quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Assombração

Comovente deve ser pra você, inútil!
Só me sobraram o calor de fevereiro e a seca que, como tua alma, não lhe caí bem uma lágrima se quer.
Eu já não broto mais, sou consumida pela própria dor de ver-te ao meu lado, mas frio, implacável, com beleza de uma montanha que se pode admirar ao longe mas tão mortal para mim, que vivo de mar.
O cherio do teu suor me arrepia, a fumaça do teu Malboro me remete ao nosso intacto passado. Queimou, se desfez, virou mais um resto pisado ao chão.
A maior punição eu que aplico. Fico ao teu lado apesar dos avisos, apesar do vazio, apesar dessas mulambas.
Eu gosto de te ver longe, gosto de ver pois quero acreditar, quero falar para mim mesma que é real.
O fim não é como teu sono, meu amor, o fim é irremediável. 
Vá e rompa este grito em mim. Quem sabe com a tua ausência o tempo não me consuma tanto que, em necrose, eu me faça em cinzas, misturada com meu desapontamento, nos tornando uma coisa só.
A dor da falência já não me causará tanto dolo quanto tua partida.

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