Remói em mim
O sentimento mais triste
Se ao vê-la partir,
Assim, aos pouquinhos
Já dói um bucado
Imagina quando partires
Sem me deixar ensinado
Ao menos metade do que viveu
Se para ti a vida é passageira
Para mim nunca se tornará passagem
Nem os sorrisos, nem as tristezas
Que vivi, mesmo que tão pouco,
Ao seu lado
Por isso deixo aqui
Em perdidas palavras
O amor que tenho por você, vó
A minha admiração
E o seu imortal legado.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Desistência
Esqueça o que eu te falei
O esforço que fiz
A vontade de tê-lo aqui
A saudade
Esqueça o que foi
Se pra você não foi
Esqueça, simplesmente esqueça
A nossa amizade
Esqueça
Pois queria ter dito
Que de tudo,
Algo adiantou
Esqueça
Esqueça
Esqueça
Esqueça
Esqueça
de mim.
O esforço que fiz
A vontade de tê-lo aqui
A saudade
Esqueça o que foi
Se pra você não foi
Esqueça, simplesmente esqueça
A nossa amizade
Esqueça
Pois queria ter dito
Que de tudo,
Algo adiantou
Esqueça
Esqueça
Esqueça
Esqueça
Esqueça
de mim.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
A volta de Julieta (Parte 2)
Enquanto ele ia para a cozinha pegar todos os elementos possíveis para uma boa ressaca no dia seguinte, reparei numa estante cheia de cd's antigos.
"Los Hermanos, Lô Borges, Raimundos..."
"Escolhe algum e coloca no som de cima, só tem que fechar a tampa bem forte!"- berrava da cozinha.
"Nossa, Nenhum de Nós... esse aqui era meu!"
"Se você quer saber, não foi a única coisa que você deixou aqui."
"Pode parar de gracinhas, nem foi tanta coisa assim... Tem que fechar a tampa forte, então?"
Lembro exatamente a razão da compra daquele disco. Foi numa das nossas primeiras conversas, quando a gente ainda saía sem compromisso algum. Eu não gostava de Nenhum de Nós, mas queria tanto entender o que passava pela mente daquele rapaz tão interessante que comecei a ouvir e acabei comprando para me fazer de entendida. O pior? Gostei tanto que sei todas as letras até hoje.
Acústico Ao Vivo, volume dois, faixa três. Tão adepto ao momento! Nenhum de Nós, sempre tão adepto à nossa tumultuada história...
"Por que você não disse que viria, logo agora que eu tinha me curado das feridas que você abriu quando se foi..."- cantarolou da cozinha
"Pensei que eu era a única que lembrava das letras!"
"Não é só porque tava no fundo da prateleira que eu deixei de ouvir. Além do mais, você sempre gostou dessa música."
"Eu era muito diferente, né?"
"Se tivesse mudado tanto assim não botaria na mesma faixa."
"Eu era muito imatura..."
"Nunca achei."
"Você talvez seja uma das pessoas que tenha mais o direito de me chamar do que quiser..."
"Ju, o que aconteceu foi fato isolado, sempre tive certeza disso, por isso que nunca te culpei de nada, nem nunca perdi a admiração por você. É claro que demorou um tempo para eu me ajustar, mas eu entendo tudo que você fez, mesmo."
"Você fala como se não fosse nada! Eu pensei que você nunca fosse me perdoar, até porque eu não merecia ser perdoada."
"Isso já foi há tanto tempo. Além do mais, não te telefonei para tirar satisfações sobre o que aconteceu entre você e o Luíz, eu queria só relembrar os velhos tempos, conversar, beber... Não precisamos falar mais disso, Julieta."
"Está certo."
Não podia esconder mais a minha curiosidade. Esse negócio todo de relembrar os velhos tempos era muito vago. Ninguém corre tanto atrás de uma "saidinha" assim, boba. Mais uma vez todos os atos dele me confundiam. Rompi o silêncio...
"Por quê você me ligou?"
"Já falei! Queria te ver..."
"Não é isso, não pode ser!"
"Por quê não pode ser?"
"Você sempre foi assim, sempre deixou alguma coisa ou outra nas entrelinhas, nunca falava nada por inteiro. Ainda pouco você me falou várias coisas que me fizeram entender que o que você queria não era só me ver, conversar, fingir que somos bons amigos e só. Essa separação já deixou minha cabeça na lua, não é justo você criar mais confusão!"
"Eu não quero isso, juro. Eu também estou muito confuso."
"Confuso com o que? Isso que eu quero saber!"
'Eu vivo lembrando de você, não sei, não tenho explicação. Então eu resolvi te procurar por todos os meios possíveis pra ver se tudo aquilo que eu senti era só pela sua memória ou por quem você é hoje..."
"E o que você viu?"
"Já disse, você não mudou tanto assim..."
Então era isso que eu queria ouvir, mas agora eu não sabia o que responder. Todo aquele discurso parecia sempre tão ensaiado na minha cabeça,então o momento me deixou sem palavras. Eu não queria correr mais um risco, machucá-lo denovo. Eu me conhecia o suficiente para saber que aquilo nunca iria dar certo, não é?
"Acho que a gente poderia tentar denovo..."
"Quer mesmo, Ju?"
"Você não?"
"É claro! Mas você não quer nem pensar mais?"
Minha inpulsividade não permitiria que eu pensasse mais um minuto. Era como se aquela nova paixão pudesse curar toda a minha vida, pudesse dar razão a ela. Mais uma vez eu sabia o que ocorria comigo, sabia onde eu estava me metendo, e não fiz nada para impedir. Absolutamente nada.
CONTINUA.
"Los Hermanos, Lô Borges, Raimundos..."
"Escolhe algum e coloca no som de cima, só tem que fechar a tampa bem forte!"- berrava da cozinha.
"Nossa, Nenhum de Nós... esse aqui era meu!"
"Se você quer saber, não foi a única coisa que você deixou aqui."
"Pode parar de gracinhas, nem foi tanta coisa assim... Tem que fechar a tampa forte, então?"
Lembro exatamente a razão da compra daquele disco. Foi numa das nossas primeiras conversas, quando a gente ainda saía sem compromisso algum. Eu não gostava de Nenhum de Nós, mas queria tanto entender o que passava pela mente daquele rapaz tão interessante que comecei a ouvir e acabei comprando para me fazer de entendida. O pior? Gostei tanto que sei todas as letras até hoje.
Acústico Ao Vivo, volume dois, faixa três. Tão adepto ao momento! Nenhum de Nós, sempre tão adepto à nossa tumultuada história...
"Por que você não disse que viria, logo agora que eu tinha me curado das feridas que você abriu quando se foi..."- cantarolou da cozinha
"Pensei que eu era a única que lembrava das letras!"
"Não é só porque tava no fundo da prateleira que eu deixei de ouvir. Além do mais, você sempre gostou dessa música."
"Eu era muito diferente, né?"
"Se tivesse mudado tanto assim não botaria na mesma faixa."
"Eu era muito imatura..."
"Nunca achei."
"Você talvez seja uma das pessoas que tenha mais o direito de me chamar do que quiser..."
"Ju, o que aconteceu foi fato isolado, sempre tive certeza disso, por isso que nunca te culpei de nada, nem nunca perdi a admiração por você. É claro que demorou um tempo para eu me ajustar, mas eu entendo tudo que você fez, mesmo."
"Você fala como se não fosse nada! Eu pensei que você nunca fosse me perdoar, até porque eu não merecia ser perdoada."
"Isso já foi há tanto tempo. Além do mais, não te telefonei para tirar satisfações sobre o que aconteceu entre você e o Luíz, eu queria só relembrar os velhos tempos, conversar, beber... Não precisamos falar mais disso, Julieta."
"Está certo."
Não podia esconder mais a minha curiosidade. Esse negócio todo de relembrar os velhos tempos era muito vago. Ninguém corre tanto atrás de uma "saidinha" assim, boba. Mais uma vez todos os atos dele me confundiam. Rompi o silêncio...
"Por quê você me ligou?"
"Já falei! Queria te ver..."
"Não é isso, não pode ser!"
"Por quê não pode ser?"
"Você sempre foi assim, sempre deixou alguma coisa ou outra nas entrelinhas, nunca falava nada por inteiro. Ainda pouco você me falou várias coisas que me fizeram entender que o que você queria não era só me ver, conversar, fingir que somos bons amigos e só. Essa separação já deixou minha cabeça na lua, não é justo você criar mais confusão!"
"Eu não quero isso, juro. Eu também estou muito confuso."
"Confuso com o que? Isso que eu quero saber!"
'Eu vivo lembrando de você, não sei, não tenho explicação. Então eu resolvi te procurar por todos os meios possíveis pra ver se tudo aquilo que eu senti era só pela sua memória ou por quem você é hoje..."
"E o que você viu?"
"Já disse, você não mudou tanto assim..."
Então era isso que eu queria ouvir, mas agora eu não sabia o que responder. Todo aquele discurso parecia sempre tão ensaiado na minha cabeça,então o momento me deixou sem palavras. Eu não queria correr mais um risco, machucá-lo denovo. Eu me conhecia o suficiente para saber que aquilo nunca iria dar certo, não é?
"Acho que a gente poderia tentar denovo..."
"Quer mesmo, Ju?"
"Você não?"
"É claro! Mas você não quer nem pensar mais?"
Minha inpulsividade não permitiria que eu pensasse mais um minuto. Era como se aquela nova paixão pudesse curar toda a minha vida, pudesse dar razão a ela. Mais uma vez eu sabia o que ocorria comigo, sabia onde eu estava me metendo, e não fiz nada para impedir. Absolutamente nada.
CONTINUA.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A volta de Julieta (Parte 1)
Essa história seria uma "quarta parte" do Conto de Julieta . Nunca fiquei totalmente satisfeita com o final que dei para essa personagem, por isso decidi dar uma nova chance à imaginação e torná-la mais coerente. Aí vai! Espero que gostem...
Recebi o telefonema e não sabia se ficava mais surpresa pelo fato dele lembrar de mim ou de ter conseguido o meu telefone depois de mudá-lo umas 12 vezes. Talvez eu me precipitei em aceitar o convite dele para sair, mas o que está feito, está feito. Depois de uma separação tão traumática eu precisava relaxar, mesmo que isso me trouxesse à tona todo um passado.
Cheguei mais cedo que ele, como sempre. Tudo continuava igual naquele bar, o mesmo ladrilho branco, a mesma mesa manca, o mesmo banheiro mau-cheiroso... Fazia tempo que eu não me sentia tão confortável, foi como voltar à minha juventude que, depois do casamento fracassado, me parecia muito distante.
Por um joguete do destino, ele também não tinha mudado nada. A barba continuava por fazer, a camisa ainda desbotada de alvejante (coisa que ele nunca aprendeu a usar), e juro, até mesmo a calça era igualmente larga e gasta. Enquanto ele andava em minha direção um filme todo passara na minha cabeça.
Sorriu ao me ver e sentou-se bem ao meu lado, isso mesmo, ao meu lado em uma mesa para dois. Me assustei e logo ele se justificou: "Ainda tem um buraco no meu lugar.". Não faria mal então, certo?
Ao contrário do que as roupas diziam, ele contava que estava empregado há cinco anos, ganhando muito bem e que agora morava sozinho, num apartamento que ele alugava enquanto juntava dinheiro para comprar o seu.
"E você, que fim levou?"
"Voltei há alguns meses para o apartamento do meu avô."
"Sempre gostei de lá."
"Eu não", ri para disfarçar minha vergonha e, embaraçado,ele mudou o assunto para um pior ainda.
"Você casou, né? Um tal de Thiago, eu soube. Como está tudo?"
"Não está. Me separei, ele foi para Portugal."
Claro que não cabia falar que ele havia me traído com a gerente do restaurante dele, minha melhor amiga por acaso, e que não cogitou ao receber o convite para Portugal com ela, abrir uma filial do restaurante que eu ajudei a construir. Fazer o quê? Devia ser vingança da vida.
A conversa mudou ainda mais rápido que a anterior e fluíu até o bar esvaziar e nos sentirmos envergonhados o suficiente para pedir a conta e procurar outro lugar. Surpresa ou não, esse outro lugar seria a casa dele.
Aceitei por aquilo não estar fazendo sentido algum desde de a hora que ele me telefonou e nenhuma atitude que eu tomasse naquele momento mudaria o teor da noite.
Cheguei e sentei no sofá vermelho, o mesmo que eu havia tingido por achar que o azul-celeste doia meus olhos, e abrimos mais umas seis latas de cerveja.
"Você está mais resistênte.", riu.
"Deve ser por que eu nunca bebi com tanta frequência."
"Buscando afogar as mágoas na bebida, Ju?"
"Pelo visto você também, né?"
"É que faz tempo que não acho alguma coisa melhor que cerveja."
"E alguém melhor, você achou?"
"Desde você? Ninguém que valesse a pena..."
O silêncio invadiu a sala. Não podia deixar assim, o silêncio sempre foi perigoso para mim.
"Como te chamam agora?"
"Só de Felipe mesmo,e no trabalho é sr. Campos."
"Sr. Campos, é? Bate até estranho no ouvido!", briquei.
"Também não é assim, sra. Lins."
"Isso, só Lins mesmo..."
"Mais uma? Ainda têm várias na geladeira."
O silêncio se desfez, para a minha sorte, mas os olhares continuavam perigosos...
CONTINUA.
Recebi o telefonema e não sabia se ficava mais surpresa pelo fato dele lembrar de mim ou de ter conseguido o meu telefone depois de mudá-lo umas 12 vezes. Talvez eu me precipitei em aceitar o convite dele para sair, mas o que está feito, está feito. Depois de uma separação tão traumática eu precisava relaxar, mesmo que isso me trouxesse à tona todo um passado.
Cheguei mais cedo que ele, como sempre. Tudo continuava igual naquele bar, o mesmo ladrilho branco, a mesma mesa manca, o mesmo banheiro mau-cheiroso... Fazia tempo que eu não me sentia tão confortável, foi como voltar à minha juventude que, depois do casamento fracassado, me parecia muito distante.
Por um joguete do destino, ele também não tinha mudado nada. A barba continuava por fazer, a camisa ainda desbotada de alvejante (coisa que ele nunca aprendeu a usar), e juro, até mesmo a calça era igualmente larga e gasta. Enquanto ele andava em minha direção um filme todo passara na minha cabeça.
Sorriu ao me ver e sentou-se bem ao meu lado, isso mesmo, ao meu lado em uma mesa para dois. Me assustei e logo ele se justificou: "Ainda tem um buraco no meu lugar.". Não faria mal então, certo?
Ao contrário do que as roupas diziam, ele contava que estava empregado há cinco anos, ganhando muito bem e que agora morava sozinho, num apartamento que ele alugava enquanto juntava dinheiro para comprar o seu.
"E você, que fim levou?"
"Voltei há alguns meses para o apartamento do meu avô."
"Sempre gostei de lá."
"Eu não", ri para disfarçar minha vergonha e, embaraçado,ele mudou o assunto para um pior ainda.
"Você casou, né? Um tal de Thiago, eu soube. Como está tudo?"
"Não está. Me separei, ele foi para Portugal."
Claro que não cabia falar que ele havia me traído com a gerente do restaurante dele, minha melhor amiga por acaso, e que não cogitou ao receber o convite para Portugal com ela, abrir uma filial do restaurante que eu ajudei a construir. Fazer o quê? Devia ser vingança da vida.
A conversa mudou ainda mais rápido que a anterior e fluíu até o bar esvaziar e nos sentirmos envergonhados o suficiente para pedir a conta e procurar outro lugar. Surpresa ou não, esse outro lugar seria a casa dele.
Aceitei por aquilo não estar fazendo sentido algum desde de a hora que ele me telefonou e nenhuma atitude que eu tomasse naquele momento mudaria o teor da noite.
Cheguei e sentei no sofá vermelho, o mesmo que eu havia tingido por achar que o azul-celeste doia meus olhos, e abrimos mais umas seis latas de cerveja.
"Você está mais resistênte.", riu.
"Deve ser por que eu nunca bebi com tanta frequência."
"Buscando afogar as mágoas na bebida, Ju?"
"Pelo visto você também, né?"
"É que faz tempo que não acho alguma coisa melhor que cerveja."
"E alguém melhor, você achou?"
"Desde você? Ninguém que valesse a pena..."
O silêncio invadiu a sala. Não podia deixar assim, o silêncio sempre foi perigoso para mim.
"Como te chamam agora?"
"Só de Felipe mesmo,e no trabalho é sr. Campos."
"Sr. Campos, é? Bate até estranho no ouvido!", briquei.
"Também não é assim, sra. Lins."
"Isso, só Lins mesmo..."
"Mais uma? Ainda têm várias na geladeira."
O silêncio se desfez, para a minha sorte, mas os olhares continuavam perigosos...
CONTINUA.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Ciúme literário
Há questionamentos em sua cabeça
Pois assustam as minhas palavras
Reinventam uma realidade
Que passa por ti
Parecem insuficientes
Os sinas das nuvens
As ventanias que nos alarmam
Que temos o verdadeiro amor
Não confunda, querido
O que aqui é colocado
Para imaginar que do passado
Resta mais que a memória
Apenas seja fiel
As palavras que lhe digo
Hão de ser seu consolo
Toda vez que enciumado me lê
Você diz não gostar
Não admitir o que fora
As estradas que percorri
Ou os encantos que tive
Não venho aqui repreendê-lo
Pois em sua situação
É incerto que agiria diferente
Tendo que somos tão semelhantes
Mas talvez possa ver
O quando é besteira sua
Lendo as letras
Que iniciam o terceiro verso
De cada estrofe deste poema.
Pois assustam as minhas palavras
Reinventam uma realidade
Que passa por ti
Parecem insuficientes
Os sinas das nuvens
As ventanias que nos alarmam
Que temos o verdadeiro amor
Não confunda, querido
O que aqui é colocado
Para imaginar que do passado
Resta mais que a memória
Apenas seja fiel
As palavras que lhe digo
Hão de ser seu consolo
Toda vez que enciumado me lê
Você diz não gostar
Não admitir o que fora
As estradas que percorri
Ou os encantos que tive
Não venho aqui repreendê-lo
Pois em sua situação
É incerto que agiria diferente
Tendo que somos tão semelhantes
Mas talvez possa ver
O quando é besteira sua
Lendo as letras
Que iniciam o terceiro verso
De cada estrofe deste poema.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Dedicado a um amigo leitor
Não é mais um texto de amor, eu digo. Existe em mim algo que no ser humano resplandece ainda mais que os velhos coxixos das paixões de Marina, Julieta, quem for.
Não medirei palavras ao descrever o que explode em minha mente, a mistura de um alívio em saber que tenho-te agora sob a vista da qual nunca tinha de ter desviado. Não há poesia no que não há chama? Veremos.
Tento aqui colocar o mesmo nome que tanto escrevi com canetas de fogo em papel de seda, valioso, a ser conservado.
Deve ser uma decepção ás minhas palavras tristes poder chamá-lo de amigo então, mas a mim não importa o que pensam essas damas, elas não foram convidadas para essa festa. Aqui, nessas linhas, elas não são bem-vindas.
Estranho te rabiscar em fundo tão claro, que nem minhas palavras parecem, mas agora serão...
Enfim eu soube, enfim você soube. Enfim está tudo bem com as cinco letras, em meu pensamento elas voltarão ao seu lugar original, onde são tão queridas quanto, de onde elas nunca deveriam ter saído.
Não medirei palavras ao descrever o que explode em minha mente, a mistura de um alívio em saber que tenho-te agora sob a vista da qual nunca tinha de ter desviado. Não há poesia no que não há chama? Veremos.
Tento aqui colocar o mesmo nome que tanto escrevi com canetas de fogo em papel de seda, valioso, a ser conservado.
Deve ser uma decepção ás minhas palavras tristes poder chamá-lo de amigo então, mas a mim não importa o que pensam essas damas, elas não foram convidadas para essa festa. Aqui, nessas linhas, elas não são bem-vindas.
Estranho te rabiscar em fundo tão claro, que nem minhas palavras parecem, mas agora serão...
Enfim eu soube, enfim você soube. Enfim está tudo bem com as cinco letras, em meu pensamento elas voltarão ao seu lugar original, onde são tão queridas quanto, de onde elas nunca deveriam ter saído.
sábado, 24 de julho de 2010
Cinzas
Deve ter algum motivo, algo muito forte, que não faz com que eu te esqueça.
Não deve ser mais o seu olhar, não deve ser mais o jeito que você cuidou e falava comigo. Deve ser algo que eu ainda não subtraí, que ficou entranhado no nosso amor entrelinhas, talvez seja.
Não ouço mais a sua voz, não te vejo, mas como ficou intacto todo aquele calor, aquela necessidade de te ter a cada segundo, o sorriso que me vem assim que um ar qualquer faz lembrar você.
Não existe explicação desse rompimento de algo que parecia tão certo, predestinado. Um dia você sumiu, e fico buscando o porquê.
Então hoje, reli suas últimas cartas, tentando achar a palavra que te colocou para um outro caminho, a vírgula que me dissesse que tudo aquilo que você me falava não era amor, nunca foi.
Seria fantasia minha? Seriam aquelas juras, aquelas palavras, todas em vão, todas querendo dizer algo menos do que eu sentia?
Foi o fim, mesmo que não concretizado, o fim do nosso amor. Repentino, esfaquiado, brutal.
Pois em mim vive, remói. Em você virou cinzas, reduziu a pó?
Já faz tempo, mas ainda não o suficiente.
Não deve ser mais o seu olhar, não deve ser mais o jeito que você cuidou e falava comigo. Deve ser algo que eu ainda não subtraí, que ficou entranhado no nosso amor entrelinhas, talvez seja.
Não ouço mais a sua voz, não te vejo, mas como ficou intacto todo aquele calor, aquela necessidade de te ter a cada segundo, o sorriso que me vem assim que um ar qualquer faz lembrar você.
Não existe explicação desse rompimento de algo que parecia tão certo, predestinado. Um dia você sumiu, e fico buscando o porquê.
Então hoje, reli suas últimas cartas, tentando achar a palavra que te colocou para um outro caminho, a vírgula que me dissesse que tudo aquilo que você me falava não era amor, nunca foi.
Seria fantasia minha? Seriam aquelas juras, aquelas palavras, todas em vão, todas querendo dizer algo menos do que eu sentia?
Foi o fim, mesmo que não concretizado, o fim do nosso amor. Repentino, esfaquiado, brutal.
Pois em mim vive, remói. Em você virou cinzas, reduziu a pó?
Já faz tempo, mas ainda não o suficiente.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Canto de Julia
O que você não faria por um bom amigo
Mesmo que ele não te quisesse
Nem como conhecida
Mesmo que ele te disesse
Que você não é uma boa amiga
Mudaria seu nome
Sua história
Seu destino
Só para, como um mero desconhecido
Continuar ao lado dele
Amparar as suas quedas
Curar suas chagas
O que você não faria, me diz
Que eu faço.
Mesmo que ele não te quisesse
Nem como conhecida
Mesmo que ele te disesse
Que você não é uma boa amiga
Mudaria seu nome
Sua história
Seu destino
Só para, como um mero desconhecido
Continuar ao lado dele
Amparar as suas quedas
Curar suas chagas
O que você não faria, me diz
Que eu faço.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Regressão momentânea
Às vezes acho que você continua do meu lado.
É quase como se eu sentisse teu cheiro,como se eu sentisse teu olhar, seu abraço nesses meus desencontros com o chão, chão que um dia foi você. Sensação que me perturba, me desnorteia.
Junto à sua estranha presença inexistente, vem essa saudade que já doeu tanto, tanto, e hoje é só um calafrio que me atinge na lembrança do teu nome.
E hoje, tão de bem comigo estou, que às vezes te esqueço como pessoa. Logo eu que já te fiz de amor sem enxergar que minha amizade era tão maior que iludia.
Não voltaria no tempo, deixe as boas memórias como ficaram, deixe esse fim ser o nosso fim.
É quase como se eu sentisse teu cheiro,como se eu sentisse teu olhar, seu abraço nesses meus desencontros com o chão, chão que um dia foi você. Sensação que me perturba, me desnorteia.
Junto à sua estranha presença inexistente, vem essa saudade que já doeu tanto, tanto, e hoje é só um calafrio que me atinge na lembrança do teu nome.
E hoje, tão de bem comigo estou, que às vezes te esqueço como pessoa. Logo eu que já te fiz de amor sem enxergar que minha amizade era tão maior que iludia.
Não voltaria no tempo, deixe as boas memórias como ficaram, deixe esse fim ser o nosso fim.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Entrelinhas
Achava ser imortal até o dia que disseram que não. Estou muito assustada com o que pode acontecer, nunca esperaria que isso pudesse ser real, ainda mais comigo que sou tão nova.(...)
Não era daquelas que obteria lamentações ao túmulo por ser a mais caridosa, a mais bondosa. Queria ter pensado mais na possibilidade, queria poder realizar meus sonhos, queria casar, queria ter filhos, queria ter a certeza de ter encontrado o amor da minha vida.(...)
E, de tanto brincar com a morte, a morte decidiu brincar com ela. Não quero morrer, não quero.(...)
Não era daquelas que obteria lamentações ao túmulo por ser a mais caridosa, a mais bondosa. Queria ter pensado mais na possibilidade, queria poder realizar meus sonhos, queria casar, queria ter filhos, queria ter a certeza de ter encontrado o amor da minha vida.(...)
E, de tanto brincar com a morte, a morte decidiu brincar com ela. Não quero morrer, não quero.(...)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Em homenagem a um escritor
Ela voltou sem nada, voltou do nada.
Não queria brigar, não pediu para ter uma conversa sobre o que fora.
Voltou e eu rodava embriagado, sem pretenções, acho.
Sentou ao meu lado e suspeitei. Tanta calma.
E agora sou eu quem quer falar de passado, ou será que nunca foi?
Não queria brigar, não pediu para ter uma conversa sobre o que fora.
Voltou e eu rodava embriagado, sem pretenções, acho.
Sentou ao meu lado e suspeitei. Tanta calma.
E agora sou eu quem quer falar de passado, ou será que nunca foi?
A volta que não nego
Me perdoe, amor
Pois me mascarei
Para fazer-te crente
Da força que não tinha
Do amor que eu acredito
Na verdade, e sempre
Pois hoje me vê
Sem palavras ensaiadas
Sem a seguridade de um gladiador
Sem a indiferença de um estranho...
... Provida de um amor que nunca neguei.
Pois me mascarei
Para fazer-te crente
Da força que não tinha
Do amor que eu acredito
Na verdade, e sempre
Pois hoje me vê
Sem palavras ensaiadas
Sem a seguridade de um gladiador
Sem a indiferença de um estranho...
... Provida de um amor que nunca neguei.
sábado, 15 de maio de 2010
Resposta
O amor não é egoísta, é puro, se contenta por si só.
Não desanima com as suas quedas, não ouve o que os fatos falam.
Amar é não conseguir que, apesar dos pesares, a pessoa amada te decepcione internamente pois, mesmo nos piores erros, ela continua sendo sua metade, como se nada tivesse acontecido.
Pensamos muitas vezes em amor com um sentimento exarcerbante, como uma necessidade de posse incontrolável e por isso, muitas vezes que mimetizamos a sua existência, descobrimos um dia que só foi mera paixão. E paixão acaba por se fogo, morre porque se asfixia, consome pela própria existência.
O amor é calmo, pacífico, o amor perdoa.
O amor perdoa, sim.
Não desanima com as suas quedas, não ouve o que os fatos falam.
Amar é não conseguir que, apesar dos pesares, a pessoa amada te decepcione internamente pois, mesmo nos piores erros, ela continua sendo sua metade, como se nada tivesse acontecido.
Pensamos muitas vezes em amor com um sentimento exarcerbante, como uma necessidade de posse incontrolável e por isso, muitas vezes que mimetizamos a sua existência, descobrimos um dia que só foi mera paixão. E paixão acaba por se fogo, morre porque se asfixia, consome pela própria existência.
O amor é calmo, pacífico, o amor perdoa.
O amor perdoa, sim.
sábado, 8 de maio de 2010
Carta de Marina
Meu grande amor,
Porque te amo, te chamo de amor, te deixo escolher.
Pois não somos mais os mesmos, pois não sou a mesma sorridente, desprovida de problemas dos mais simples aos insolucionáveis.
Se ao som da ventania nos abraçavamos por nos apoiar, hoje você é o meu único suporte, mas não é certo.
Não delongarei despedidas prematuras, não farei com que você pense que isso será só mais um dos meus adeus temporários, onde me perco num olhar petrificado, que não foca em nada, mas retorna ao brilho do que é teu.
A questão vem da justiça de ter-te ao meu lado mas você, por um deslize meu, escapa e nem sabe.
Digo, mais uma vez, decisão sua, amor meu.
Se acaso não me queira mais como sua amada, chorarei mas ficarei em paz por deixá-lo ir, como um pássaro,vai migrar para outros horizontes, se assim for melhor, se assim for para ser. Será breve? Será que retorna?
Lágrimas não sei de que,
Marina.
Porque te amo, te chamo de amor, te deixo escolher.
Pois não somos mais os mesmos, pois não sou a mesma sorridente, desprovida de problemas dos mais simples aos insolucionáveis.
Se ao som da ventania nos abraçavamos por nos apoiar, hoje você é o meu único suporte, mas não é certo.
Não delongarei despedidas prematuras, não farei com que você pense que isso será só mais um dos meus adeus temporários, onde me perco num olhar petrificado, que não foca em nada, mas retorna ao brilho do que é teu.
A questão vem da justiça de ter-te ao meu lado mas você, por um deslize meu, escapa e nem sabe.
Digo, mais uma vez, decisão sua, amor meu.
Se acaso não me queira mais como sua amada, chorarei mas ficarei em paz por deixá-lo ir, como um pássaro,vai migrar para outros horizontes, se assim for melhor, se assim for para ser. Será breve? Será que retorna?
Lágrimas não sei de que,
Marina.
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Alterego MARINA
quarta-feira, 5 de maio de 2010
No décimo segundo
A brisa fria batia lentamente e empurrava meus olhos para os céu estrelado. Não importava mais o barulho da cidade, das buzinas, dos coxixos das pessoas.
Peguei teus braços e me emvolvi como alguém que se agasalhava, ou se protegia. Senti seu calor e as batidas ritmadas do seu peito perto, me acolhendo em um silêncio de suspiros pois, sim, sempre me fará supirar.
Em uma breve surpresa, meus olhos aguaram na felicidade de ter esse momento, esse minuto que parecia ser mais um dos nossos minutos.
E estava feliz simplesmente por estar ao meu lado, tê-lo no mais simples abraço, na mais simples noite.
Não importaria mais o tempo, só você, só você e eu. Assim será...
Peguei teus braços e me emvolvi como alguém que se agasalhava, ou se protegia. Senti seu calor e as batidas ritmadas do seu peito perto, me acolhendo em um silêncio de suspiros pois, sim, sempre me fará supirar.
Em uma breve surpresa, meus olhos aguaram na felicidade de ter esse momento, esse minuto que parecia ser mais um dos nossos minutos.
E estava feliz simplesmente por estar ao meu lado, tê-lo no mais simples abraço, na mais simples noite.
Não importaria mais o tempo, só você, só você e eu. Assim será...
domingo, 2 de maio de 2010
Ressaca
Da surpresa que se esconde em luzes piscantes
Encontrei a escuridão tênue, quase que despedaçada
Vi ao longe,
Copo de uísque na mão,
Olhar deseludido ou sonhador
Não sei.
O canto da música ensurdecia meus pensamentos
O que fala mais alto, o que falou
E me disse:
Amo.
Mas num desgosto
Desacreditei a canção
E parti para o silêncio
Para não morrer quando deveras eu me escutar.
Adeus.
Encontrei a escuridão tênue, quase que despedaçada
Vi ao longe,
Copo de uísque na mão,
Olhar deseludido ou sonhador
Não sei.
O canto da música ensurdecia meus pensamentos
O que fala mais alto, o que falou
E me disse:
Amo.
Mas num desgosto
Desacreditei a canção
E parti para o silêncio
Para não morrer quando deveras eu me escutar.
Adeus.
domingo, 18 de abril de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
Poesia invertida
Eu cresço enquanto você muda.
Eu cresço e me torno definivo,
você muda por ser cômodo não se solidificar.
Qual será o limite da sua mutação?
Quem você vê quando se olha no espelho?
Qual é a personagem de hoje?
Que bom ator você é!
Será você ele ou ela?
Será vivo?
Será feliz?
Será depressivo?
Será suicída?
E quando não consegue,
e quando não tem mais nomes parar fugir,
será você você mesmo?
Será que se anula?
Será que se esquece?
De quem você se esquece?
Quem é você?
Quem vai ser hoje, Marina?
Eu cresço e me torno definivo,
você muda por ser cômodo não se solidificar.
Qual será o limite da sua mutação?
Quem você vê quando se olha no espelho?
Qual é a personagem de hoje?
Que bom ator você é!
Será você ele ou ela?
Será vivo?
Será feliz?
Será depressivo?
Será suicída?
E quando não consegue,
e quando não tem mais nomes parar fugir,
será você você mesmo?
Será que se anula?
Será que se esquece?
De quem você se esquece?
Quem é você?
Quem vai ser hoje, Marina?
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sexta-feira, 5 de março de 2010
Na falta
Mandaram eu não parar de escrever pra não deixar a vontade no ar, pra não perdê-la por não tê-la na segunda-feira.
Mandaram eu não parar de escrever pra não engolir o que eu sinto, como engulo as palavras ao ver o mundo girar tão, mas tão depressa.
Mandaram eu não parar de escrever pra não fugir de mim mesma, pra me encontrar entre vírgulas, como aposto, ou entre linhas como segredo.
Mandaram eu não parar de escrever pra não deixarem de me ouvir, pra encobrirem meu sufoco e se deliciarem com ele.
Mandaram eu não parar de escrever, mas pra que mesmo?
Mandaram eu não parar de escrever pra não engolir o que eu sinto, como engulo as palavras ao ver o mundo girar tão, mas tão depressa.
Mandaram eu não parar de escrever pra não fugir de mim mesma, pra me encontrar entre vírgulas, como aposto, ou entre linhas como segredo.
Mandaram eu não parar de escrever pra não deixarem de me ouvir, pra encobrirem meu sufoco e se deliciarem com ele.
Mandaram eu não parar de escrever, mas pra que mesmo?
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Reflexão de Marina
Sempre me peguei pensando no porque, depois de tanto, você nunca me amou.
Talvez tenha sido esse meu jeito invasivo, essa minha vontade de te ter que me subia a cabeça, o jeito estranho que eu tinha no olhar.
Revivi as palavras trocadas, aquelas conversas que se perderam no tempo, tanto ou mais quanto nos perdemos nesse mundo. Não há mais você e eu, há você...e eu.
Senti novamente tudo que você me fez sentir naqueles dias que eu tanto precisava de alguém do meu lado: aquele calafrio que me petrificava toda vez que te via ou quando tocava teu nome falando, lendo ou pensando.
Existia sempre uma tensão, algo indefinido, ficava sempre entrelinhas o que tinhamos a dizer um para o outro mas, se era assim, se me parecia tão real, aonde sumimos?
Sempre me peguei pensando no porque, depois de tanto, você nunca me amou.
Talvez tenha sido essa minha alma tão sonhadora, que tivesse ido tão alto ao ponto de se iludir e não te deixar nem ao menos me alcançar.
Talvez tenha sido esse meu jeito invasivo, essa minha vontade de te ter que me subia a cabeça, o jeito estranho que eu tinha no olhar.
Revivi as palavras trocadas, aquelas conversas que se perderam no tempo, tanto ou mais quanto nos perdemos nesse mundo. Não há mais você e eu, há você...e eu.
Senti novamente tudo que você me fez sentir naqueles dias que eu tanto precisava de alguém do meu lado: aquele calafrio que me petrificava toda vez que te via ou quando tocava teu nome falando, lendo ou pensando.
Existia sempre uma tensão, algo indefinido, ficava sempre entrelinhas o que tinhamos a dizer um para o outro mas, se era assim, se me parecia tão real, aonde sumimos?
Sempre me peguei pensando no porque, depois de tanto, você nunca me amou.
Talvez tenha sido essa minha alma tão sonhadora, que tivesse ido tão alto ao ponto de se iludir e não te deixar nem ao menos me alcançar.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Desabafo
"E eu descobri que meu castelo se sustentava em pilares de areia."
Bateu como um flecha o verso traduzido da música, uma perfeita trilha sonora do que revivia em sua mente.
Em um segundo voltou ao tempo e se viu no meio daquela multidão que cercava o que de santo só tinha o nome.
Sentiu novamente suas pernas tremerem como tremiam aquele dia, rosto escondendo-se, abaixado, virado para os pés: talvez se olhasse para o chão ninguém a veria, pensou.
Não sentou no mesmo banco, não conversou com as mesmas pessoas. Subiu as escadas pensando que aquilo tudo seria somente sua mente, já tão perturbada pelo passado, pregando uma peça, fazendo-a acreditar estar dentro de um pesadelo que, de fato, era real.
Não demorou até que a multidão dos coxixos a cercasse e a afogasse em perguntas daquilo que não queria nem ao menos pensar. Naquele momento viu a realidade que teria de enfrentar. Acabou a sua ilusão, olhar pro chão a esconderia, fingir que nada havia acontecido não faria com que as pessoas a esquecessem.
Levantou a cabeça por um segundo, mesmo que contra a sua vontade, para ver se algum amigo havia restado para socorrê-la mas, num suspiro, tudo tornou-se duna.
Ah, já faz tanto tempo!
Bateu como um flecha o verso traduzido da música, uma perfeita trilha sonora do que revivia em sua mente.
Em um segundo voltou ao tempo e se viu no meio daquela multidão que cercava o que de santo só tinha o nome.
Sentiu novamente suas pernas tremerem como tremiam aquele dia, rosto escondendo-se, abaixado, virado para os pés: talvez se olhasse para o chão ninguém a veria, pensou.
Não sentou no mesmo banco, não conversou com as mesmas pessoas. Subiu as escadas pensando que aquilo tudo seria somente sua mente, já tão perturbada pelo passado, pregando uma peça, fazendo-a acreditar estar dentro de um pesadelo que, de fato, era real.
Não demorou até que a multidão dos coxixos a cercasse e a afogasse em perguntas daquilo que não queria nem ao menos pensar. Naquele momento viu a realidade que teria de enfrentar. Acabou a sua ilusão, olhar pro chão a esconderia, fingir que nada havia acontecido não faria com que as pessoas a esquecessem.
Levantou a cabeça por um segundo, mesmo que contra a sua vontade, para ver se algum amigo havia restado para socorrê-la mas, num suspiro, tudo tornou-se duna.
Ah, já faz tanto tempo!
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Mais um dia
Dei meus passos vacilantes naquela rua cheia e deserta, de olhares perdidos, do tempo corrido.
Centenas de rostos, sem abraço, apressados. E sempre a impressão de estar sendo observada, e sempre a impressão de estar só.
Era um beco sem saída a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, espero o sinal abrir e corro junto à multidão.
Centenas de rostos, sem abraço, apressados. E sempre a impressão de estar sendo observada, e sempre a impressão de estar só.
Era um beco sem saída a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, espero o sinal abrir e corro junto à multidão.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Equinócio
"Quando começar o frio dentro de nós" não me culpe pelo desespero, não aumente as palavras que aumentarei pra te ferir.
Não veja as milhões de razões do meu "não te quero mais", pois hei de te querer mesmo com a tempestade vindo em minha direção, será minha armadura e minha hipocrisia.
"Quando começar o frio dentro de nós" não veja a ausência de cores, não queira buscá-las em outra pessoa. Te imprimirei em cada verso desse triste espaço em branco, branco das cores que se juntaram mas, como é incrível, não as verei mais.
"Quando começar o frio dentro de nós" não procure respostas, só cure as feridas e, o mais importante, não me sufoque com minha própria solidão.
Não veja as milhões de razões do meu "não te quero mais", pois hei de te querer mesmo com a tempestade vindo em minha direção, será minha armadura e minha hipocrisia.
"Quando começar o frio dentro de nós" não veja a ausência de cores, não queira buscá-las em outra pessoa. Te imprimirei em cada verso desse triste espaço em branco, branco das cores que se juntaram mas, como é incrível, não as verei mais.
"Quando começar o frio dentro de nós" não procure respostas, só cure as feridas e, o mais importante, não me sufoque com minha própria solidão.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Raphael
Não te peço eternidade
Não te peço rosas vermelhas
Não te peço adoração
Não te peço nem ao menos a presença
Só te peço o teu sorriso
Tão branco e tão sincero
Te peço o carinho
Te peço as palavras macias
Te peço a amizade
E às vezes até beijos
Mas, acima de tudo, eu te peço.
Não te peço rosas vermelhas
Não te peço adoração
Não te peço nem ao menos a presença
Só te peço o teu sorriso
Tão branco e tão sincero
Te peço o carinho
Te peço as palavras macias
Te peço a amizade
E às vezes até beijos
Mas, acima de tudo, eu te peço.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Arpoador
A luz dos holofotes iluminava as silhuetas.
A noite era escura e estrelada, o mar, levemente agitado, batia nas pedras elaborando uma sinfonia de mistério, de um futuro inteiro ainda por vir.
Os olhos entrelaçavam-se em olhares quentes e meramente calculados. Ele a envolveu em um abraço terno, mesmo que não intencional, e apontou para a tempestade ao fundo.
Ela guardava em seus pensamentos escritos, poemas irregulares, palavras fortes, versos cortantes. Estava por vir ou por ir os raios e trovoadas?
Ele sorriu, olhou-a nos olhos e sem soltar ao menos uma palavra, selou um beijo respondendo os questionamentos inseguros da menina:
- A tempestade foi-se, já era tempo.
A noite era escura e estrelada, o mar, levemente agitado, batia nas pedras elaborando uma sinfonia de mistério, de um futuro inteiro ainda por vir.
Os olhos entrelaçavam-se em olhares quentes e meramente calculados. Ele a envolveu em um abraço terno, mesmo que não intencional, e apontou para a tempestade ao fundo.
Ela guardava em seus pensamentos escritos, poemas irregulares, palavras fortes, versos cortantes. Estava por vir ou por ir os raios e trovoadas?
Ele sorriu, olhou-a nos olhos e sem soltar ao menos uma palavra, selou um beijo respondendo os questionamentos inseguros da menina:
- A tempestade foi-se, já era tempo.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
A essência
Tinha um brilho misterioso no olhar, o cabelo bagunçado e palavras, muitas palavras a serem ditas.
Nunca entendeu porque já foi ou era amada naquele momento. Sempre via-se como um lixo, algo deixado, sem encanto, sem perfume. Talvez fosse por isso que tivesse tanto medo ao ouvir o som daquelas três palavras doces e, ao mesmo tempo, afiadas para ela. Ela nunca acreditava, tinha medo da ilusão, da verdade que criava, da verdade que dizia-se mentira.
Dessa insegurança inesplicável caiam as lágrimas, a sua solidão muito bem acompanhada, os pesadelos repetitivos em todas as noites. Sempre os mesmos monstros, para a mesma garota sem sorriso.
O por que disso tudo? Talvez nunca descobrirá. Talvez guarde até a morte. Talvez agarre e abafe como as palavras que vem até à ponta da língua e retornam em medo, as engole.
Tudo que a resta é o barulho das teclas, as tintas e o vento, tão silencioso e desacreditado quando ela.
Tinha um brilho misterioso no olhar, o cabelo bagunçado e palavras, muitas palavras a serem ditas.
Nunca entendeu porque já foi ou era amada naquele momento. Sempre via-se como um lixo, algo deixado, sem encanto, sem perfume. Talvez fosse por isso que tivesse tanto medo ao ouvir o som daquelas três palavras doces e, ao mesmo tempo, afiadas para ela. Ela nunca acreditava, tinha medo da ilusão, da verdade que criava, da verdade que dizia-se mentira.
Dessa insegurança inesplicável caiam as lágrimas, a sua solidão muito bem acompanhada, os pesadelos repetitivos em todas as noites. Sempre os mesmos monstros, para a mesma garota sem sorriso.
O por que disso tudo? Talvez nunca descobrirá. Talvez guarde até a morte. Talvez agarre e abafe como as palavras que vem até à ponta da língua e retornam em medo, as engole.
Tudo que a resta é o barulho das teclas, as tintas e o vento, tão silencioso e desacreditado quando ela.
Tinha um brilho misterioso no olhar, o cabelo bagunçado e palavras, muitas palavras a serem ditas.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Conto de Marina
Bagunçou o cabelo, olhou-se no espelho.
As pontas de cigarro no chão, as garrafas rachadas, a música ensurdecia.
Já não era noite, nem manhã. Era a hora da insônia que antes tinha, tomava a cama e o quarto, fazia-a pensar na solidão.
Não sabia se era Marina em festa. Talvez tivesse certeza que não fosse, mas a solidão já era tão incomoda que se acomodou às máscaras, às noites viradas, ao álcool. Era preferível.
Saiu daquele único espaço iluminado, espestiado de vômito, e voltou para a pista.
Encontrou amigos e, quem diria, até alguns boêmios que elevavam seu ego em olhares. Mesmo assim, mesmo acompanhada, algo faltava.
Acendeu o celular, olhou a foto.
Ah, Marina, é difícil esquecer um amor!
Fechou os olhos.
As pontas de cigarro no chão, as garrafas rachadas, a música ensurdecia.
Já não era noite, nem manhã. Era a hora da insônia que antes tinha, tomava a cama e o quarto, fazia-a pensar na solidão.
Não sabia se era Marina em festa. Talvez tivesse certeza que não fosse, mas a solidão já era tão incomoda que se acomodou às máscaras, às noites viradas, ao álcool. Era preferível.
Saiu daquele único espaço iluminado, espestiado de vômito, e voltou para a pista.
Encontrou amigos e, quem diria, até alguns boêmios que elevavam seu ego em olhares. Mesmo assim, mesmo acompanhada, algo faltava.
Acendeu o celular, olhou a foto.
Ah, Marina, é difícil esquecer um amor!
Fechou os olhos.
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sábado, 26 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
(?) e filhos
Se eles tivessem me ouvido,
me preferido ao jornal de domingo
Se eles tivessem enxergado
não tivessem cobrado, punindo
Se eles tivessem me abraçado
não tivessem deixado de lado, grunindo
Se eles tivessem me respeitado,
me olhando, me ouvindo
Se eles tivessem me amado,
me preferido ao jornal de domingo
Se eles tivessem enxergado
não tivessem cobrado, punindo
Se eles tivessem me abraçado
não tivessem deixado de lado, grunindo
Se eles tivessem me respeitado,
me olhando, me ouvindo
Se eles tivessem me amado,
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Fim do Moinho
No horizonte avistava a já distante tristeza, aquela que antes a consumia, tirava seus sonhos, depremia suas noites. Se antes culpava o azar, agora culpa somente a si por não ter reerguido a cabeça tão antes.
"A vida é mesmo um desafio, e será triste se ,e somente se, quisermos."
Até que estava certa a doutora que a ouvia, preenchia pranchetas, tentava desbravar o mundo das fraquezas de uma menina que construiu seus escudos.
Olhou para o espelho então e, colocando o cabelo que escondia-a por de trás das orelhas, se enxergou e sorriu. Não era mais material, não era mais atingível, era alma e sonho, esperança e desejo.
Deu adeus então a menina de porcelana, fez-se mulher de aço e com o sorriso mais brilhante.
Despediu-se de vez o monstro, despediu-se de vez a Terça-feira.
"A vida é mesmo um desafio, e será triste se ,e somente se, quisermos."
Até que estava certa a doutora que a ouvia, preenchia pranchetas, tentava desbravar o mundo das fraquezas de uma menina que construiu seus escudos.
Olhou para o espelho então e, colocando o cabelo que escondia-a por de trás das orelhas, se enxergou e sorriu. Não era mais material, não era mais atingível, era alma e sonho, esperança e desejo.
Deu adeus então a menina de porcelana, fez-se mulher de aço e com o sorriso mais brilhante.
Despediu-se de vez o monstro, despediu-se de vez a Terça-feira.
domingo, 6 de dezembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Idéias soltas
O tempo passava.
Estava tão vidrada no que escrevia que o barulhos das teclas eram mais rápidos ainda que o dos ponteiros do relógio e mais fortes, muito mais fortes que o tempo.
Um violão baixo ao fundo complementava suas palavras, fazia delas sentimentos. Tudo tentando sobrepor aquele vazio, aquela calmaria.
Do calor insuportável que vinha da sua janela, fez-se uma ventania louca que varria as ruas em barulho e quebradeira. Era o momento perfeito.
Sentiu um calafrio com ar de sombrio ou satisfatório, pois-se a escrever cada vez mais rápido, não queria deixar aquele sentimento fugir.
Escreveu em sueco, mas com medo que lesse em noruguês, apagou.
O vento parou, um chuva fria tomou seu lugar e recriou o silêncio.
Pediu três palavras, ela queria escrever mais.
Estava tão vidrada no que escrevia que o barulhos das teclas eram mais rápidos ainda que o dos ponteiros do relógio e mais fortes, muito mais fortes que o tempo.
Um violão baixo ao fundo complementava suas palavras, fazia delas sentimentos. Tudo tentando sobrepor aquele vazio, aquela calmaria.
Do calor insuportável que vinha da sua janela, fez-se uma ventania louca que varria as ruas em barulho e quebradeira. Era o momento perfeito.
Sentiu um calafrio com ar de sombrio ou satisfatório, pois-se a escrever cada vez mais rápido, não queria deixar aquele sentimento fugir.
Escreveu em sueco, mas com medo que lesse em noruguês, apagou.
O vento parou, um chuva fria tomou seu lugar e recriou o silêncio.
Pediu três palavras, ela queria escrever mais.
Mudança
O vento batia as portas, fazia barulho nas ruas, era forte, chegava a ser incomodo.
O cheiro da chuva era claro e, logo, chegou. Batia como agulhas finas, leves e frias, finalizando a ventania e tocando um silêncio absoluto que compensava o estardalhaço anterior. Era mais que apenas uma virada do tempo.
Enquanto todos fechavam suas janelas, ela abriu, queria sentir tudo tocá-la. Admirava, sentia, respirava fundo e sorria.
A tempestade agora teria um sentindo diferente. Sorriu novamente.
O cheiro da chuva era claro e, logo, chegou. Batia como agulhas finas, leves e frias, finalizando a ventania e tocando um silêncio absoluto que compensava o estardalhaço anterior. Era mais que apenas uma virada do tempo.
Enquanto todos fechavam suas janelas, ela abriu, queria sentir tudo tocá-la. Admirava, sentia, respirava fundo e sorria.
A tempestade agora teria um sentindo diferente. Sorriu novamente.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Alguma coisa mais feliz
Aos poucos deixava de ser tão deprimida, aos poucos tirava os sorrisos sinistros que lhe serviam como armadura para deixar os verdadeiros, os sinceros. A vida estava, finalmente, reabrindo portas.
As cartas ciganas que havia sacado em seu quarto diziam: é o fim de um ciclo carmático. E ela, não discordando, achava que era o começo de uma nova fase. Mesmo que seus problemas continuassem lá, intactos, presentes.
Talvez tudo tivesse um motivo para ter acontecido. Dizem que nos fortalece, mas, não mais que estranhamente, quase a matou. Mas tudo é passado agora, pó.
Saiu de casa, respirou fundo, caminhou por toda orla. Misturava todos os sentimentos sem se incomodar, andava de cabeça erguida sem se incomodar, sorria sem se incomodar.
Novas oportunidades, novas pessoas, o dia mais claro, tudo tão igual e tão diferente.
Menos solidão, mais um ano. Giovanna.
Sanningen är att jag gillar honom och jag är mycket glad eftersom det började.
As cartas ciganas que havia sacado em seu quarto diziam: é o fim de um ciclo carmático. E ela, não discordando, achava que era o começo de uma nova fase. Mesmo que seus problemas continuassem lá, intactos, presentes.
Talvez tudo tivesse um motivo para ter acontecido. Dizem que nos fortalece, mas, não mais que estranhamente, quase a matou. Mas tudo é passado agora, pó.
Saiu de casa, respirou fundo, caminhou por toda orla. Misturava todos os sentimentos sem se incomodar, andava de cabeça erguida sem se incomodar, sorria sem se incomodar.
Novas oportunidades, novas pessoas, o dia mais claro, tudo tão igual e tão diferente.
Menos solidão, mais um ano. Giovanna.
Sanningen är att jag gillar honom och jag är mycket glad eftersom det började.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Sobre o vazio criativo.
Minha poesia, minhas palavras, todas elas são movidas pelo sentimento da mais agonizante e profunda tristeza. O porque não sei, só sei que na felicidade encontro somente o vazio, o vazio da lágrima que se prende, da calmaria. Escrevo por sentir o risco, por ter tudo à flor da pele, por poder controlar com palavras o mundo a minha volta. Com tudo em harmonia não há o que criar, o que modificar, o que confessar semanalmente, quase que religiosamente.
Me desculpem todos, criatividade para mim só a ponto de tomar uma caixa de Prozac.
Me desculpem todos, criatividade para mim só a ponto de tomar uma caixa de Prozac.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
Confissão de sábado
Silêncio, solidão.
É o que me restou do pecado que não cometi, do amor que não vi e daquele que recusei.
Condenação que mais parece perpétua e, pra quem diz que viver sozinho é crescer, digo que regredi. Da solidão tiro a paranóia, o viver para não aprofundar-me.
Do que me traz de volta ao amor, agora não vejo mais nem ao menos o amante que, de tão latente, de tão aparente, sumiu pois cansou-se de esperar a resposta que já tinha mas, no silêncio, tão parecido com esse de agora, omiti.
Voltar ao tempo me parece a solução. É impossível. Então, sem solução estou.
Para a menina que tanto sonhava, tanto ria, tanto não temia, agora sou o fracasso ou talvez aquilo que sempre fui mas, os sorrisos sinistros que me serviam de armadura esconderam e escondem pra qualquer um que vê, até mesmo de perto. E só piora. Sem ajuda, sem nínguem ao lado, totalmente desamparada.Nínguem ao menos repara ou insiste. Nem ao menos você.
Decepção. Será que comigo, será que com o mundo? Nem sei mais.
(suspiro)
É o que me restou do pecado que não cometi, do amor que não vi e daquele que recusei.
Condenação que mais parece perpétua e, pra quem diz que viver sozinho é crescer, digo que regredi. Da solidão tiro a paranóia, o viver para não aprofundar-me.
Do que me traz de volta ao amor, agora não vejo mais nem ao menos o amante que, de tão latente, de tão aparente, sumiu pois cansou-se de esperar a resposta que já tinha mas, no silêncio, tão parecido com esse de agora, omiti.
Voltar ao tempo me parece a solução. É impossível. Então, sem solução estou.
Para a menina que tanto sonhava, tanto ria, tanto não temia, agora sou o fracasso ou talvez aquilo que sempre fui mas, os sorrisos sinistros que me serviam de armadura esconderam e escondem pra qualquer um que vê, até mesmo de perto. E só piora. Sem ajuda, sem nínguem ao lado, totalmente desamparada.Nínguem ao menos repara ou insiste. Nem ao menos você.
Decepção. Será que comigo, será que com o mundo? Nem sei mais.
(suspiro)
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Conto de Ella
Insegura, media cada vírgula, cada palavra. Não sabia o porque nada parecia espontâneo, o porque ao lado dele tudo era assim tão calculado, o porque não era Ella.
Um momento de silêncio, um barulho imenso, um coração apertado. Queria falar, mas não podia.
Olhou-o com um canto de olho, assim nada ficaria claro, nada seria suspeito. Quebrou o silêncio, culpou cada palavra, sentiu-se boba. Ele talvez nem tenha notado a euforia, o estardalhaço que preenchia a mudez. Ou talvez tenha, talvez entendeu tudo, decifrou-a por inteiro.
Junto com o amanhecer daquele dia quente, típico de verão, vinha a realidade. O sonho foi se desfazendo, mas não para sempre, certamente.
"Vamos para casa."
Levantou escondendo as gostas de suor, as mãos úmidas.
Ele olhou-a nos olhos, sorriu. Ela sentiu um calafrio extenso, a vontade de gritar.
Chegou em casa, abriu um sorriso a frente do espelho. Nada mais era importante, nem o cabelo desajeitado, nem a maquiagem borrada.
Era Ella quando saltitava, era Ella quando imaginava, sonhava, mas também era Ella quando, por insegurança, desiludia e, mais uma vez, varria todas as esperanças para debaixo do tapete já tão sujo e ignorava t
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Sem título (entre rascunhos)
Escrevi esse aqui faz pouquinho tempo. Não é muito rico, complexo, mas é algo que realmente quer dizer algo pra mim. Diga que é bobo, pra mim é o bastante.
Do luto que tinha
Quero mais que se façam cinzas
Mas você não vem
E me faz, desesperada, agonizar
Ser sugada pelo seu mistério
O mesmo que seu olhar transmite
E me nega, nega, nega...
Ah, será tão cego ao ponto de não ver
Centenas de declarações a sua frente
Rosas em seu caminho
E pisa como se fossem pedras
E ignora-as como se fosse vento
Que tende a te tocar
Mas não pode vê-lo
Por isso, parece nem existir
E o nega, nega, nega...
Do luto que tinha
Quero mais que se façam cinzas
Mas você não vem
E me faz, desesperada, agonizar
Ser sugada pelo seu mistério
O mesmo que seu olhar transmite
E me nega, nega, nega...
Ah, será tão cego ao ponto de não ver
Centenas de declarações a sua frente
Rosas em seu caminho
E pisa como se fossem pedras
E ignora-as como se fosse vento
Que tende a te tocar
Mas não pode vê-lo
Por isso, parece nem existir
E o nega, nega, nega...
domingo, 1 de novembro de 2009
Confissão de domingo
Procurei nele os olhos teus. Não hesitei, nem ao menos feliz estive com isso, somente te procurei.
Após o beijo não senti sua boca, nem ao menos seu cheiro. Desabei então. Desabei em tontura, em enjoô e desmaio. Não era a bebida, aquela que ainda tentava conter minha explosão, era a realidade e a mentira que eu contava para mim mesma, dia após dia (e talvez para você quando omito, em insegurança).
Cheguei ao beco sem saída.
Passei a noite pensando nisso. Acho que minha cabeça nunca pesou tanto afinal, eu seria a última pessoa a me enganar, penso. Era o que minha moral dizia, mas acho que nem essa ao menos existe mais. Quando se ama não existem razões lógicas, pensamentos lógicos, é tudo passivo, emocional e tira do controle até aquela que, no seu inconsciente, jurou de pés juntos depois de uma decepção que nunca mais deixaria que o seu coração a guiasse.
Impressionante o poder que algo que começou assim, do nada, sem sentido, tem sobre todos os meus atos e me assombra. Impressionante! Basicamente um espectáculo da manipulação involuntária, mesmo que, quase sempre, esteja o titireiro ausente. Como me faz agonizar, te querer por inteiro!
Ah! Loucura... tão sem nexo e pessoal quanto as minhas palavras.
Após o beijo não senti sua boca, nem ao menos seu cheiro. Desabei então. Desabei em tontura, em enjoô e desmaio. Não era a bebida, aquela que ainda tentava conter minha explosão, era a realidade e a mentira que eu contava para mim mesma, dia após dia (e talvez para você quando omito, em insegurança).
Cheguei ao beco sem saída.
Passei a noite pensando nisso. Acho que minha cabeça nunca pesou tanto afinal, eu seria a última pessoa a me enganar, penso. Era o que minha moral dizia, mas acho que nem essa ao menos existe mais. Quando se ama não existem razões lógicas, pensamentos lógicos, é tudo passivo, emocional e tira do controle até aquela que, no seu inconsciente, jurou de pés juntos depois de uma decepção que nunca mais deixaria que o seu coração a guiasse.
Impressionante o poder que algo que começou assim, do nada, sem sentido, tem sobre todos os meus atos e me assombra. Impressionante! Basicamente um espectáculo da manipulação involuntária, mesmo que, quase sempre, esteja o titireiro ausente. Como me faz agonizar, te querer por inteiro!
Ah! Loucura... tão sem nexo e pessoal quanto as minhas palavras.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Descrição
Sou céu, terra e mar.
Sou uma, sou mil também.
Sou silêncio, barulho, tempestade.
Sou música, poesia, palavras, poemas teus.
Sou pétalas, espinhos.
Sou paz, amor, mistério sou.
Sou o que sou.
E você, quem é?
Sou uma, sou mil também.
Sou silêncio, barulho, tempestade.
Sou música, poesia, palavras, poemas teus.
Sou pétalas, espinhos.
Sou paz, amor, mistério sou.
Sou o que sou.
E você, quem é?
domingo, 25 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Terça-feira
Dor. Dor de ver o tempo passar como um flash, e mesmo assim tão cruel, tão inglório. Não existem soluções, somente problemas, cumulativos e crescentes.
Vida, quero vivê-la! Mas, talvez, não mais a minha.
Meus amigos se preocupam, só digo que evitem esse tipo de sentimento. Eu sei o que acontece comigo, o que estou fazendo e como a vida acaba sem morte física.
Morri, queridos. Morri do pior jeito possível, morri de desgosto pela vida, morri aos poucos, agonizei.
Culpa da justiça que não se faz, culpa do deus que não acredito mais. Culpa. Culpa é o melhor remédio quando posta nos outros.
Me prendi, me acusei, me dei ao sacrifício da suícida que não sou, estou na minha própria prisão e não existem mais saídas ou últimas chances. Estou condenada a pena perpétua ou talvez de morte.
E vivo só.
Vida, quero vivê-la! Mas, talvez, não mais a minha.
Meus amigos se preocupam, só digo que evitem esse tipo de sentimento. Eu sei o que acontece comigo, o que estou fazendo e como a vida acaba sem morte física.
Morri, queridos. Morri do pior jeito possível, morri de desgosto pela vida, morri aos poucos, agonizei.
Culpa da justiça que não se faz, culpa do deus que não acredito mais. Culpa. Culpa é o melhor remédio quando posta nos outros.
Me prendi, me acusei, me dei ao sacrifício da suícida que não sou, estou na minha própria prisão e não existem mais saídas ou últimas chances. Estou condenada a pena perpétua ou talvez de morte.
E vivo só.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O Despertar da Primavera (inspirado na peça (também))
"Só me abraça agora, esquece tudo."
"Está bem."
Ela olhou fixa nos olhos dele num momento de ternura, simplicidade, de realização. As respirações se encaixavam e tudo se resolvia como um quebra-cabeças.
Ele segurou delicadamente o rosto dela, sorriu.
"Posso te dar um beijo, linda?"
Ela respondeu fechando os olhos e aproximando lentamente o rosto.
Os lábios se tocaram em um beijo quente. Era o ponto final do medo e desejo unidos para iniciar uma bela história. Seria agora a hora.
Os pingos de chuva pareciam complementar o violão baixo e lento que tocava nas mentes dos dois, agora, amantes.
"Eu sempre gostei muito de você."
"Por que você nunca falou, então?"
"Como eu podia imaginar que você era tão louca quanto eu?"
Ela sorriu.
O quarto escuro só deixava um filete de luz evidente, aquele que vinha dos postes da rua, o que criava o cenário perfeito, pois é na ausência da luz, da sanidade, que se deixa o que se sente fluir.
Deixavam somente o tato guiar e mal poderiam crer no que estava acontecendo.
As roupas e os limites sumiam. Nada mais importava além da concretização dessa paixão que, de tão recíproca, era quase inacreditável para os dois.
Era uma noite de vento quente, de chuva fria, de silêncio absoluto no meio do caos. Era a noite de talvez Romeo e Julieta mas era, com certeza, a noite que o universo parou para assistir o que as estrelas já tinham escrito há muito tempo.
"Está bem."
Ela olhou fixa nos olhos dele num momento de ternura, simplicidade, de realização. As respirações se encaixavam e tudo se resolvia como um quebra-cabeças.
Ele segurou delicadamente o rosto dela, sorriu.
"Posso te dar um beijo, linda?"
Ela respondeu fechando os olhos e aproximando lentamente o rosto.
Os lábios se tocaram em um beijo quente. Era o ponto final do medo e desejo unidos para iniciar uma bela história. Seria agora a hora.
Os pingos de chuva pareciam complementar o violão baixo e lento que tocava nas mentes dos dois, agora, amantes.
"Eu sempre gostei muito de você."
"Por que você nunca falou, então?"
"Como eu podia imaginar que você era tão louca quanto eu?"
Ela sorriu.
O quarto escuro só deixava um filete de luz evidente, aquele que vinha dos postes da rua, o que criava o cenário perfeito, pois é na ausência da luz, da sanidade, que se deixa o que se sente fluir.
Deixavam somente o tato guiar e mal poderiam crer no que estava acontecendo.
As roupas e os limites sumiam. Nada mais importava além da concretização dessa paixão que, de tão recíproca, era quase inacreditável para os dois.
Era uma noite de vento quente, de chuva fria, de silêncio absoluto no meio do caos. Era a noite de talvez Romeo e Julieta mas era, com certeza, a noite que o universo parou para assistir o que as estrelas já tinham escrito há muito tempo.
Lógico só para mim
Desejo deu frutos
Em cada letra
Do segundo verso
De cada estrofe
Desejo deu frutos
Seis histórias
Vinte poemas
Milhares de pensamentos
Desejo deu frutos
Que somente eu entenderei
A mensagem escondida
Que no mistério se fechará
Em cada letra
Do segundo verso
De cada estrofe
Desejo deu frutos
Seis histórias
Vinte poemas
Milhares de pensamentos
Desejo deu frutos
Que somente eu entenderei
A mensagem escondida
Que no mistério se fechará
domingo, 18 de outubro de 2009
O Homem
Nada daquilo o fazia feliz, nem a cidade, nem o trabalho e muito menos a chuva que parecia cair só para castigar mais a sua alma. Todo blues do mundo tocava naquele momento. Ele pediu a conta e foi para casa.
No caminho, olhou para as luzes refletidas no mar quase que parado, pensou no que mais o compensaria além dos copos quase que diários. Cambaleando, pensava voltar para o seu lar, mas a verdade é que do seu lar ele estava longe, e aquilo era só passagem, passagem que mais parecia ponto final.
Do que era um homem de paz, de paciência e bom humor, tornou-se amargo, impaciente, incapaz de se ver completamente satisfeito. Do que era um homem da arte, tornou-se um homem da cidade, do frio asfalto, do caos.
Nada mais triste, nada mais desolador.
Por que, então? Nunca fez sentido, nem faria, mas parecia mais preso a tudo aquilo que uma mosca em teia. Era sufocante.
De amores não tinha mais, dos amigos sentia falta, mesmo que alguns pudessem estar, literalmente, ao seu lado, pareciam tão distantes.
Chegou em casa mau encontrando as chaves. Deitou-se e ficou contemplando a vista na janela antes que caísse no sono da ressaca dos seus desejos deixados, perdidos.
O céu nublado não permitia a visão de nenhuma estrela. Tão cruel negar até o brilho das estrelas.
Abriu o computador para procurar aquilo que não sabia mais o que era e, não encontrou.
Deitou-se. Amanha seria mais um dia, mais uma última esperança para o destino que já parecia definido e não respeitava vontades ou sonhos.
Ah, acordar para que?
sábado, 17 de outubro de 2009
Conto de Julieta (PARTE 3) - FINAL
Desci do apartamento com o sol já se pondo. Andei quilômetros, rodei a cidade. Cada passo um pensamento, cada quilômetro, uma conclusão.
Sentei, então, na mesma areia e na mesma praia que repeti o nome de todos eles três vezes cada. O céu já não era tão estrelado, a brisa do mar já não me trazia segurança. Dessa vez era só eu tentando me descobrir, sem suspiros, sem calafrios, sem paixões, falsas paixões.
Enquanto olhava aquele mar que, de tão escuro, ficava tão junto ao céu, percebi que aqueles últimos três anos da minha vida poderiam ser apagados facilmente. Nenhuma das paixões me fez realmente feliz por mais que momentos apenas, tudo era passageiro. Por isso a troca, as traíções, os abandonos. Era somente uma máscara que eu vestia para me proteger do mundo real.
Tentei por alguns minutos pensar em algum DELES que realmente fizesse diferença, não cheguei a nome algum. Todos foram ótimas pessoas, mas nenhum deles nunca preencheu nem poderia preencher o vazio que eu sentia.
Talvez fizesse isso por imaturidade, pela falta que eu sentia dos meus pais depois que eles se foram, pelo fato de eu nunca ter conseguido encarar um amor, pela vida solitária que levava... Realmente não sei.
Só senti que era hora de ficar só por um tempo, me distanciar do vício.
Voltei para casa com os sapatos na mão e andei todo o meu caminho de volta.
Passaram-se cinco anos desse episódio. Nesse tempo me formei, arrumei um emprego estável, fiz novos amigos e, o mais importante, aprendi a conviver comigo mesma. Se eu me visse sozinha antes, por tanto tempo, talvez tivesse pintado e mudado o cabelo umas 700 vezes mas, de lá pra cá, acho que só mudei duas.
Tudo estava calmo, sem ansiedade, sem confusõs, sem amores ou problemas. Era só eu embarcando num avião para o nordeste, tirando minhas merecidas férias com mais 4 colegas de trabalho.Um belo dia de verão, uma brisa me tocava. A mudança se concluira e o vício nunca mais voltará.
Três anos depois, Julieta casou-se com Thiago, um cozinheiro que conheceu nessa viagem. Dessa vez não era paixão, ela amava pela primeira vez.
Julieta nunca mais se apaixonou por ninguém,até agora.
Sentei, então, na mesma areia e na mesma praia que repeti o nome de todos eles três vezes cada. O céu já não era tão estrelado, a brisa do mar já não me trazia segurança. Dessa vez era só eu tentando me descobrir, sem suspiros, sem calafrios, sem paixões, falsas paixões.
Enquanto olhava aquele mar que, de tão escuro, ficava tão junto ao céu, percebi que aqueles últimos três anos da minha vida poderiam ser apagados facilmente. Nenhuma das paixões me fez realmente feliz por mais que momentos apenas, tudo era passageiro. Por isso a troca, as traíções, os abandonos. Era somente uma máscara que eu vestia para me proteger do mundo real.
Tentei por alguns minutos pensar em algum DELES que realmente fizesse diferença, não cheguei a nome algum. Todos foram ótimas pessoas, mas nenhum deles nunca preencheu nem poderia preencher o vazio que eu sentia.
Talvez fizesse isso por imaturidade, pela falta que eu sentia dos meus pais depois que eles se foram, pelo fato de eu nunca ter conseguido encarar um amor, pela vida solitária que levava... Realmente não sei.
Só senti que era hora de ficar só por um tempo, me distanciar do vício.
Voltei para casa com os sapatos na mão e andei todo o meu caminho de volta.
Passaram-se cinco anos desse episódio. Nesse tempo me formei, arrumei um emprego estável, fiz novos amigos e, o mais importante, aprendi a conviver comigo mesma. Se eu me visse sozinha antes, por tanto tempo, talvez tivesse pintado e mudado o cabelo umas 700 vezes mas, de lá pra cá, acho que só mudei duas.
Tudo estava calmo, sem ansiedade, sem confusõs, sem amores ou problemas. Era só eu embarcando num avião para o nordeste, tirando minhas merecidas férias com mais 4 colegas de trabalho.Um belo dia de verão, uma brisa me tocava. A mudança se concluira e o vício nunca mais voltará.
Três anos depois, Julieta casou-se com Thiago, um cozinheiro que conheceu nessa viagem. Dessa vez não era paixão, ela amava pela primeira vez.
Julieta nunca mais se apaixonou por ninguém,até agora.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Conto de Julieta (PARTE 2)
Naquele momento senti uma naúsea, uma tontera. Era como se a culpa batesse em mim como um tiro quente, e me abateu, me derrubou. Enquanto o Luíz se ajeitava para tentar dar uma explicação para o amigo, eu fiquei estática.
Os olhos do Tatu se encheiam de raiva e lágrimas. Foi a última vez que eu o vi.
No dia seguinte ele tinha deixado um bilhete dizendo que eu poderia ficar, que ele daria um jeito de ir para outro lugar e respeitar a minha escolha.
Aquilo acabou comigo, ainda mais. Cada palavra mostrava o quanto ele gostava de mim, o quanto eu fui injusta, mais do que eu pensava e o quanto eu não poderia mais ficar ali.
Arrumei minhas coisas e fui embora.Enquanto ao Luíz? Eu sumi e nunca mais soube dele.
Fiquei na casa de uma amiga por um tempo até que o apartamento que eu morava, herdado do meu avô, tivesse vazio, sem os inquilinos.
Voltei para o apartamento e parecia que tudo tinha voltado ao marco zero. As paredes vazias, somente o sofá, a cama, os eletrodomésticos. Tudo exatamente como eu tinha entrado há 3 anos atrás. Calmo e, o pior, sem ninguém.
Sentei no chão, bem embaixo da janela, coloquei a cabeça entre as pernas e comecei a pensar o porque parecia tudo estar errado. Devo ter ficado ali por algumas horas até olhar o embrulho deixado pela antiga inquilina com as correspondencias que chegavam e eu não ia buscar.
Abri e, entre os anúncios e catálogos, estava a carta do Yan, meu ex-noivo. Ele falava que não conseguia falar comigo pelo telefone, que estava fazendo um curso na Alemanha, que gostaria de saber como eu estava. Ele deixava no fim da carta o novo telefone dele e um "sinto sua falta.".
Pensei em ligar para ele mas, pela primeira vez na minha vida, tomei uma decisão madura. Não ligaria. Se eu ligasse eu acabaria dando o um jeito de despertar de novo o que eu senti por ele só para me destrair, só apra fugir de mim mesma.
Guardei a carta numa gaveta junto com as outras. Aquilo tinha que parar, não poderia mais associar as minhas paixões loucas à única forma de ser feliz. Era hora de mudança!
CONTINUA...
Quinto Mês
Esse eu achei entre as folhas do meu caderno de física hoje.
Não descansarei em seus braços
As súplicas do meu passado
E as almas penadas do meu presente
Guardarei-te como um diamante
Pois do que ainda não é amor
Não hei de começar além do desejo
Do que te trás aos olhos mel
O reflexo do meu futuro
Hei de admirar cada verso
Dito de suas palavras e respiração
Até que o tempo passe
E faça de ti tão meu
Quanto eu sou sua
Não descansarei em seus braços
As súplicas do meu passado
E as almas penadas do meu presente
Guardarei-te como um diamante
Pois do que ainda não é amor
Não hei de começar além do desejo
Do que te trás aos olhos mel
O reflexo do meu futuro
Hei de admirar cada verso
Dito de suas palavras e respiração
Até que o tempo passe
E faça de ti tão meu
Quanto eu sou sua
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Conto de Julieta (PARTE 1)
Eu tinha 22 anos quando eu percebi que era viciada em paixões.
Estava na praia ao anoitecer, sentei na areia fria, olhei para as estrelas, repeti o nome dele três vezes. Meu coração batia forte e se embrulhava junto com o calafrio que eu sentia dos pés à cabeça. Não era a primeira vez que fazia aquilo, muito menos seria a última e, no fundo, eu sabia. Não gostava dele ou deles, gostava mesmo é do calor da paixão.
Tudo ficou mais claro quando, no ápice do meu noivado, me apaixonei pelo Pedro. Ele nunca teve nada haver comigo, mas eu gostava e me forçava a pensar nele só pra ter aquela sensação de explosão de todos os meus sentimentos juntos. Não importava o quanto o meu relacionamento com o meu noivo estivesse bem, à medida que a rotina foi se juntando ao romance, eu joguei tudo pro alto, olhei para o Pedro só para não cair na mesmisse.
E se você pensa que eu tentei esquecê-lo para salvar meu noivado, está enganado. Esquecê-lo seria terrível. Por isso, enquanto não arranjasse outro ELE pra pensar, me esforçava pra continuar me sentindo como uma boba.
Fiquei tão fora de mim que o meu noivado acabou (e não fui nem eu quem terminou) e, quando olhei em volta, não tinha mais ninguém. O Pedro? Talvez nunca tivesse próximo. Chorei por alguns dias, fazia parte do plano, fazia parte da minha paixão fulminante que nem mais existia.
Passei um tempo me embebedando por aí e tentando mudar de personalidade, assim como mudei cinco vezes a cor do meu cabelo.
Dois meses se passaram, conheci o Tatu. Não precisei nem de uma noite com ele para me declarar oficialmente apaixonada. O Tatu também não era nada parecido comigo. Enquanto eu ouvia HardRock e usava camisetas estampadas, ele ouvia MPB e se vestia com um tecido bem parecido com o pano de prato aqui de casa. Conclusão: em menos de uma semana eu me tornei a maior hippie ouvinte de MPB que eu conhecia.
Minha história com o Tatu até que deu certo, exceto pelas rodas de samba que eu não suportava. Mas estava tudo bem desde que eu continuasse alucinada por ele.
Foi quando, no quinto mês de namoro, eu fui morar com ele. A casa dele nem era tão ruim, o problema era que nós dividiamos com mais dois amigos dele, também vindos do Espírito Santo para estudar aqui. O primeiro mês foi tranquilo, todos nós nos dávamos bem, a casa era uma bagunça, mas nada era desconfortável.
Até o dia que o Tatu foi viajar para ver a família e só ficaram eu e um dos amigos dele no apartamento. Na primeira noite, bebemos algumas latas de cerveja, jogamos cartas e, para o meu eterno azar, o papo estava ótimo.
Não deu em outra. Passei o resto da noite olhando para a janela, sentido aquele vento de verão me tocar e, lá estava eu pensando no Luíz, meu colega de apartamento, o único ali.
O dia seguinte não foi nada menos do que o esperado (pra mim). Depois de mais cervejas, mais cartas e mais conversas, dormi com ele. Estava tudo perfeito, o clima, a noite, nós dois.
Tatu chegou logo pela manhã, me trouxe milhares de presentes. Mas, nada daquilo me impressionava mais, tudo o que vinha na minha cabeça me falava "Luíz, Luíz, Luíz".
Umas semanas depois, em uma das vezes em que me via sozinha com meu mais novo brinquedo, me deitei novamente com ele. O Tatu chegou minutos depois do ato ser concretizado e se deparou com aquela cena na sua frente: o melhor amigo e sua namorada juntos. Ele não merecia isso.
CONTINUA........
Estava na praia ao anoitecer, sentei na areia fria, olhei para as estrelas, repeti o nome dele três vezes. Meu coração batia forte e se embrulhava junto com o calafrio que eu sentia dos pés à cabeça. Não era a primeira vez que fazia aquilo, muito menos seria a última e, no fundo, eu sabia. Não gostava dele ou deles, gostava mesmo é do calor da paixão.
Tudo ficou mais claro quando, no ápice do meu noivado, me apaixonei pelo Pedro. Ele nunca teve nada haver comigo, mas eu gostava e me forçava a pensar nele só pra ter aquela sensação de explosão de todos os meus sentimentos juntos. Não importava o quanto o meu relacionamento com o meu noivo estivesse bem, à medida que a rotina foi se juntando ao romance, eu joguei tudo pro alto, olhei para o Pedro só para não cair na mesmisse.
E se você pensa que eu tentei esquecê-lo para salvar meu noivado, está enganado. Esquecê-lo seria terrível. Por isso, enquanto não arranjasse outro ELE pra pensar, me esforçava pra continuar me sentindo como uma boba.
Fiquei tão fora de mim que o meu noivado acabou (e não fui nem eu quem terminou) e, quando olhei em volta, não tinha mais ninguém. O Pedro? Talvez nunca tivesse próximo. Chorei por alguns dias, fazia parte do plano, fazia parte da minha paixão fulminante que nem mais existia.
Passei um tempo me embebedando por aí e tentando mudar de personalidade, assim como mudei cinco vezes a cor do meu cabelo.
Dois meses se passaram, conheci o Tatu. Não precisei nem de uma noite com ele para me declarar oficialmente apaixonada. O Tatu também não era nada parecido comigo. Enquanto eu ouvia HardRock e usava camisetas estampadas, ele ouvia MPB e se vestia com um tecido bem parecido com o pano de prato aqui de casa. Conclusão: em menos de uma semana eu me tornei a maior hippie ouvinte de MPB que eu conhecia.
Minha história com o Tatu até que deu certo, exceto pelas rodas de samba que eu não suportava. Mas estava tudo bem desde que eu continuasse alucinada por ele.
Foi quando, no quinto mês de namoro, eu fui morar com ele. A casa dele nem era tão ruim, o problema era que nós dividiamos com mais dois amigos dele, também vindos do Espírito Santo para estudar aqui. O primeiro mês foi tranquilo, todos nós nos dávamos bem, a casa era uma bagunça, mas nada era desconfortável.
Até o dia que o Tatu foi viajar para ver a família e só ficaram eu e um dos amigos dele no apartamento. Na primeira noite, bebemos algumas latas de cerveja, jogamos cartas e, para o meu eterno azar, o papo estava ótimo.
Não deu em outra. Passei o resto da noite olhando para a janela, sentido aquele vento de verão me tocar e, lá estava eu pensando no Luíz, meu colega de apartamento, o único ali.
O dia seguinte não foi nada menos do que o esperado (pra mim). Depois de mais cervejas, mais cartas e mais conversas, dormi com ele. Estava tudo perfeito, o clima, a noite, nós dois.
Tatu chegou logo pela manhã, me trouxe milhares de presentes. Mas, nada daquilo me impressionava mais, tudo o que vinha na minha cabeça me falava "Luíz, Luíz, Luíz".
Umas semanas depois, em uma das vezes em que me via sozinha com meu mais novo brinquedo, me deitei novamente com ele. O Tatu chegou minutos depois do ato ser concretizado e se deparou com aquela cena na sua frente: o melhor amigo e sua namorada juntos. Ele não merecia isso.
CONTINUA........
domingo, 11 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Mais cinco letras
Lembro-me ainda daquelas noites de inverno. Eis que entra aquela saudade em cena.
Queria tanto voltar no tempo, vivê-lo por cada mísero segundo, prestar atenção em cada letra das suas palavras. Acho que foi a época mais feliz da minha vida, aquilo que poderia ser a compensação de todos os tombos e tropeços da minha história indigna. Não sorria por algo extrordinário, sorria simplesmente porque ali existia um sentimento verdadeiro em mim, latente nele. Mesmo que nada daquilo me fosse permitido.Eu era comprometida, ouro no dedo direito e ele, bem, estava lá e parecia não enxergar nada do que estava acontecendo, éramos sós num mundo cheio de complicações ao nosso redor.
Lembro-me das conversas, dos gestos que nos aproximavam, daquele grito de extrema felicidade contido com um frio na barriga (acho que chamam isso de paixão). Não sei nem como essa tal senhorita, tão sorridente, tão intrigante, tão dominadora, entrou na minha mente e te fez fixo em meus olhos. Foi curioso até, surgiu das cinzas, sem justificar-se.
Queria poder olhar nos olhos dele, aqueles que me mergulhavam, que me encaravam em brilho, olhar mais uma vez e o flagar me notando, me desfazendo,me despindo. Era tão doce e eu amava.
A vida real voltou, o inverno passou. Me desfiz da aliança que me trazia a solidez mas, que nada perto do que sentia por ele, me trazia, e o esperei, esperei, esperei.
Ando vacilante enfim, talvez com um, dois ou três, todos tentando buscar o que encontrei em ti, todos pra me convencer que é melhor te deixar pra trás, foi só um inverno e eu, eu só te fui passagem.
Queria tanto voltar no tempo, vivê-lo por cada mísero segundo, prestar atenção em cada letra das suas palavras. Acho que foi a época mais feliz da minha vida, aquilo que poderia ser a compensação de todos os tombos e tropeços da minha história indigna. Não sorria por algo extrordinário, sorria simplesmente porque ali existia um sentimento verdadeiro em mim, latente nele. Mesmo que nada daquilo me fosse permitido.Eu era comprometida, ouro no dedo direito e ele, bem, estava lá e parecia não enxergar nada do que estava acontecendo, éramos sós num mundo cheio de complicações ao nosso redor.
Lembro-me das conversas, dos gestos que nos aproximavam, daquele grito de extrema felicidade contido com um frio na barriga (acho que chamam isso de paixão). Não sei nem como essa tal senhorita, tão sorridente, tão intrigante, tão dominadora, entrou na minha mente e te fez fixo em meus olhos. Foi curioso até, surgiu das cinzas, sem justificar-se.
Queria poder olhar nos olhos dele, aqueles que me mergulhavam, que me encaravam em brilho, olhar mais uma vez e o flagar me notando, me desfazendo,me despindo. Era tão doce e eu amava.
A vida real voltou, o inverno passou. Me desfiz da aliança que me trazia a solidez mas, que nada perto do que sentia por ele, me trazia, e o esperei, esperei, esperei.
Ando vacilante enfim, talvez com um, dois ou três, todos tentando buscar o que encontrei em ti, todos pra me convencer que é melhor te deixar pra trás, foi só um inverno e eu, eu só te fui passagem.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Máscara de Ferro
Meu amado sempre foi um bom companheiro. Me trazia flores, me buscava todo dia no trabalho, dizia que me amava todo minuto e tinha um ciúme bobo e infundado de toda e qualquer pessoa que se aproximasse de mim. Quando ficamos noivos, e isso foi pouco antes do término , mesmo sabendo que eu não o amava mais, eu tentei e tentei... Afinal, onde poderia arranjar algúem assim? Ele podia não ser muito bonito, feio até, e, muitas vezes, mostrava não ter um terço da cultura e da dinâmica de mundo que eu tinha. Mas eu tentei, porque algo ali tinha valor e me dizia que ainda valia a pena lutar um pouquinho.
Durante algumas semanas me esforcei ao máximo até o dia que consegui olhar para ele e sentir denovo aquela vontade de que o tempo passasse bem devagar, só para que nós dois pudessemos ficar juntinhos. Me lembro até de um domingo que, sem ninguém em casa para atrapalhar, nos amamos sem precauções. Não foi o sexo em si, mas o jeito em que, pela última vez, nos olhamos, nos abraçamos e nos procuramos um no outro. Foi uma noite bela! Ah, se foi! Depois daquele dia não direi que não percebi nada de diferente, mas nunca teria idéia do que estava por vir. Ele estava distante, mas não tão distante que um beijo não pudesse trazê-lo devolta ao meu planeta.
Uma semana depois ele bateu na minha porta e disse que estava tudo acabado. Me foi tirado o chão naquele momento e por exatos 6 dias. Joguei a aliança nele, saí correndo para dentro e fiquei me questionando o porque daquilo tudo. Prometemos que seríamos amigos, melhores amigos. Por um tempo, depois do fim, achei que poderia até dar certo, já não sentia falta dele (afinal, se foi um esforço voltar a gostar dele, seria simples esquecê-lo) e as conversas fluíam normalmente e sem ressentimentos.
Mas eis que chega a máscara de ferro. Aquela cela fria e desonrosa na qual ele se esconde quando está muito pior do que pensa. Nesse esquema louco, ele vira outra pessoa: finge que está por cima da situação, ser o Don Juan, o forte. Mas a verdade é que é imaturo e tão fraco que dói.
Até a voz dele, o jeito de falar, tudo é diferente. Tudo uma auto-defesa, tudo um jeito de tentar se iludir com um mundinho que ele cria. Já tentei conversar com ele sobre isso, mas ele me responde como se aquilo tudo fizesse sentido . E realmente faz, por enquanto. Acho mesmo que no fundo ele sabe o que está fazendo, e o faz porque acredita que, quando precisar, pode tirar a máscara. Não é bem assim, dessa vez ele não vai poder correr de volta para mim.
Um dia, quando ele finalmente crescer, talvez veja o quanto isso o derruba cada vez mais. Mas enquanto ele continua fazendo joguinhos com ele mesmo, cresci, relevei, me apaixonei e achei uma pessoa que corresponde bem mais às minhas espectativas.
De tudo isso, o que mais dói não é o amor desesperado que não tenho. É, simplesmente, ver que aquele que eu pensava conhecer, por alguma bobagem qualquer transformar-se outra pessa, deixar se corromper pelo mundo, tornando-se mais um. Era uma vez um grande homem, mas é muito difícil ser assim, tornou-se um menino então. Pena.
Durante algumas semanas me esforcei ao máximo até o dia que consegui olhar para ele e sentir denovo aquela vontade de que o tempo passasse bem devagar, só para que nós dois pudessemos ficar juntinhos. Me lembro até de um domingo que, sem ninguém em casa para atrapalhar, nos amamos sem precauções. Não foi o sexo em si, mas o jeito em que, pela última vez, nos olhamos, nos abraçamos e nos procuramos um no outro. Foi uma noite bela! Ah, se foi! Depois daquele dia não direi que não percebi nada de diferente, mas nunca teria idéia do que estava por vir. Ele estava distante, mas não tão distante que um beijo não pudesse trazê-lo devolta ao meu planeta.
Uma semana depois ele bateu na minha porta e disse que estava tudo acabado. Me foi tirado o chão naquele momento e por exatos 6 dias. Joguei a aliança nele, saí correndo para dentro e fiquei me questionando o porque daquilo tudo. Prometemos que seríamos amigos, melhores amigos. Por um tempo, depois do fim, achei que poderia até dar certo, já não sentia falta dele (afinal, se foi um esforço voltar a gostar dele, seria simples esquecê-lo) e as conversas fluíam normalmente e sem ressentimentos.
Mas eis que chega a máscara de ferro. Aquela cela fria e desonrosa na qual ele se esconde quando está muito pior do que pensa. Nesse esquema louco, ele vira outra pessoa: finge que está por cima da situação, ser o Don Juan, o forte. Mas a verdade é que é imaturo e tão fraco que dói.
Até a voz dele, o jeito de falar, tudo é diferente. Tudo uma auto-defesa, tudo um jeito de tentar se iludir com um mundinho que ele cria. Já tentei conversar com ele sobre isso, mas ele me responde como se aquilo tudo fizesse sentido . E realmente faz, por enquanto. Acho mesmo que no fundo ele sabe o que está fazendo, e o faz porque acredita que, quando precisar, pode tirar a máscara. Não é bem assim, dessa vez ele não vai poder correr de volta para mim.
Um dia, quando ele finalmente crescer, talvez veja o quanto isso o derruba cada vez mais. Mas enquanto ele continua fazendo joguinhos com ele mesmo, cresci, relevei, me apaixonei e achei uma pessoa que corresponde bem mais às minhas espectativas.
De tudo isso, o que mais dói não é o amor desesperado que não tenho. É, simplesmente, ver que aquele que eu pensava conhecer, por alguma bobagem qualquer transformar-se outra pessa, deixar se corromper pelo mundo, tornando-se mais um. Era uma vez um grande homem, mas é muito difícil ser assim, tornou-se um menino então. Pena.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Confissão de sexta
Ele me pareceu sempre tão acessível. Me falava sobre os sonhos, as aspirações, seus segredos e temores. Passavam-se horas de confissões cuidadosas, recíprocas, e sempre imaginava que amanhã, ou talvez depois (mas sempre em futuro próximo), algo poderia ocorrer. E alimentava aquela paixão, fazendo com que ela saísse do meu controle e da simples brincadeira de conjugar uma ou duas vezes o tal do verbo "amar". Cresceu.
Eu tentava, realmente tentava muito deixar tudo claro dentro de uma omissão sem fim. Mas nada mudava, era como se pudesse ver, como se, em um minuto, conseguisse sentir o cheiro da realidade. Foram meses e meses de medo e desejo unidos, em palavras, gestos, risos, canções e filmes.
Um belo dia, sem mais nem menos, tudo parou. E fui aceitando tudo, literalmente. Aceitei a aliança de ouro que o outro colocou em meu dedo, temendo o futuro ao me ver cada vez mais distânte dele e, perto de um outro amor Aceitei o silêncio, ainda mais que antes. Aceitei a indiferença.
Abondonei noivo, reconstruí minha vida, espero por você. Nada é como antes e, aposto, até hoje não sabe que te amo. Tolo.
Eu tentava, realmente tentava muito deixar tudo claro dentro de uma omissão sem fim. Mas nada mudava, era como se pudesse ver, como se, em um minuto, conseguisse sentir o cheiro da realidade. Foram meses e meses de medo e desejo unidos, em palavras, gestos, risos, canções e filmes.
Um belo dia, sem mais nem menos, tudo parou. E fui aceitando tudo, literalmente. Aceitei a aliança de ouro que o outro colocou em meu dedo, temendo o futuro ao me ver cada vez mais distânte dele e, perto de um outro amor Aceitei o silêncio, ainda mais que antes. Aceitei a indiferença.
Abondonei noivo, reconstruí minha vida, espero por você. Nada é como antes e, aposto, até hoje não sabe que te amo. Tolo.
Lizzy's (Frivolous)
"To me, his ways of thinking were always frivolous. Almost comical. His obsession with that book. He'd read all 150 pages of it every night, after his usual cup of peach tea and before brushing his teeth, at 11 p.m. It took him about one hour to read it, and I'd sit and watch and drink tea. And when he'd finish the book, he'd look up, a look of satisfaction and a childish smile on his face. This went on for about two weeks. Have you become sick of the book?, I asked him. No, said he, I just want to read something else. And he did. In French.
But that book was still his favourite. He kept it on his bedside table, and he'd put his glasses over it before sleeping. It was a book about two people who'd never met, but were seeking for the same thing, or something. There was a lot of symbolic stuff on that book, I remember he'd ask me what the meaning of this or that was.
Sometimes, he really was frivolous. He'd laugh at something for hours, and when he finally stopped laughing, he couldn't remember what it was that set him off in the first place. Sometimes, this annoyed me.
I suppose we were in love. I was in love with his frivolity and he was in love with my matter-of-factness. We had been together for a great deal of time, and lived together for a while, and we knew each other pretty well and were comfortable with each other. I suppose it was love.
Either that, or comfort.
I like to believe it was love, before he left."
But that book was still his favourite. He kept it on his bedside table, and he'd put his glasses over it before sleeping. It was a book about two people who'd never met, but were seeking for the same thing, or something. There was a lot of symbolic stuff on that book, I remember he'd ask me what the meaning of this or that was.
Sometimes, he really was frivolous. He'd laugh at something for hours, and when he finally stopped laughing, he couldn't remember what it was that set him off in the first place. Sometimes, this annoyed me.
I suppose we were in love. I was in love with his frivolity and he was in love with my matter-of-factness. We had been together for a great deal of time, and lived together for a while, and we knew each other pretty well and were comfortable with each other. I suppose it was love.
Either that, or comfort.
I like to believe it was love, before he left."
Sexta-Feira.
Sentou ao lado dos operários uma menina que esperava seu ônibus. Encolhida, não de frio, olhava para as próprias pernas e para as mãos apertadas. Os operários liam um jornal barato. Na capa, "Menina abusada dos onze até os 14".
Os operários de sotaque estranho, roupas sujas, opinavam. A menina, quieta.
Na notícia não se revelavam os nomes. Era A.. Era P..
A menina ensaiou o choro. Os operários jogaram o jornal por cima do banco e embarcaram no ônibus.
É difícil manter o silêncio. É difícil ver sua vida em papel, exposta.
A. foi para casa.
Os operários de sotaque estranho, roupas sujas, opinavam. A menina, quieta.
Na notícia não se revelavam os nomes. Era A.. Era P..
A menina ensaiou o choro. Os operários jogaram o jornal por cima do banco e embarcaram no ônibus.
É difícil manter o silêncio. É difícil ver sua vida em papel, exposta.
A. foi para casa.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
E agora estavam os dois, deitados na areia, olhando para uma imensidão de estrelas ofuscadas pelas luzes de uma cidade grande. Podiam sentir o cheio da maresia, uma ligação entre suas almas naquele momento. Ela suspirou, colocou na face um sorriso sincero que parecia petrificado, incapaz de ser desfeito. Ele, talvez temendo o que ali se iniciaria, lentamente se aproximou dela. Aos poucos, envolvidas pela ventania misteriosa, as mãos iam se aproximando. Era como se o mundo tivesse parado naquele instante para assisti-los, até mesmo as buzinas que se ouviam da pista de carros pareciam mudas. Era o universo a platéia.
As mãos se encostaram e os dois pensavam somente no próximo passo, no beijo ou no silêncio. Nenhuma palavra foi dita por minutos, até que se cruzaram os olhares. Ele sorriu, ela sorriu, os corações despararam. Ele aproximou o rosto no dela até que, num beijo terno, concluiram sua louca ligação, um beijo amoroso, de um amor omitido por muito tempo, um beijo de desabafo.
O envolvimento era inevitável, como se de outras vidas viesse esse amor que demorou tanto pra se concretizar. Ele pousou o corpo sobre o dela. Surgiu desejo? Sim. Mas naquele momento o que os movia era somente a vontade de dar sentido as inúmeras conversas, as inúmeras vezes em que tudo ficava, simplesmente, no ar, incerto. As repirações se encaixavam, os calafrios, as sensações...
E ela acordou. O desperador foi desligado, cartela esvaziada. Ela queria voltar a sonhar.
As mãos se encostaram e os dois pensavam somente no próximo passo, no beijo ou no silêncio. Nenhuma palavra foi dita por minutos, até que se cruzaram os olhares. Ele sorriu, ela sorriu, os corações despararam. Ele aproximou o rosto no dela até que, num beijo terno, concluiram sua louca ligação, um beijo amoroso, de um amor omitido por muito tempo, um beijo de desabafo.
O envolvimento era inevitável, como se de outras vidas viesse esse amor que demorou tanto pra se concretizar. Ele pousou o corpo sobre o dela. Surgiu desejo? Sim. Mas naquele momento o que os movia era somente a vontade de dar sentido as inúmeras conversas, as inúmeras vezes em que tudo ficava, simplesmente, no ar, incerto. As repirações se encaixavam, os calafrios, as sensações...
E ela acordou. O desperador foi desligado, cartela esvaziada. Ela queria voltar a sonhar.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Mensagem Escondida
Quero fazer um poema de cinco estrofes
Para esconder seu nome nele
Como uma mensagem enrolada em uma garrafa
Jogada ao mar, esperando ser encontrada
Ou por você ou por mais ninguém
Quem sabe um dia então
Acolhida em seus braços
Eu tenha coragem de te mostrar
Todas as mensagens escondidas
Que plantei por aí
Mas enquanto não me encoraja
Beijarei o papel
E ficarei em silêncio
Pois declarar-me seria prematuro
Lentamente, então, hei de te conquistar
Com cada palavra e idéia que vier na minha mente
Quero fazer um poema de cinco estrofes
Olhando para o futuro
Sem me preocupar se ele há de existir
Para esconder seu nome nele
Como uma mensagem enrolada em uma garrafa
Jogada ao mar, esperando ser encontrada
Ou por você ou por mais ninguém
Quem sabe um dia então
Acolhida em seus braços
Eu tenha coragem de te mostrar
Todas as mensagens escondidas
Que plantei por aí
Mas enquanto não me encoraja
Beijarei o papel
E ficarei em silêncio
Pois declarar-me seria prematuro
Lentamente, então, hei de te conquistar
Com cada palavra e idéia que vier na minha mente
Quero fazer um poema de cinco estrofes
Olhando para o futuro
Sem me preocupar se ele há de existir
Desejo
É e sempre será desejo
Pois foi da carne que em mim nasceu
A busca por seus beijos
Do tanto que guarda desse mundo
Que me dá sede de estar ao seu lado
De ouvir todas as palavras
Embaralhando minhas memórias e esperanças nas tuas
Me olha e sente o mesmo?
Pois vejo fogo
Que queima e tira do controle
Mas há de ser só chama
Que se alimenta mas apaga, visto que temos destinos diferentes
Lugares
Caminhos
Mas, mesmo assim, os mesmos gostos
E paixao pela vida
É e sempre será desejo
Que nasceu alucinante
Esquentando e sendo insaciável
Até que se prove da carne
Até que se mate a cobiça
E garanto que, deste dueto, amor nunca te virá.
Pois foi da carne que em mim nasceu
A busca por seus beijos
Do tanto que guarda desse mundo
Que me dá sede de estar ao seu lado
De ouvir todas as palavras
Embaralhando minhas memórias e esperanças nas tuas
Me olha e sente o mesmo?
Pois vejo fogo
Que queima e tira do controle
Mas há de ser só chama
Que se alimenta mas apaga, visto que temos destinos diferentes
Lugares
Caminhos
Mas, mesmo assim, os mesmos gostos
E paixao pela vida
É e sempre será desejo
Que nasceu alucinante
Esquentando e sendo insaciável
Até que se prove da carne
Até que se mate a cobiça
E garanto que, deste dueto, amor nunca te virá.
Silêncio
Amo-te, mas em silêncio
Pois meu amor é um grande erro
Seja moral, seja psicológico
E não faz sentido algum
E surgiu sem razão alguma
Queria poder te promete
Somente o Desejo,
Esse, sim, talvez correspondido,
O fogo de palha
Mas vejo-te na minha frente
Nas músicas
Nos filmes
Nas paísagens
Nas minhas palavras
Amo-te, mas em silêncio
Pois descobri, para meu eterno azar,
Que minha fome não é só de carne.
Triste fome.
Loucura.
Pois meu amor é um grande erro
Seja moral, seja psicológico
E não faz sentido algum
E surgiu sem razão alguma
Queria poder te promete
Somente o Desejo,
Esse, sim, talvez correspondido,
O fogo de palha
Mas vejo-te na minha frente
Nas músicas
Nos filmes
Nas paísagens
Nas minhas palavras
Amo-te, mas em silêncio
Pois descobri, para meu eterno azar,
Que minha fome não é só de carne.
Triste fome.
Loucura.
Um amor
Eu quero viver um amor
Que me coloque de pernas pro ar
Que me faça saltitar pela casa
E suspirar pelos cantos
Eu quero viver um amor
Que me guie nas minhas fraquezas
Que me desnortie durante a noite
E que me envolva em um abraço terno
Eu quero viver um amor que rasgue as teorias
Que me olhe de manhã à noite
Que tire meus medos
E que me faça sentir viva
Eu quero viver um amor além do substântivo
Que não se resuma em letras
Que não se encontre em dicinários
E que te descreva a cada tentativa
Que me coloque de pernas pro ar
Que me faça saltitar pela casa
E suspirar pelos cantos
Eu quero viver um amor
Que me guie nas minhas fraquezas
Que me desnortie durante a noite
E que me envolva em um abraço terno
Eu quero viver um amor que rasgue as teorias
Que me olhe de manhã à noite
Que tire meus medos
E que me faça sentir viva
Eu quero viver um amor além do substântivo
Que não se resuma em letras
Que não se encontre em dicinários
E que te descreva a cada tentativa
Fim
Virgem há de ser meu amor
Da dor que tenho ao ver passar o tempo
E se acabar
Ao ver-me entregue
Ao ouro da aliança de outro
Que me promete solidez
Mas que me traz a solidão
Triste há de ser este final
Do que nunca começou
Mas que em mim viveu
Nasceu morreu
Sorriu e ficou
E se despede rapidamente
Pois a espera o matou
Nova será esta necessidade
De vingar-me com silencio
E indiferença
Quando ao fundo tenho-te
Para abraçar-me e não para
Questionar-te do porque
A lua que olhamos tanto
Hoje é gélida e escurecida
E já não encanta mais.
Da dor que tenho ao ver passar o tempo
E se acabar
Ao ver-me entregue
Ao ouro da aliança de outro
Que me promete solidez
Mas que me traz a solidão
Triste há de ser este final
Do que nunca começou
Mas que em mim viveu
Nasceu morreu
Sorriu e ficou
E se despede rapidamente
Pois a espera o matou
Nova será esta necessidade
De vingar-me com silencio
E indiferença
Quando ao fundo tenho-te
Para abraçar-me e não para
Questionar-te do porque
A lua que olhamos tanto
Hoje é gélida e escurecida
E já não encanta mais.
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