segunda-feira, 29 de abril de 2013

Compensa

Meu bem,
vim lhe falar sobre o teu riso
que de tão belo me dominou
e me deixou refém
de qualquer alegria tua.

Somente o teu riso
aquele sincero que franze a testa
é a verdadeira cura
acima de todas as pílulas
que cobrem tua ausência

De tão puro
me pergunto se posso admirar
de tão vivo
penso que logo eu, morta
posso pecar ao desejá-lo

Meu bem,
vim lhe falar sobre o teu riso
que de tão meu, enloquece
que de tão teu, deixo partir
que de tão nosso, não consegue ver.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Delírio

Deveriam ter te alertado sobre as cicatrizes em meus braços. Assim ficaria mais fácil de fugir quando eu me tornasse escuro, quando você fosse vazio, quando a vida fosse vento.
Toda a culpa do rock 'n roll caindo sobre meus ombros. Dizem ligar, dizem ajudar, mas pouco se importam. Quem não convive com a própria culpa nunca poderá entender a alheia.
Todos os pequenos erros, todas as noites sem glória, todas as giletadas mal cortadas e impunes, nada, absolutamente nada, convém. Ninguém quer saber de uma Lua Nova, de uma tempestade. Quem olha para a noite quer admira-la sem o pesar.
Cansei de avisar à multidão sobre o desespero. Agora, em desespero, espero que ouçam o meu suplício.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Assombração

Comovente deve ser pra você, inútil!
Só me sobraram o calor de fevereiro e a seca que, como tua alma, não lhe caí bem uma lágrima se quer.
Eu já não broto mais, sou consumida pela própria dor de ver-te ao meu lado, mas frio, implacável, com beleza de uma montanha que se pode admirar ao longe mas tão mortal para mim, que vivo de mar.
O cherio do teu suor me arrepia, a fumaça do teu Malboro me remete ao nosso intacto passado. Queimou, se desfez, virou mais um resto pisado ao chão.
A maior punição eu que aplico. Fico ao teu lado apesar dos avisos, apesar do vazio, apesar dessas mulambas.
Eu gosto de te ver longe, gosto de ver pois quero acreditar, quero falar para mim mesma que é real.
O fim não é como teu sono, meu amor, o fim é irremediável. 
Vá e rompa este grito em mim. Quem sabe com a tua ausência o tempo não me consuma tanto que, em necrose, eu me faça em cinzas, misturada com meu desapontamento, nos tornando uma coisa só.
A dor da falência já não me causará tanto dolo quanto tua partida.