor Aceitei o silêncio, ainda mais que antes. Aceitei a indiferença.
Abondonei noivo, reconstruí minha vida, espero por você. Nada é como antes e, aposto, até hoje não sabe que te amo. Tolo.

Lizzy's (Frivolous)

"To me, his ways of thinking were always frivolous. Almost comical. His obsession with that book. He'd read all 150 pages of it every night, after his usual cup of peach tea and before brushing his teeth, at 11 p.m. It took him about one hour to read it, and I'd sit and watch and drink tea. And when he'd finish the book, he'd look up, a look of satisfaction and a childish smile on his face. This went on for about two weeks. Have you become sick of the book?, I asked him. No, said he, I just want to read something else. And he did. In French.

But that book was still his favourite. He kept it on his bedside table, and he'd put his glasses over it before sleeping. It was a book about two people who'd never met, but were seeking for the same thing, or something. There was a lot of symbolic stuff on that book, I remember he'd ask me what the meaning of this or that was.

Sometimes, he really was frivolous. He'd laugh at something for hours, and when he finally stopped laughing, he couldn't remember what it was that set him off in the first place. Sometimes, this annoyed me.

I suppose we were in love. I was in love with his frivolity and he was in love with my matter-of-factness. We had been together for a great deal of time, and lived together for a while, and we knew each other pretty well and were comfortable with each other. I suppose it was love.

Either that, or comfort.

I like to believe it was love, before he left."

Sexta-Feira.

Sentou ao lado dos operários uma menina que esperava seu ônibus. Encolhida, não de frio, olhava para as próprias pernas e para as mãos apertadas. Os operários liam um jornal barato. Na capa, "Menina abusada dos onze até os 14".
Os operários de sotaque estranho, roupas sujas, opinavam. A menina, quieta.
Na notícia não se revelavam os nomes. Era A.. Era P..
A menina ensaiou o choro. Os operários jogaram o jornal por cima do banco e embarcaram no ônibus.
É difícil manter o silêncio. É difícil ver sua vida em papel, exposta.
A. foi para casa.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


agora estavam os dois, deitados na areia, olhando para uma imensidão de estrelas ofuscadas pelas luzes de uma cidade grande. Podiam sentir o cheio da maresia, uma ligação entre suas almas naquele momento. Ela suspirou, colocou na face um sorriso sincero que parecia petrificado, incapaz de ser desfeito. Ele, talvez temendo o que ali se iniciaria, lentamente se aproximou dela. Aos poucos, envolvidas pela ventania misteriosa, as mãos iam se aproximando. Era como se o mundo tivesse parado naquele instante para assisti-los, até mesmo as buzinas que se ouviam da pista de carros pareciam mudas. Era o universo a platéia.
     As mãos se encostaram e os dois pensavam somente no próximo passo, no beijo ou no silêncio. Nenhuma palavra foi dita por minutos, até que se cruzaram os olhares. Ele sorriu, ela sorriu, os corações despararam. Ele aproximou o rosto no dela até que, num beijo terno, concluiram sua louca ligação, um beijo amoroso, de um amor omitido por muito tempo, um beijo de desabafo.
     O envolvimento era inevitável, como se de outras vidas viesse esse amor que demorou tanto pra se concretizar. Ele pousou o corpo sobre o dela. Surgiu desejo? Sim. Mas naquele momento o que os movia era somente a vontade de dar sentido as inúmeras conversas, as inúmeras vezes em que tudo ficava, simplesmente, no ar, incerto. As repirações se encaixavam, os calafrios, as sensações...
E ela acordou. O desperador foi desligado, cartela esvaziada. Ela queria voltar a sonhar.
Tempos de fotossíntese.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Tive um sonho
Ah! E acordei querendo dormir
Só para ver aquilo tudo se repetir

Você, meu querido
Deitava, me abraçava
Dizia que a mim pertencia

Eu chorava, ria
Te amava, te engolia
Cada pedaço, cada ossinho

Nós nos amavamos
Conversavamos
Olhavamos para as estrelas

Acordei.

Mensagem Escondida

Quero fazer um poema de cinco estrofes
Para esconder seu nome nele
Como uma mensagem enrolada em uma garrafa
Jogada ao mar, esperando ser encontrada
Ou por você ou por mais ninguém

Quem sabe um dia então
Acolhida em seus braços
Eu tenha coragem de te mostrar
Todas as mensagens escondidas
Que plantei por aí

Mas enquanto não me encoraja
Beijarei o papel
E ficarei em silêncio

Pois declarar-me seria prematuro
Lentamente, então, hei de te conquistar
Com cada palavra e idéia que vier na minha mente

Quero fazer um poema de cinco estrofes
Olhando para o futuro
Sem me preocupar se ele há de existir

Desejo

É e sempre será desejo
Pois foi da carne que em mim nasceu
A busca por seus beijos
Do tanto que guarda desse mundo
Que me dá sede de estar ao seu lado
De ouvir todas as palavras
Embaralhando minhas memórias e esperanças nas tuas

Me olha e sente o mesmo?
Pois vejo fogo
Que queima e tira do controle
Mas há de ser só chama
Que se alimenta mas apaga, visto que temos destinos diferentes
Lugares
Caminhos
Mas, mesmo assim, os mesmos gostos
E paixao pela vida

É e sempre será desejo
Que nasceu alucinante
Esquentando e sendo insaciável
Até que se prove da carne
Até que se mate a cobiça
E garanto que, deste dueto, amor nunca te virá.

Silêncio

Amo-te, mas em silêncio
Pois meu amor é um grande erro
Seja moral, seja psicológico
E não faz sentido algum
E surgiu sem razão alguma

Queria poder te promete
Somente o Desejo,
Esse, sim, talvez correspondido,
O fogo de palha

Mas vejo-te na minha frente
Nas músicas
Nos filmes
Nas paísagens
Nas minhas palavras

Amo-te, mas em silêncio
Pois descobri, para meu eterno azar,
Que minha fome não é só de carne.
Triste fome.
Loucura.
desejo

admiração

amizade

paixão

???

Um amor

Eu quero viver um amor
Que me coloque de pernas pro ar
Que me faça saltitar pela casa
E suspirar pelos cantos

Eu quero viver um amor
Que me guie nas minhas fraquezas
Que me desnortie durante a noite
E que me envolva em um abraço terno
 Eu quero viver um amor que rasgue as teorias
Que me olhe de manhã à noite
Que tire meus medos
E que me faça sentir viva

Eu quero viver um amor além do substântivo
Que não se resuma em letras
Que não se encontre em dicinários
E que te descreva a cada tentativa

Fim

Virgem há de ser meu amor
Da dor que tenho ao ver passar o tempo
E se acabar
Ao ver-me entregue
Ao ouro da aliança de outro
Que me promete solidez
Mas que me traz a solidão

Triste há de ser este final
Do que nunca começou
Mas que em mim viveu
Nasceu morreu
Sorriu e ficou
E se despede rapidamente
Pois a espera o matou

Nova será esta necessidade
De vingar-me com silencio
E indiferença
Quando ao fundo tenho-te
Para abraçar-me e não para
Questionar-te do porque
A lua que olhamos tanto
Hoje é gélida e escurecida
E já não encanta mais.
Decidi selecionar as merdas poesias do bloqueado pra esse.
Mas não me venham com euforia, só vou colocar aquelas mais lights.